01.07.2009

:: Aviary ::

Ia colocar isso no rodapé do post anterior, mas merece destaque: capturei a imagem da Wikipedia usando o Aviary, brinquedinho mais-do-que-bacaninha. Tem um plugin pro Firefox que permite capturar screenshots de forma simplérrima e já jogar pra edição online automaticamente. Pra quem não usa Firefox ou não quiser instalar o plugin, é só colocar http://aviary.com/ na frente de qualquer endereço e abrir a página no editor online deles -- aí dá pra cortar, editar e salvar a imagem à vontade. Show! Mais info, aqui.
Por Paulo Bicarato, às 17:29 de 01.07.2009 - Comentem!
Categoria: Tecnologices

:: Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico ::

É, o que a blogosfera não faz pra aumentar a nossa parca cultura... Fico sabendo, pela Dulcíssima Dulce, direto da França, que essa é a maior palavra da língua portuguesa: 46 letras, se não contei errado. Achei que fosse coisa dela lá, lusitana que é, ora pois!, mas fui conferir no Houaiss:
> Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico
adjetivo
Rubrica: pneumologia.
relativo a, próprio de ou que apresenta pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose
Bastante esclarecedor, não? Pois a Dulce colabora: trata-se do nome do coitado portador de *uma rara doença pulmonar contraída pela aspiração de cinzas vulcânicas*. Então tá, né?!?

Segundo clichê: e a Wikipedia explica direitinho como se formou a palavrinha:

Por Paulo Bicarato, às 17:11 de 01.07.2009 - Comentem!
Categoria: Blogosfera

:: Geopolítica pra Iniciantes ::

Como disse um camarada, é preconceituoso, generalizante, mal-comportado, politicamente incorreto. Como só um bom texto de humor poderia ser. Mas é uma verdadeira aula de geopolítica, história e cultura :-)

Devido ao tema, gostaria da avaliação de um mestre em relações internacionais: caríssimo SLeo, assim que tiver um tempinho aí na Flip, aguardo suas considerações, ok? (De minha parte, prefiro não destacar os trechos que considerei os melhores só pra não evidenciar os meus próprios preconceitos...)
A verdadeira idade dos países

por Hernán Casciari

Li uma vez que a Argentina não é nem melhor, nem pior que a Espanha, só que mais jovem. Gostei dessa teoria e aí inventei um truque para descobrir a idade dos países baseando-me no 'sistema cão'.

Desde meninos nos explicam que para saber se um cão é jovem ou velho, deveríamos multiplicar a sua idade biológica por 7. No caso de países temos que dividir a sua idade histórica por 14 para conhecer a sua correspondência humana.

Confuso? Neste artigo exponho alguns exemplares reveladores.

Argentina nasceu em 1816, assim sendo, já tem 190 anos. Se dividimos estes anos por 14, a Argentina tem 'humanamente' cerca de 13 anos e meio, ou seja, está na pré-adolescência. É rebelde, se masturba, não tem memória, responde sem pensar e está cheia de acne.

Quase todos os países da América Latina têm a mesma idade, e como acontece nesses casos, eles formam gangues. A gangue do Mercosul é formada por quatro adolescentes que tem um conjunto de rock. Ensaiam em uma garagem, fazem muito barulho, e jamais gravaram um disco.

A Venezuela, que já tem peitinhos, está querendo unir-se a eles para fazer o coro. Em realidade, como a maioria das mocinhas da sua idade, quer é sexo, neste caso com Brasil que tem 14 anos e um membro grande.

O México também é adolescente, mas com ascendente indígena. Por isso, ri pouco e não fuma nem um inofensivo baseado, como o resto dos seus amiguinhos. Mastiga coca, e se junta com os Estados Unidos, um retardado mental de 17 anos, que se dedica a atacar os meninos famintos de 6 anos em outros continentes.

No outro extremo, está a China milenária. Se dividirmos os seus 1.200 anos por 14 obtemos uma senhora de 85, conservadora, com cheiro a xixi de gato, que passa o dia comendo arroz porque não tem - ainda - dinheiro para comprar uma dentadura postiça.

A China tem um neto de 8 anos, Taiwan, que lhe faz a vida impossível. Está divorciada faz tempo de Japão, um velho chato, que se juntou às Filipinas, uma jovem pirada, que sempre está disposta a qualquer aberração em troca de grana.

Depois, estão os países que são maiores de idade e saem com o BMW do pai. Por exemplo, Austrália e Canadá. Típicos países que cresceram ao amparo de papai Inglaterra e mamãe França, tiveram uma educação restrita e antiquada e agora se fingem de loucos. A Austrália é uma babaca de pouco mais de 18 anos, que faz topless e sexo com a África do Sul. O Canadá é um mocinho gay emancipado, que a qualquer momento pode adotar o bebê Groenlândia para formar uma dessas famílias alternativas que estão de moda.

A França é uma separada de 36 anos, mais puta que uma galinha, mas muito respeitada no âmbito profissional. Tem um filho de apenas 6 anos: Mônaco, que vai acabar virando puto ou bailarino... ou ambas coisas. É a amante esporádica da Alemanha, um caminhoneiro rico que está casado com Áustria, que sabe que é chifruda, mas que não se importa.

A Itália é viúva faz muito tempo. Vive cuidando de São Marino e do Vaticano, dois filhos católicos gêmeos idênticos. Esteve casada em segundas núpcias com Alemanha (por pouco tempo e tiveram a Suíça), mas agora não quer saber mais de homens. A Itália gostaria de ser uma mulher como a Bélgica: advogada, executiva independente, que usa calças e fala de política de igual para igual com os homens (A Bélgica também fantasia de vez em quando que sabe preparar espaguete).

A Espanha é a mulher mais linda de Europa (possivelmente a França se iguale a ela, mas perde espontaneidade por usar tanto perfume). É muito tetuda e quase sempre está bêbada. Geralmente se deixa foder pela Inglaterra e depois a denuncia. A Espanha tem filhos por todas as partes (quase todos de 13 anos), que moram longe. Gosta muito deles, mas a perturbam quando têm fome, passam uma temporada na sua casa e assaltam sua geladeira.

Outro que tem filhos espalhados no mundo é a Inglaterra. Sai de barco de noite, transa com alguns babacas e nove meses depois, aparece uma nova ilha em alguma parte do mundo. Mas não fica de mal com ela. Em geral, as ilhas vivem com a mãe, mas a Inglaterra as alimenta. A Escócia e a Irlanda, os irmãos de Inglaterra que moram no andar de cima, passam a vida inteira bêbados e nem sequer sabem jogar futebol. São a vergonha da família.

A Suécia e a Noruega são duas lésbicas de quase 40 anos, que estão bem de corpo, apesar da idade, mas não ligam para ninguém. Transam e trabalham, pois são formadas em alguma coisa. Às vezes, fazem trio com a Holanda (quando necessitam maconha); outras vezes cutucam a Finlândia, que é um cara meio andrógino de 30 anos, que vive só em um apartamento sem mobília e passa o tempo falando pelo celular com Coréia.

A Coréia (a do sul) vive de olho na sua irmã esquizóide. São gêmeas, mas a do Norte tomou líquido amniótico quando saiu do útero e ficou estúpida. Passou a infância usando pistolas e agora, que vive só, é capaz de qualquer coisa. Estados Unidos, o retardadinho de 17 anos, a vigia muito, não por medo, mas porque quer pegar as suas pistolas.

Israel é um intelectual de 62 anos que teve uma vida de merda. Faz alguns anos, Alemanha, o caminhoneiro, não a viu e a atropelou. Desde esse dia, Israel ficou que nem louco. Agora, em vez de ler livros, passa o dia na sacada jogando pedras na Palestina, que é uma mocinha que está lavando a roupa na casa do lado.

Irã e Iraque eram dois primos de 16 que roubavam motos e vendiam as peças, até que um dia roubaram uma peça da motoca dos Estados Unidos e acabou o negocio para eles. Agora estão comendo lixo.

O mundo estava bem assim, até que um dia, a Rússia se juntou (sem casar) com a Perestroika e tiveram uma dúzia e meia de filhos. Todos esquisitos, alguns mongolóides, outros esquizofrênicos.

Faz uma semana, e por causa de um conflito com tiros e mortos, os habitantes sérios do mundo, descobrimos que tem um país que se chama Kabardino-Balkaria. É um país com bandeira, presidente, hino, flora, fauna... e até gente! Eu fico com medo quando aparecem países de pouca idade, assim de repente. Que saibamos deles por ter ouvido falar e ainda temos que fingir que sabíamos, para não passar por ignorantes.

Mas aí, eu pergunto: por quê continuam nascendo países, se os que já existem ainda não funcionam?

-- Sobre o autor:
Hernán Casciari nasceu em Mercedes (Buenos Aires ), a 16 de março de 1971. Escritor e jornalista argentino. É conhecido por seu trabalho ficcional na Internet, onde tem trabalhado na união entre literatura e blog, destacado na blognovela. Sua obra mais conhecida na rede, 'Weblog de una mujer gorda', foi editada em papel, com o título: 'Más respeto, que soy tu madre'.
[Dica do Zander; o original tá aqui]
Por Paulo Bicarato, às 15:46 de 01.07.2009 - Comentem!
Categoria: Almanaque

29.06.2009

:: Levanta, Sacode a Poeira... ::

Só pra espanar a poeira e começar a semana, fiquemos com a dica do Xico Sá, in*A Arte de Jogar Conversa Fora*:
O mentiroso de qualquer espécie sabe que a recreação, e não a instrução, é a alma da conversa e acaba sendo muito mais civilizado do que o cabeça-dura que fica alardeando sua desconfiança em relação a uma história que é contada apenas para entreter a platéia.

[Mais lá n'O Carapuceiro]
Por Paulo Bicarato, às 13:49 de 29.06.2009 - Comentem!
Categoria: Coleguinhas

18.06.2009

:: Mussum e a Pindureta ::

MussumÔ, sôdade... Bons tempos em que não tinha essa praga estéril (?!?) do politicamente correto. Saúde!
Por Paulo Bicarato, às 14:49 de 18.06.2009 - 2 comentários
Categoria: Etilíricas

:: MTb 25.626 ::

jornalismo
É a pauta do dia: STF revoga exigência de diploma pra jornalista. De minha parte, nunca fui a favor da obrigatoriedade -- o título do post é o meu registro profissional, que fique aí pra constar, só. Mas, como essa é uma discussão que sempre dá pano pra manga, prefiro deixar aqui uma pequena coletânea do que a blogosfera já produziu.

Lá do Sakamoto: *refletir sobre sua própria prática, dentro de uma ética específica, sabendo o que significa o papel de intermediar a informação na sociedade, ter a consciência dos direitos e deveres atrelados à liberdade de expressão são desafios que não são aprendidos necessariamenente na academia* -- e que se registrem os toscos argumentos do Gilmar Mendes. Já o Barone comemora: viva o Jornalismo!
Agora, os nossos cursos superiores de Jornalismo terão que ser o que eles são (...): um diferencial na formação de profissionais e não uma fábrica de diplomas.
Ou, como disse o Alessandro, talvez agora as faculdades ensinem algo... Mais ou menos nessa linha, a Cris Rodrigues [de quem roubei a ilustraçãozinha] anota:
Vejo a democratização do acesso como uma utopia a ser atingida quando o nível de educação do Brasil atingir uma qualidade alta.
Já o PDoria resume: agora, todo jornalista é jornalista. Ponto. Cá pra mim, no meio disso tudo fico, sempre, com o Cláudio Abramo: *minha ética é a mesma ética do açougueiro, do jornaleiro, do cidadão* (algo assim, mais ou menos, cito de cabeça).

Pra alimentar ainda mais o papo, vale a pena conferir o Idelber, que também fez um catado com vários textos. Enquanto isso, a Aninha comenta sobre o hacker-journalist.

E, pra quem defende o corporativismo, o Henrique manda a sugestão, direto de Madri:
*Associación de Vendedores de Melones y Sandias en Puestos de Temporada de la Comunidad de Madri*
Pra finalizar, que fiquemos combinados: às favas com algumas imposições da reforma ortográfica. Neste Alfarrábio, as idéias continuam a ter acento e assento; e meto os hífens na dona-de-casa sem pudor. Já o trema, aboli faz tempo -- que se mantenha o da Bünchen, que é bonitinho.
Por Paulo Bicarato, às 13:38 de 18.06.2009 - 2 comentários
Categoria: Coleguinhas

17.06.2009

:: #pedreiro_geek ::

Cantadas 2.0, ou nem tanto. Peguei só algumas, tem muito mais aqui:
você tem bluetooth? porque foi só passar que tive um Update Automático… #pedreiro_geek

e aí, gata, tá a fim de depurar o meu bug? #pedreiro_geek

-gata, vc trabalha no google? -não, pq? -Pq tudo que eu procuro, acho em vc. #pedreiro_geek_romântico

se você fosse um sanduíche, te chamava de X-ML. #pedreiro_geek

140 caracteres é pouco para o que vou fazer com você. #pedreiro_geek
[Dica lá da webess]
Por Paulo Bicarato, às 12:40 de 17.06.2009 - 2 comentários
Categoria: Tecnologices

10.06.2009

:: Trezentos ::

Samadeu avisa: tá no ar o Trezentos. Muita gente bacana, incluindo vários amigxs. O feed já tá devidamente assinado.

Trezentos

Segue o manifesto de lançamento:
*Trezentos é um blog coletivo. Muitos autores, muitos temas e muitas visões. O que nos une? A idéia de que a vida não se limita as relações de mercado capitalistas. Que profundas transformações estão em curso e sua turbulência já foi percebida. A sociedade é conflito e equilíbrio. Estamos aqui no ciberespaço, um lugar demasiadamente amplo, um não-lugar, o espaço dos fluxos. Uma realidade virtual que permite articular nossas ações presenciais. Não estamos em uma garganta. Não pretendemos defender nenhum estreito. Não gostamos de gatekeepers e de todos aqueles que querem diminuir ou bloquear a liberdade e a diversidade cultural. Somos trezentos e queremos passar, gostamos de compartilhar nossas idéias, defendemos as redes P2P. Por isso, não somos de Esparta. Somos amigos do Mário. Que Mario? Aquele que…

*Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
As sensações renascem de si mesmas sem repouso,
Ôh espelhos, ôh Pireneus! Ôh caiçaras!
Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!*

[Mário de Andrade, Eu Sou Trezentos]
Por Paulo Bicarato, às 18:09 de 10.06.2009 - 3 comentários
Categoria: Linux Vida Open Source

09.06.2009

:: Arcaísmos Ecadianos ::

Tenho boas lembranças das festas juninas. Quando eu era moleque, as festas nas escolas, nos bairros e mesmo algumas particulares eram sempre propícias pra paqueras, além da confraternização geral. Hoje, essa praga de breganejo tomou conta, e a pasteurização gringa mata o que ainda resta de autêntico na nossa caipirice.

Mas, afora saudosismos, o que me chamou a atenção foi uma noticinha que me chegou via alguma newsletter:
Ecad faz campanha para orientar usuários nas festas juninas

O Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) está enviando malas-diretas a escolas públicas e particulares, prefeituras, associações de moradores, igrejas, clubes, entre outros usuários de música.

As malas-diretas fazem parte de uma campanha de esclarecimento sobre a necessidade da autorização prévia para a realização dos eventos juninos, que é feita através de pagamento ao Ecad. O pagamento dos direitos autorais relativos à execução pública das músicas é devido, independentemente da festa ter ou não finalidade de lucro. Neste ano, a campanha do Ecad traz o tema “Correio do Amor”, uma brincadeira típica das festas juninas.
Definitivamente, isso é uma das coisas mais toscas que ilustra como esse povo que ainda defende a propriedade a qualquer custo tá cada vez mais desesperado. Aquela ingênua quermesse que arrecada uma graninha pra uma obra qualquer, a festinha na escola ou o arraiá no sítio só pra juntar os amigos -- a fúria arrecadatória (pra usar um termo batido aplicado a governos municipais, estaduais ou federal) não perdoa ninguém. Basta uma rápida busca pra ver a quantas anda esse negócio.

Na wikipédia, é de doer:
[o Ecad] É uma instituição privada sem fins lucrativos criada pela Lei nº5.988/73 e mantida pela Lei Federal nº 9.610/98.

[...] Administrado por dez associações de música para realizar a arrecadação e a distribuição de direitos autorais decorrentes da execução pública de músicas nacionais e estrangeiras, permite que o Brasil seja um dos mais avançados países em relação à distribuição de direitos autorais de execução pública musical.
Bom, resta-me rir. Mas é lindo ver todo esse esquemão ruir cada vez mais. Quanto mais desesperados, mais ridículos esses caras ficam. Enquanto isso, a gente fica com a CC, combinado?
Por Paulo Bicarato, às 16:21 de 09.06.2009 - 2 comentários
Categoria: Linux Vida Open Source

04.06.2009

:: Sim, sou Vira-latas ::

Somos vira-latas, abusamos da gambiarra, estamos sempre prontos pra colaborar com o puxadinho. Se-virismo é com a gente mêsss. Dessa vez, o SLeo que me desculpe, mas faço minhas as palavras dele (lógico que tive que corrigir os erros de digitação do Mestre, que é desleixado que só):
Vira-lata não tem complexo

"Se só tem no Brasil e não é jabuticaba? Boa coisa não é."

[...] "complexo de vira-lata". O vira-lata é antropofágico, mangue beat, tropicalista; ele não quer saber do que pode não dar certo, não tem nada a perder. É confiante, tinhoso, furão, malandro, virador, ousado e safado. É arrogante, desrespeitoso, debochado, É diplomático e esperto; sabe quando deve fingir que cedeu, para arrancar o que quer, e sabe sempre o que quer, não desiste nunca.

Complexo de vira-latas, só se for de superioridade. O vira-lata sabe que propriedade é uma ficção humana, que tudo é uma questão de vigilância e punição, e que quem corre mais rápido deixa o vagaroso para os leões. O vira-lata não vacila, não se rende, não se deixa prender, ele sabe dos caminhos e dos desvios do mundo.

O vira-lata é miscigenado, é multicultural, é plural e complexo. Não é previsível, e é amistoso, quando lhe convém. É simpático, é charmoso, é simples e adorável.

Já o cão de raça é amestrado, domesticado, condicionado. Sabe quem é seu dono, é manhoso e idiossincrático. De saúde frágil, e caráter simplório. Ele é quem tem complexo, de inferioridade, de submissão ao detentor da coleira, da focinheira, do enforcador, do treinador, da feira de cães. É um pobre lacaio, ou segurança, ou serviçal. É bonito, como uma sebe bem aparada. É um animal desanimalizado.

Tenhamos todos complexo de vira-lata. E mordamos sem dó a canela de quem atravessar nosso caminho.
Íntegra, aqui.

Mas, a propósito, minha irmã tá com uns filhotinhos 100% vira-latas-puro-sangue pra doar -- chegaram sete de uma vez só, meio que sem avisar. Interessados podem entrar em contato com este alfarrabista. Ó só as pecinhas:

filhotesfilhotesfilhotes
Por Paulo Bicarato, às 16:16 de 04.06.2009 - 3 comentários
Categoria: PretoNoBranco

:: Répibãrsdêitumí ::

Hoje, 4 de junho, este Alfarrábio completa oito anos de atividades. Em grande parte, o culpado é o HdHd. Reclamações podem ser encaminhadas a ele; elogios, se houver, pra mim mesmo. Tim-tim =^)
Por Paulo Bicarato, às 14:39 de 04.06.2009 - 2 comentários
Categoria: Egotrip

27.05.2009

:: Professores de Ética ::

[Enquanto os meus parcos neurônios se recusam a produzir, fiquemos com o copy&paste.]

Casos como os relatados pelo Frei Betto na Folha de hoje (só pra assinantes, mas eu copio pros sem-Folha) pipocam aqui e ali. Graças a Deus!
Professores de ética

Frei Betto

É tautológico falar em falta de ética no Congresso Nacional. Os escândalos se sucedem, do deputado que está "se lixando" para a opinião pública aos funcionários do Senado que, a exemplo de notórios senadores, ostentam um padrão de vida muito superior a seus vencimentos e à renda declarada.

Felizmente, há exceções. Lástima que a indignação e o protesto de congressistas íntegros tenham pouca ressonância nas ruas. Em geral, noticiam-se a farra de passagens aéreas, os castelos mirabolantes, as mansões paradisíacas. Poucos tomam conhecimento da coerência de congressistas incorruptíveis.

A corrupção decorre da falta de caráter. Esta se manifesta, de modo especial, quando a pessoa se vê investida de uma função de poder, do prefeito que se apropria dos recursos da merenda escolar a congressistas que se julgam no direito de pagar, com dinheiro público, o salário de sua empregada doméstica.

Como dar um basta em tanta maracutaia? Difícil. O ser humano padece de duas limitações insuperáveis: defeito de fabricação e prazo de validade. É o que a Bíblia chama de "pecado original". Sempre haverá homens e mulheres desprovidos de caráter, de princípios éticos, dispostos a não perder a primeira oportunidade de enriquecimento ilícito. A solução é criar, via profunda reforma política, instituições que inibam os corruptos e mecanismos de controle popular. Em suma, tornar a nossa democracia, meramente delegativa, mais representativa e, sobretudo, participativa.

Enquanto isso não acontece, sugiro que convidem, para ministrar um curso de ética no Congresso Nacional, Suas Excelências José Gomes da Costa, Rodrigo Botelho, Francisco Basílio Cavalcanti, Clélia Machado, Sebastião Breta e Fagner Tamborim.

José Gomes da Costa é gari da Prefeitura de São Paulo. Ganha R$ 600 por mês. Vinte e seis vezes menos que um deputado federal. Com esse salário, sustenta a si e três filhos. Dia 18 de maio último, ao varrer a rua, encontrou um cheque no valor de R$ 2.514,95. José precisaria trabalhar quatro meses, sem nenhuma despesa, para acumular essa quantia. Procurou uma agência do banco e devolveu o cheque. Motivo: vergonha na cara.

Gari, Rodrigo Botelho encontrou, em 26 de maio do ano passado, durante campeonato mundial de tênis de mesa, no Rio, mochila com R$ 3 mil em dinheiro. Viu o nome do dono nos documentos, chamou-o pelo microfone e devolveu. Rodrigo é normal, tem caráter.

Francisco Basílio Cavalcante, faxineiro do aeroporto de Brasília, pai de cinco filhos, ganha salário mínimo. No dia 10 de março de 2004, encontrou uma bolsa de couro no banheiro do aeroporto. Dentro, US$ 10 mil. Se fosse juntar o salário que ganhava, sem gastar um só centavo, levaria (à época) mais de sete anos para obter igual soma. Francisco declarou: "Tem que ser assim. O que não é nosso precisa ser devolvido. Não pode trazer felicidade".
Clélia Machado, 29, é auxiliar de serviços gerais e faz bico como manicure. Sozinha, cria duas filhas, uma de sete anos, outra de nove. Sua renda mensal não chega a R$ 550. Todos os dias ela faz a faxina do banheiro do posto da Polícia Rodoviária Federal em Seberi (RS). A 11 de março de 2008, encontrou, junto à privada, um pé de meia enrolado em papel higiênico. Dentro, US$ 6.715. Clélia entregou os dólares aos policiais.

Entrevistada, disse: "Bem que podia ser meu de verdade. Mas já que não me pertencia, devolvi. Era o certo a fazer". O gari Sebastião Breta, 43, da Prefeitura de Cariacica (ES), devolveu os R$ 12.366 mil que achou num malote no lixo. O nome do homem que fora roubado estava gravado numa etiqueta. Sebastião ganha salário mínimo.

Indagado se pensou em ficar com o dinheiro, disse: "Nunca. Desde a primeira vez que vi, sabia que devia devolver. Quando não consigo pagar as minhas contas, fico doido, pensava o tempo todo como estaria o dono do dinheiro, imaginava que ele também não podia pagar suas contas porque tinha perdido tudo. Eu e minha mulher não conseguiríamos dormir à noite. Acho esquisito pegar o que não é da gente".

Fagner Tamborim, 17 anos, entregador de jornais na cidade de Pirajuí, a 398 km de São Paulo, ganha R$ 90 por mês. Enquanto pedalava sua bicicleta, encontrou na rua um malote com R$ 6 mil. Devolveu-o ao dono. "Vi que tinha muito dinheiro e cheques. Levei pra minha mãe, que ligou para o banco."

O melhor do Brasil é o brasileiro, não necessariamente nossos congressistas.

CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO, o Frei Betto, 64, frade dominicano e escritor, é autor, em parceria com Verissimo, Cristovam Buarque e outros, de "O Desafio Ético", entre outras obras. Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004).
Por Paulo Bicarato, às 15:28 de 27.05.2009 - 2 comentários
Categoria: Pensatas

25.05.2009

:: Fotojornalismo ::

Lance do Palmeiras (Jumar) e São Paulo (Hugo), no clássico do domingo. Balé puro, numa bela sacada do Moacyr Lopes Jr., da Folha de S.Paulo. Sobre o jogo em si, que meteram a mão no Verdão, prefiro deixar pra lá. [Procurei a foto online, mas não achei. Fui obrigado a scanear e botar aqui.]

Segundo clichê: sei que o Oliveira, o canalha (amigo) do SLeo, não costuma visitar este Alfarrábio. Mas o JotaJota, o canalha da redação aqui, num ímpeto oliveirístico, comentou:
-- É... o palmeirense tá por trás do bambi, e o bambi com essa expressão de *huh!*, só mostra que a *coreografia* foi no improviso mesmo... (ou não...)

[Clique pra ampliar]
Por Paulo Bicarato, às 17:16 de 25.05.2009 - 2 comentários
Categoria: Coleguinhas

20.05.2009

:: Missing Link ::

E eis que o Google *homenageia* hoje o Elo Perdido.

EloPerdido
Por Paulo Bicarato, às 13:35 de 20.05.2009 - Comentem!
Categoria: Primeira Edição

19.05.2009

:: Medrosa! ::

Ela já disse que tem medo do Lula e que tem medo de nazistas. Agora, o Sakamoto conta que ela também tem medo de... índios! É, tô falando dela mesma, Regina Duarte, aquela que um dia foi chamada de *namoradinha do Brasil (!)*.
*Confesso que em Dourados voltei a sentir medo*, disse a atriz, com referência às portarias da Funai (Fundação Nacional do Índio) que prevê a criação de reservas nas regiões da Grande Dourados e Sul do Estado.
Faço minhas as palavras do Sakamoto, que contextualiza o caso bem melhor, dando números de índios assassinados diante do poder dos pecuaristas:
Atriz global e pecuarista, a dona Regina Duarte disse, em discurso na abertura da 45ª Expoagro, em Dourados (MS), que está solidária com os produtores e lideranças rurais quanto à questão de demarcação de terras indígenas e quilombolas no estado.

[...] *O direito à propriedade é inalienável*, explicou ela, de forma curta, grossa e maravilhosamente elucidativa o que faz do BRASIL um brasil. Em verdade, ela deve estar sentindo medo desde a campanha presidencial de 2002…

[...] Só espero que, na tentativa de apoiar a causa, ela não resolva levar isso para a tela da TV, em um épico sobre a conquista do Oeste brasileiro, nos quais os brancos civilizados finalmente livram as terras dos selvagens pagãos.
Se alguém se interessar, pode conferir a brilhante biografia da dona Regina.

E, sim, é esse mesmo *medo* que (des)constrói e fragmenta nosso já frágil sentimento de pertencimento a uma sociedade. Definitivamente, tô fora!
Por Paulo Bicarato, às 16:50 de 19.05.2009 - 3 comentários
Categoria: PretoNoBranco