
Vi que vc gosta do Leminski! Então quero te recomendar uma música da banda curitibana Escola de Robô, musicando o poema *Além Alma*. Confira:[Como todo spam, vem sempre recheado de erros gramaticais. Poupo minha meia-dúzia de cinco leitores desses detalhes, ok?]
www.myspace.com/escoladerobo
Além alma (Um grama depois)
Meu coração lá de longe
faz sinal que quer voltar.
Já no peito trago em bronze:
Não tem vaga nem lugar.
Pra que me serve um negócio
que não cessa de bater?
Mais me parece um relógio
que acaba de enlouquecer.
Pra que é que eu quero quem chora,
se estou tão bem assim,
e o vazio que vai lá fora
cai macio dentro de mim?
![]() | Baiano de Caitité, foi lavrador, engraxate, garimpeiro, cantor e compositor -- mas cachorro, não! Sei lá, nunca fui fã do cara e acho que só conheço a música mais famosa dele. Mas vi a notícia da morte dele hoje, aos 75 anos, e me deu uma sensação de déja-vu (é assim que se escreve)? Aquela dor-de-cotovelo brega hoje virou essa coisa inominável das (ditas) duplas sertanejas. Waldick Soriano gravou 28 discos -- repito, não conheço nada --, e acho que lá se foi o último dos cafajestes, aquele do *amor bandido, amor vagabundo, porém sincero...* Que fique registrado, pois! |
Metralhadora giratória e suas casualidades
Quis o destino ou um editor sacana que a coluna de conhecido bufão da imprensa saísse ao lado da matéria da Veja sobre um brucutu personagem de novela que maltrata a mulher. E bem ao lado da foto, com o brutamontes e a mulher que aceita sem reparos a violência cotidiana do marido, o colunista escreve o que deve considerar uma divertida piadinha, a ser repetida ao som de pedrinhas de gelo no úisque bebericado com os amigos durante o churrasco de fim de semana:
"...(John McCain) realizou o sonho secreto de todos os homens casados do planeta e despachou sua mulher, Cindy, para a zona de guerra".
Todos os homens casados de que planeta, cara-pálida? Pegue o canhão com quem casou e vá se queixar ao ministério da Defesa.
(No churrasco com os amigos, a piada deve ser acompanhada de um tapa no traseiro da esposa, que interromperá o serviço de mesa para dar um risinho e comentar algo do gênero "ah, esse Dioguinho não tem jeito mesmo!" É muito divertida a vida dessa classe média intelectualizada.)
![]() | De 15 a 21 de setembro, São Luiz vai ficar pequena (de novo!). Dêem só uma conferida em algumas pessoas que estarão por lá, com oficinas, shows, bate-papos e, claro, cerveja: Tata Fernandes, Zé Miguel Wisnik, Hélio Ziskind, Paulo Padilha, Zuza Homem de Mello, Arthur Nestrovski, Juçara Marçal e Kiko Dinucci, Barbatuques, Marco Rio Branco e Thar, Tetê Espíndola, Tânia Moradei, Virgínia Rosa, Pedro Luís e A Parede, Moraes Moreira, Estrambelhados, Zeca Baleiro, Lenine... Achou que é pouco? Então tá. Pra completar, nada mais nada menos que Tom Zé e, fechando com chave de ouro, o mestre Antonio Nóbrega. Precisa comentar alguma coisa? Suzana Salles dá o tom: Nosso repertório coletivo de canções forma um tecido raro dentro do mundo, e é reconhecido por sua singularidade e diversidade. E é através do conhecimento e do pensamento sobre nossa cultura musical que podemos crescer cada vez mais. Neste sentido, a cidade de São Luiz do Paraitinga é a mais perfeita tradução do que seria um ideal de criatividade musical, quando promove e brinca seu carnaval e suas festas tradicionais. Portanto, mais uma vez a produção da Semana e eu convidamos todos para comemorar esta festa de Música Popular Brasileira. |

"peguemo" a tropa pra sair e, quando foi de madrugada, vimos que "peguemo" o burro errado. "Peguemo" o burro da fazenda. Aquele burro ficou no meio dos nove burros da tropa, e os burros tudo dando nele. Aí teve que voltar distância longe pra trásSe a cultura caipira ficou mais pobre, o Zé Mira pode ter certeza de que deixou frutos. Taí a Cantiga de Rei, composição dos camaradas Déo Lopes e Beto Quadros:
Eu nasci numa palhoça, levei vida de caipira
Minha mãe me deu uma coça cum galho de sucupira
Ando mesmo é de carroça, amarro a carça com imbira
Gosto é de morar na roça, e sou amigo do Zé Mira
Poeta caipira, madeira de lei,Faço moda de viola, nunca fiz de encomenda
dançando catira, cantiga de rei
Poeta caipira, madeira de lei,
dançando catira, cantiga de rei
Se também já fui à escola, foi por causa da merenda
Ora frango com quiabo, ora angu com cambuquira
Se a enxada está longe do cabo, eu sou amigo do Zé Mira
Eu nasci às quatro e meia, às cinco e meia eu perguntei
Onde andava o meu amor, às seis e meia eu encontrei
Já pesquei com linha grossa, nadei junto com as traíra
Já vi onça minha nossa!, outro amigo do Zé Mira
Eu nasci numa palhoça, levei vida de caipira
Minha mãe me deu uma coça cum galho de sucupira
Caminhei setenta légua, com a botina sem parmia
Hoje eu faço a minha entrega, na batida da catira
Vale separar tempo na agenda para o lançamento do livro *Além das Redes de Colaboração: internet, diversidade cultural e tecnologias do poder*.Segundo clichê: o SAmadeu comenta mais um pouco sobre o livro.
Entre os articulistas estão o Prof. Imre Simon, Sérgio Amadeu, Alex Primo, João Brant e Nelson Pretto. Só gente fera =)
O livro é produto do ciclo de debates Além das Redes de Colaboração que é parte do projeto Cultura e Pensamento do MinC. Pude acompanhar alguns dos debates que foram transmitidos online e disso já da pra ver que vem coisa boa por aí.
Enfim, fica a dica para quem quer refletir mais profundamente sobre esses assuntos que, em geral, a gente só aborda pelas beiradas.
Dia 27/08, quarta-feira, às 19h (depois do Seminário de Direitos Autorais e Acesso à Cultura do Ministério da Cultura)
Local: Auditório da USP Leste
Rua Arlindo Béttio, 1000, Ermelino Matarazzo, São Paulo
