27.12.2006

:: Puristas, o Filme ::

Que Turistas, que nada. O melhor filme da temporada é, sem dúvida nenhuma, Puristas. Basta conferir o roteiro do Almirante Nélson:
Resenhas Almirânticas de Películas Polêmicas

PURISTAS – O Filme

Grupo de puristas da Escola de Frankfurt vem passar o verão nas praias do Rio. Logo na primeira cena, depois de várias rodadas de pequeno-camponesas (i.e., caipirinhas), os frankfurtianos são assaltados e envenenados. No caso, assaltados por uma dúvida quanto à consistência da agenda ideológica do governo (“Como uma administração consegue conciliar a intelectualidade gramsciana com a bancada evangélica?”) e contaminados pelos sanduíches naturais vendidos na praia, cuja maionese é um veneno. Escandalizados pelos discursos anarco-capitalistas dos vendedores de mate (“Moça bonita não paga mas também não leva!” – o que estabelece a dialética do subsídio estético contraposto à relativização do direito de consumo), os puristas se dividem: a ala marcusiana corre para o banheiro do hotel, por conta da maionese, e a ala horkheimeriana parte em busca de um brasileiro genuíno, livre das contradições utilitaristas do zeitgeist do século vinte e um. Cruzam o caminho de perigosos traficantes de Organum (no caso, favelados que traficam exemplares da obra de Aristóteles para fazer sedinha com as páginas), mas como os frankfurtianos têm por tradição a exegese crítica da cultura clássica, os dois grupos fingem que nem se vêem. Nesse momento a platéia se pergunta onde está o terror e a escatologia do filme. É porque não é ela que está no banheiro dos marcusianos, se contorcendo de diarréia, suando frio e descobrindo que a descarga não funciona. Como se não bastasse, a campainha do quarto do hotel toca: é o vendedor de sanduíches naturais, que descobre que foi pago com marcos ao invés de euros – para você ver como os frankfurtianos são puristas mesmo. Corta para os horkheimerianos, que voltam à praia depois de terem mudado de idéia e dividido vários baseados com os favelados. Na maior larica, eles olham em torno e só vêem, por todos os lados, vendedores de sanduíche natural se aproximando. Sobe a música de suspense.
O almirantinho errou de sala
Por Paulo Bicarato, às 13:04 de 27.12.2006 - 1 já comentou aqui
Categoria: Blogosfera

19.12.2006

:: Caverna, Doce Caverna ::

Parafraseando o próprio: caros copoanheiros, caras moças-de-seios-macios, eis que trago hoje um retrato-em-três-por-quatro dessa espécie em extinção, tão mal compreendida, tosca no úrtimo, mas que sabe te pegar no colo, de deitar no solo e te fazer mulher. Com vocês, Xico Sá:
Casa de homem [mais uma crônica, a pedidos]

Noves fora o “homem de predinho antigo”, aquela criatura que adora um pé-direito alto, um sofá de época e uma luz indireta, o macho solteiro é um desastre no capítulo decoração, principalmente aqui em SP, como este que vos bafeja a nuca. Tem lá o seu sofá velho, a sua tv, uma cama barulhenta, três ou quatro panelas _sem cabo_ encarvoadas pelo tempo, e copos de requeijão, muitos copos de requeijão, alguns deles ainda com um pedaço do papel do rótulo. Se brincar, o cara coleciona também os velhos copos de geléia de mocotó, um primor de utensílio “vintage”, vixe!

E quando a fofa, toda fina e fresca, nova namorada, chega lá no “muquifo” com a sua garrafa de champanhe?! Procura, procura as taças, para fazer uma graça com o marmanjo, e nada. O jeito é beber Veuve Cliquot em copo de extrato de tomate. Quem mandou apaixonar-se por um macho-jurubeba autêntico, que vem a ser justamente o avesso do metrossexual, aquele mancebo da moda que se lambuza de creminhos da Lancôme e decora o loft, sim, o ex-morava num loft, arghhhhhhhhhhhhh, de acordo com as tendências da revista “Wallpaper”, deus mio,vilgiiiii, argh again de novo!!!

“Uó-o-qué, rapaz, seje homi”, diria meu amigo Rinaldo, pai de uma deliciosa costela, lá no sítio Acauã, de Chã Grande, agreste do Pernambuco mais pernambucano. “Uópeiperrr”!, tento explicar… Mas que nada!, estoou diante de um homem de verdade.

Pior é quando ela tenta mudar tudo. E põe aquele seu quadro caríssimo e de grife numa sala que não tem nem mesmo um sofá que preste?!

Um desastre.

A fofa, toda metida a besta, não desiste nunca. Ai presenteia o bofe _sim, ela está doida e perdidinha pelo cabra!_ com uma batedeira prateada ultramoderna com 600 funções, que nunca será usada. Ai fica aquela batedeira high-tech fazendo companhia aos três pratos chinfrins e aos garfos tortos _como se o Uri Geller, aquele parapsicólogo que aparecia no “Fantástico” das antigas, tivesse jantado por lá ou feito faxina na área.

Ela começa a revirar geral, um deus-nos-acuda, numa casa onde ninguém havia mudado, caro Lirioboy, sequer uma planta de lugar. O reino vegetal, aliás, é outro ponto fraco do macho solteiro. Jarros, flores? Nem de plástico.

Na casa do homem solteiro típico, a utilidade triunfa sobre a estética. O cúmulo do utilitarismo. Sofá da tia-avó vira cama, como diz a minha amiga D., co-autora dessa crônica. A cama vira sofá, a rede vira sofá e cobertor, o cobertor vira cortina preso à persiana…

A falta de cortina é outra marca registrada do desmantelo do cavaleiro solitário. Quando muito, papel filme.
Abajur? De jeito maneira. Tosco no último, ele não tem cultura de luz indireta, nem nunca terá, esqueça.
Outro traço de personalidade do macho solteiro: tudo que chega até a cozinha vira tupperware _aquelas embalagens plásticas de lasanha comprada pronta, caixinha de entrega de comida chinesa ou japonesa, potes de sorvete…

Melhor assim do que as frescuras do ex da minha amiga D., a mesma rapariga acima citada. Ela entrou na casa dele e logo ouviu a advertência, em altos brados: “Não pisa de salto no meu carpete de madeira!”
“Nooooosssssa!,” arreganharia a bocarra o velho Costinha, se vivo fosse. Oxeeeeeee!
Brinde:

Piolhento

[Dica do Marcelo, texto e imagem, de quem aproveitei o título do post. Pra quem quiser mais do Xico Sá, confira n'O Carapuceiro.]
Por Paulo Bicarato, às 09:04 de 19.12.2006 - Comentem!
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05.12.2006

:: Pra Lá do Digital ::

Zé Murilo dá a dica:
Ciclo de Debates "A Cultura Além do Digital" em WebCast

O Programa Cultura e Pensamento transmitirá, ao vivo, através da internet, o ciclo de debates 'A Cultura Além do Digital', projeto selecionado na edição 2006. Serão abordados os sub-temas 'Inovação Tecnológica, Mídia e Processos Culturais', 'Cultura Digital é Cultura Livre?', 'Redefinindo públicos e novos sentidos das culturas', 'Diálogos entre diferenças', 'Bastidores e políticas' e 'O horizonte da Cibercultura'. Nomes como Seth David Schoen (EFF), Mário Teza, Ronaldo Lemos, H. D. Mabuse, André Lemos, Gustavo Gindre, Silvio Meira e Claudio Prado estarão presentes nas várias mesas de debate.

Realizado pelo tangolomango e com curadoria de Heloisa Buarque de Hollanda (UFRJ), o seminário, "A Cultura Além do Digital" procura apreender os processos de transformação desencadeados pela difusão pelas novas tecnologias digitais de comunicação no plano das relações políticas, econômicas e sociais e seu impacto no contexto da cultura.

Para além do debate, no entanto, o objetivo maior é propor políticas e ações que possam tornar efetivo o potencial emancipatório e democratizante desses processos. Vale a pena conferir, acompanhar, blogar, e ampliar o alcance do debate.

Se liga! De 05 a 08/12 e de 12 a 14/12, entre no webcast pelo link abaixo, sempre às 18 horas.
O link é: http://gtvd.rnp.br/d-webtv.jsp?id=digital

PROGRAMAÇÃO dos DEBATES >>>

Outros ciclos de debates do Cultura e Pensamento 2006:

  • DIÁLOGOS INTERCULTURAIS »

  • DO ESTADO QUE TEMOS AO ESTADO QUE QUEREMOS »

  • REVERBERAÇÕES – SEMINÁRIO RITMOS DA URGÊNCIA »

  • REVISTA AZOUGUE »

  • GLOBAL/BRASIL – UNIVERSIDADE NÔMADE »

  • E-VENTO, LEVANTANDO A POEIRA DA CULTURA POPULAR BRASILEIRA »
  • Por Paulo Bicarato, às 13:06 de 05.12.2006 - Comentem!
    Categoria: Blogosfera

    :: Aceita-se Vale-Transporte ::


    My blog is worth $27,097.92.
    How much is your blog worth?

    Por Paulo Bicarato, às 11:07 de 05.12.2006 - Comentem!
    Categoria: Blogosfera

    :: Manos ::

    Eles teimam em relutar em engatar a segunda, mas parece que estão pegando gosto pela blogosfera: Johnnie Blunder, do Marcelo, e Nos Créditos, do Cacá. Sim, ambos de sobrenome igual ao deste alfarrabista.
    Por Paulo Bicarato, às 10:08 de 05.12.2006 - Comentem!
    Categoria: Blogosfera