Depois de passados alguns meses da chamada inicial o Mutirão conseguiu reunir material de diversos autores, relatando de imagens e práticas até críticas e ensaios.
Entre os debates mais interessantes e originais da Campus Party, estavam a discussão sobre a brasileiríssima gambiarra como elemento de evolução tecnológica [...]
Um exemplo de como o Estadão, ao lado da TV Cultura, foi dos poucos veículos da “grande mídia” que souberam ver além a Campus Party. Sobre o verbo ver, aliás, sintonias finas: abro o reader hoje e dou de cara com um post do Cyrano:
Ver enxergar
É preciso atentar para as inverossimelhanças.
E, no espírito #mutsaz-gambiarra-cparty, o desafio de ver:
Ó p'cê vê: tautologia insistente, persistente, implora de maneira direta a que -- só isso! -- exercitemos um sentido vital de percepção do mundo. É como um clamor para que do sentido quase desprezado passemos à contemplação, percepção, interpretação, compreensão: o sentido além do sentido. Na corruptela, um resumo do possível-necessário. Olhe, veja bem... da simplicidade da expressão popular à profundidade do(s) significado(s), qualquer verborragia – como esta – é vã. Até vil. O conselho-ordem exprime por si a urgência de não apenas se render às evidências, e encará-las, mas desembaçar a miopia, abrir-se às potencialidades do não-sensível, re-significar o invisível (o essencial?). O senhor mire veja: tatear olfatos, degustar silêncios – é coisa perigosa. Viver é perigoso. Mas a mesma redundância reforça o pedido para que o outro compartilhe essas percepções. E exclama: “é óbvio”! Olhe, mire, veja! Verbos imperativos ou humildes pedintes? “Careço só de óculos não, doutor”, me lembra meu Miguilim.
[Este Alfarrábio ficou completamente abandonado nas últimas semanas. Foi, talvez, por algum apagão particular meu aqui, que deixei que o domínio expirasse – mas, por culpa do copoanheiro Adauto, que assumiu a parte burrocrática da coisa, eis que voltamos à ativa. Um retorno doloroso pelas circunstâncias, mas que exige nossa modesta homenagem a um grande Camarada:]
Imagens, lembranças, sensações se mesclam enquanto ainda tento absorver a notícia de que o DPádua partiu pra batucar o maracatu do Seu Estrelo em outras paragens. Ficamos sem a companhia -- física -- de um grande amigo imaginante, pirata nômade, espírito compartilhante e livre. Posso assegurar que, muito mais do que um ativista, era um praticante apaixonado da filosofia open source, de compartilhamento do conhecimento. E, sim, como o próprio diria, era um cara *buuunito, e cocrante*. Deixo o relato do outro Daniel, o Duende, que exprime da melhor maneira o que eu poderia dizer nesse momento.
Daniel Padua, o narigão, o sapão, o anatólio, o imaginante, o sátiro pulapulante, o barbudo, o meu melhor amigo, meu irmão nesta vida, e discretamente um de meus heróis...
É tão difícil falar neste momento. É difícil, não só pelo sentimento vazio da partida. É difícil porque meu querido amigo sabia muito bem como gostava que falassem dele. E eu tenho certeza de que ele iria ficar uma arara comigo se eu fizesse um testemunho sofrido, circunspecto e triste. Então, com todo o meu profundo respeito pela minha dor e pela dor de todos os meus amigos... amigos queridos dele também... eu vou me limitar a dizer umas poucas frases do jeito que ele gostava.
Meu amigo sempre gostou de dizer que era ficção para nossos sentidos. Eu sempre impliquei com a palavra ficção na frase dele. Sempre achei que a gente precisava de uma palavra muito maior para descrever o que éramos um para o outro, uns para os outros, todos nós do bando. E um dia nós achamos esta palavra. Nós somos mitos para/nas narrativas-vida uns dos outros.
DPadua era, além de tudo mais que eu já disse no início deste desajeitado email, um de meus mitos maiores. Sua existência alterava meu universo imaginário... o de todos nós... de uma maneira por vezes difícil de medir ou explicar. Ele simplesmente transformou tudo aquilo que tocou. De barba em riste e sorriso grande aberto, meu amigo DPadua mudou todas as nossas vidas e todas as nossas histórias: para alguns de seu jeitinho discreto, de mineirinho de Vila Velha, para outros trazendo mudanças gigantescas e inexprimíveis.
DPadua é hoje parte de todos nós. E me aconchega o coração saber que hoje ele descansa, livre das dores da convalescência e do aperto no peito de sentir a inevitável dor de seus amados. Descansa, e repousa dentro de todos nós -- nós que nos tornamos todos um pouquinho DPadua depois que ele passou por nossas vidas. Em nós, ele vive enquanto vivermos. E espero que o DPadua dentro de todos vocês possa novamente cantar e dançar em breve.
Eu posso dizer que eu conheci o cara. E se posso dizer mais uma coisinha, digo esta:
Se querem homenagear o cara, festejem a vida que ele trouxe. Não se concentrem em sua partida. Como nômade que era, DPadua cedo ou tarde sempre partia em busca de novas viagens. Longa vida à vida IMAGINANTE e AMOROSA que ele nos trouxe.
E até mais, meu amigo.
A gente se vê nas ilhas imaginárias.
"tecnologia é mato, o importante são as pessoas" – Daniel Pádua
Como diria o Rosa, *as pessoas não morrem, ficam encantadas*. O Sapolino se encantou.
Em mais um oferecimento da gloriosa Sosaci -- Sociedade dos Observadores de Saci, com a prestimosa colaboração de camaradxs de todos os naipes e estirpes, temos a honra e o prazer de anunciar, em primeira mão [tá, tá, é em segunda mão...], a programação da VII Festa do Saci e Seus Amigos. Quando? De 30 de outubro a 1º de novembro. Onde? Ué, só podia ser em São Luiz do Paraitinga. Por quê? Primeiro, pra esquecer esse negócio de halloween. Aqui é raloím. Segundo, como os mais entendidos explicam: *Se ainda não sabe, fique sabendo: 7 é o número do Saci. Ele nasce no oco do taquaruçu em ninhadas de 7, com 7 centímetros, chega a 77 centímetros e morre com 77 anos. Vai daí, pois, a importância da VII Festa do Saci e seus Amigos*. Segue, pois, a programação:
Sexta-Feira (30/10)
19h - Abertura oficial (Praça Oswaldo Cruz)
19:10h - Passeio saciclístico (saída da praça Oswaldo Cruz)
19:30h - Lançamento do Anuário da Mitologia Brasílica, de Mouzar e Ohi (Largo das Mercês)
20h - Seminário/palestra - “História social da música caipira” e “A via da cultura”, com Ivan Vilela (Capela das Mercês)
20h - Show com Louro e Lucas (coretinho)
21:30h - Show com Dinho Nascimento “Ser Hum Mano” (coretão)
22h - Show com Patrícia, Clara e Daniel (coretinho)
23h - Seresta (pelas ruas do centro)
Sábado, 31 de outubro
10h - Brincadeiras na praça: corrida do ovo, trilha enigmática, corrida de saco, rodar peneira (Praça Oswaldo Cruz)
10:30h - Saci urbano - painel (Praça Oswaldo Cruz)
11h - Oficina de artesanato com Ju Preto (praça do coretinho)
14h - Show com grupo Perêrê (coretão)
15h - Show com Trio Jacarandá (Capela das Mercês)
15h - Teatro com Tempo de Brincar (coretinho)
16h - Contação de causos com Ditão Virgílio e Geraldo Tartaruga (coretinho)
17h - Apresentação dos Flautins de Matuá (saída do Largo das Mercês)
20h - Show com Ivan Vilela (coretinho)
22h - Show com Camilo Frade e amigos (coretão)
00h - Saciata com o Bloco do Saci (saída do Camping do Saci)
Domingo, 1º de novembro
10h - Teatro com Tempo de Brincar (coretinho)
11h - Bolo do Saci (coretinho)
14h - Show com o grupo Pererê (coretinho)
15:30h - Show com a banda Izé Mangolô “Na Cozinha do Saci” (coretão)
17h - Show com o grupo Engole o Choro (coretinho)
18h - Show com Marco Aurélio e Mayara (coretinho)
20:30h - Duo Catrumano (coretinho)
21:30h - Show com o grupo Forró do feijão (coretão)
Encerramento
Segunda (26/10) a domingo (01/11)
Exposição de cartuns (Biblioteca Municipal, na Praça Oswaldo Cruz)
Direto do Arraial D'Ajuda, com um bando de gente de primeiríssima, no Encontrão Transdimensional da MetaRec. Por enquanto, só o registro da chegada/acolhida -- pisei em Porto Seguro às 11:23.
[Com a colaboração/participação à distância do Copoanheiro -- tô teclando do EeePC do cara.]
Sim, é um copy&paste na caradura, mas por nobres motivos.
Esta é a campanha para angariar fundos para aquisição de uma nova kombi que sirva, como a outra que queimou, para diversas iniciativas de cunho sócio-cultural em todo o território mundial. A antiga kombi esteve envolvida em diversos projetos, com diversas pessoas, e muitos se beneficiaram dela durante sua vida, muitos passearam, muitos carregaram tralhas, outras pessoas fizeram até mudança… então vamos continuar com o carro, renascido através das doações que poderão ser feitas aqui neste site.
obrigado,
equipe kombi-nação
Estamos tod@s tentando, num esforço coletivo e espontâneo, realizar o sonho da kombi-fênix, fazer ela ressurgir das cinzas é o ideal. vc pode colaborar conosco, faz uma transferência de qualquer valor pra uma dessas contas, depois assina teu nome como contribuidor/a nesta página aqui.
Taí! Já faz tempo que tô cobrando o copoanheiro Adauto pra falar mais sobre o Professor Pardal, a.k.a. *sêo* Bento, vulgo pai-dele-mesmo. Até que enfim o cara cedeu e contou um pouco da história -- digo *um pouco* porque, como se pode constatar, são só alguns exemplos pinçados.
Esse é *o* exemplo: apropriar-se da tecnologia, fazer da tecnologia o artesanato, saber *como* fazer (antes mesmo de *o que* fazer). *Sô* Bento é MetaRec na essência! É nóis!
Tramita em Brasília, na Câmara dos Deputados, o projeto de lei (PL 203/91) que irá definir a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Sem qualquer consulta ou justificativa plausível, um "grupo de trabalho" alterou a redação do artigo 33, que regulamenta a logística reversa e a reciclagem, e retirou a menção aos produtos eletro-eletrônicos. Com essa alteração, o projeto de lei que deveria criar a Política Nacional de Resíduos Sólidos passa a ignorar a existência do lixo eletrônico, problema crescente e de alto custo sócio-ambiental.
Se concordar com os termos deste Manifesto, assine a petição online <http://www.petitiononline.com/ewaste1/>e ajude-nos a divulgá-lo. Você ainda pode enviar o texto a todos os parlamentares listados no final deste post.
Samadeu avisa: tá no ar o Trezentos. Muita gente bacana, incluindo vários amigxs. O feed já tá devidamente assinado.
Segue o manifesto de lançamento:
*Trezentos é um blog coletivo. Muitos autores, muitos temas e muitas visões. O que nos une? A idéia de que a vida não se limita as relações de mercado capitalistas. Que profundas transformações estão em curso e sua turbulência já foi percebida. A sociedade é conflito e equilíbrio. Estamos aqui no ciberespaço, um lugar demasiadamente amplo, um não-lugar, o espaço dos fluxos. Uma realidade virtual que permite articular nossas ações presenciais. Não estamos em uma garganta. Não pretendemos defender nenhum estreito. Não gostamos de gatekeepers e de todos aqueles que querem diminuir ou bloquear a liberdade e a diversidade cultural. Somos trezentos e queremos passar, gostamos de compartilhar nossas idéias, defendemos as redes P2P. Por isso, não somos de Esparta. Somos amigos do Mário. Que Mario? Aquele que…
*Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
As sensações renascem de si mesmas sem repouso,
Ôh espelhos, ôh Pireneus! Ôh caiçaras!
Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!*
Tenho boas lembranças das festas juninas. Quando eu era moleque, as festas nas escolas, nos bairros e mesmo algumas particulares eram sempre propícias pra paqueras, além da confraternização geral. Hoje, essa praga de breganejo tomou conta, e a pasteurização gringa mata o que ainda resta de autêntico na nossa caipirice.
Mas, afora saudosismos, o que me chamou a atenção foi uma noticinha que me chegou via alguma newsletter:
Ecad faz campanha para orientar usuários nas festas juninas
O Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) está enviando malas-diretas a escolas públicas e particulares, prefeituras, associações de moradores, igrejas, clubes, entre outros usuários de música.
As malas-diretas fazem parte de uma campanha de esclarecimento sobre a necessidade da autorização prévia para a realização dos eventos juninos, que é feita através de pagamento ao Ecad. O pagamento dos direitos autorais relativos à execução pública das músicas é devido, independentemente da festa ter ou não finalidade de lucro. Neste ano, a campanha do Ecad traz o tema “Correio do Amor”, uma brincadeira típica das festas juninas.
Definitivamente, isso é uma das coisas mais toscas que ilustra como esse povo que ainda defende a propriedade a qualquer custo tá cada vez mais desesperado. Aquela ingênua quermesse que arrecada uma graninha pra uma obra qualquer, a festinha na escola ou o arraiá no sítio só pra juntar os amigos -- a fúria arrecadatória (pra usar um termo batido aplicado a governos municipais, estaduais ou federal) não perdoa ninguém. Basta uma rápida busca pra ver a quantas anda esse negócio.
[o Ecad] É uma instituição privada sem fins lucrativos criada pela Lei nº5.988/73 e mantida pela Lei Federal nº 9.610/98.
[...] Administrado por dez associações de música para realizar a arrecadação e a distribuição de direitos autorais decorrentes da execução pública de músicas nacionais e estrangeiras, permite que o Brasil seja um dos mais avançados países em relação à distribuição de direitos autorais de execução pública musical.
Bom, resta-me rir. Mas é lindo ver todo esse esquemão ruir cada vez mais. Quanto mais desesperados, mais ridículos esses caras ficam. Enquanto isso, a gente fica com a CC, combinado?
Desde que instalei o Ubuntu aqui, vira-e-mexe aparecem alguns perrenguinhos -- era de se esperar, claro, já que este alfarrabista continua a ser um semi-analfabeto digital. Um dos *pobremas* era com relação ao YouTube: nem com reza braba rolava um bideozinho sequer. Mas numa rápida googlada, achei um tutorialzinho-simples-de-tudo: >>Como assistir a vídeos YouTube no Ubuntu Media Player
Aí, sim, consegui conferir o que essa mocinha fez, e que um monte de gente já replicou por aí -- exemplo de produção caseira bacaninha, de qualidade. Ou: como o *artesanato* high tech resgata o verdadeiro espírito artesanal, aquele low tech.
Wow! Parabéns, Maneco, Cris & Cia! Prêmio mais do que merecido -- dez anos de ativismo puro, livre expressão e exemplo de colaborativismo.
NovaE ganha Prêmio Ponto de Mídia Livre
Com a redação da Revista Forum
A revista NovaE foi contemplada com o Prêmio Pontos de Mídia Livre, Categoria Estadual. O resutado foi divulgado esta semana. A premiação chega no ano em que a revista completa 10 anos na Internet. Um reconhecimento ao valor de sua linha editorial e projeto. O MinC selecionou 78 Pontos de Mídia Livre no país.
Foram quase 400 iniciativas inscritas, de todas as regiões brasileiras, com propostas inovadoras e que refletem a evolução da comunicação livre no país. Pouco mais de três meses após o lançamento inédito do edital de Pontos de Mídia Livre, durante o Fórum Social Mundial, em Belém (PA), as secretarias de Cidadania Cultural (SCC) e de Articulação Institucional (SAI) do Ministério da Cultura (MinC) anunciam os vencedores da premiação.
No total, 78 projetos foram contemplados, sendo 15 na categoria Regional/Nacional – com o prêmio de R$ 120 mil cada – e 63 na categoria Local/Estadual – com R$ 40 mil distribuídos individualmente. Os recursos disponibilizados são da ordem de R$ 4,3 milhões.
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