É do jurista Mike Godwin: *Lei das Analogias Nazistas*: *quanto mais se prolonga uma discussão, maior a probabilidade de que nela se faça uma comparação com Hitler e o nazismo*.
Memórias Reveladas - Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil 1964-1985 - iniciativa organizada pelo Arquivo Nacional visando fortalecer esta política pública de acesso à história recente de nosso país, que ao iniciar a integração dos arquivos já disponíveis em instituições públicas e privadas sobre o período da ditadura militar de 1964-1985, contribuirá para a luta pela construção do Nunca Mais em nossa sociedade.
Convidamos também a conhecer o primeiro volume da Série Documentos Históricos organizada pelo Armazém Memória, como contribuição ao Memórias Reveladas, que através de uma proposta multimídia, disponibiliza a 1ª etapa do projeto de digitalização da documentação do projeto Brasil: Nunca Mais.
O Direito à Memória e à Verdade se fortalece com estas iniciativas de integração e acesso universal à nossa história recente, porém se faz necessário o cumprimento da sentença já julgada pela justiça referente ao Araguaia, que determinou às Forças Armadas a abertura dos arquivos do CIE, CENIMAR e CISA sobre o período, para que se esclareçam os fatos dos assassinatos e desaparecimentos forçados em nosso país.
Brasil: Nunca Mais - desenvolvido por Dom Paulo Evaristo Arns, Pastor Jaime Wright e equipe, foi realizado clandestinamente entre 1979 e 1985 durante o período final da ditadura militar, e gerou uma importante documentação sobre a história de nosso país.
Vamos por partes: matéria no Valor, 15/7, é de deixar qualquer um, digamos, meio down:
Milionários empobrecidos dividem iates
Ao preço de 15 milhões de euros (US$ 21 milhões), o iate de luxo de 41 metros Ocean Emerald é um autoagrado a que poucos diretores de bancos e empresários podem se dar o luxo. Por 2 milhões de euros, a posse compartilhada por cinco semanas já é outra história.
A posse parcial de megaiates está aumentando com a queda na riqueza dos milionários. O estaleiro italiano do Ocean Emerald, Rodriquez Cantieri Navali SpA, tem planos de produzir 10 embarcações para um programa de posse compartilhada, dos quais os primeiros três foram vendidos para 20 proprietários, disse Alberto Castagna, diretor da divisão de luxo da empresa.
“A propriedade fracionada faz muito mais sentido no mundo de hoje, uma vez que os bônus são mais baixos e o mundo, de forma geral, se tornou um ambiente muito mais duro”, disse Peter Mallinson, um dos proprietários parciais do Ocean Emerald. (…)
A posse compartilhada poderá conter a desaceleração da indústria de iates de luxo, de 8 bilhões de euros, depois que os diretores de empresas como o Citigroup e o Morgan Stanley perderam seus bônus no ano passado. As vendas de iates com comprimento superior a 24 metros deverão cair 38% nos 12 meses até o fim de agosto ante crescimento médio de 11% nos oito períodos de 12 meses anteriores, segundo preveem analistas do Observatório Náutico da Universidade Tor Vergata de Roma.
Cada um dos proprietários do Ocean Emerald pode reservar até cinco semanas não-consecutivas por ano para cruzeiros no Mediterrâneo ou Caribe. O iate, projetado por Norman Foster, vem com sete tripulantes e interiores da fabricante de móveis italiana Cassina.
“Qualquer pessoa que tem um barco sabe que o problema é que você paga o ano todo e usa o barco muito pouco”, disse, a bordo do iate, o empresário Niccolo Arnaldi, em Londres, que também é um dos proprietários do Ocean Emerald.”
Do lado de cá do Atlântico, o governador Serra, sensibilizado, já toma medidas pra evitar essas dores-de-cabeça dos milionários. Vide matéria na Folha Online, 2/7:
Governo de SP reduz ICMS da indústria náutica de 25% para 7%
O governo do Estado de São Paulo anunciou nesta quinta-feira (2) a redução da alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para indústrias náuticas localizadas em território paulista.
Atualmente, a alíquota aplicada para operações internas de produtos e serviços do setor de embarcações é de 25%. Com a medida de incentivo, o Estado de São Paulo reduz substancialmente o ICMS, que passa a ser de 7%.
"Em um Estado com a importância econômica de São Paulo, com o litoral e portos que nós temos, é muito importante que haja uma correspondência na atividade industrial ligada a essa atividade", afirmou o governador José Serra. Segundo ele, a expectativa do setor é gerar 74 mil postos no país durante o ano, sendo que um terço deles serão em São Paulo.
São Paulo abriga cerca de 80 empresas fabricantes de embarcações, localizadas em vários municípios paulistas, com destaque para Guarujá, Santos e a capital. O setor mantém 10.000 empregos diretos.
[...] Serão beneficiados fabricantes de barcos e iates a vela e a motor e embarcações para competição esportiva classificadas na posição 8903 da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias - Sistema Harmonizado. A medida já esta em vigor, e vale para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de julho deste ano.
É, realmente, sou obrigado a reconhecer que o tucanato, bem antenado, se antecipa às crises e toma medidas enérgicas a fim de garantir o bem-estar dos afortunados. Ora, se o Lula tem o *Minha Casa, Minha Vida*, por que o Serra não lançaria o *Meu Iate, Minha Vida*? Sensibilidade social é isso aí, né não?!?
Sempre tive problemas com a famigerada tabela periódica dos elementos químicos. Agora, eis que fico sabendo pelo Hermê que o elemento 112 ganhou novo nome -- o que era um nome sem-graça, unúmbio (do latim um, um, dois), passa a homenagear Nicolau Copérnico: é Copernício, ou Copernicium. Tá combinado, então: o elemento 112 eu nunca mais vou esquecer...
Spam causa poluição equivalente a 3,1 milhões de carros, diz pesquisa
Os e-mails não desejados (spam) são capazes de gerar uma poluição equivalente à originada por 3,1 milhões de veículos, segundo um estudo elaborado pela empresa de informática McAfee.
O relatório revelou que, em todo o mundo, o envio de spam consome uma energia equivalente a 33 bilhões de quilowatts-horas ao longo de um ano. Esta quantidade também seria suficiente para abastecer 2,4 milhões de casas.
Somos vira-latas, abusamos da gambiarra, estamos sempre prontos pra colaborar com o puxadinho. Se-virismo é com a gente mêsss. Dessa vez, o SLeo que me desculpe, mas faço minhas as palavras dele (lógico que tive que corrigir os erros de digitação do Mestre, que é desleixado que só):
Vira-lata não tem complexo
"Se só tem no Brasil e não é jabuticaba? Boa coisa não é."
[...] "complexo de vira-lata". O vira-lata é antropofágico, mangue beat, tropicalista; ele não quer saber do que pode não dar certo, não tem nada a perder. É confiante, tinhoso, furão, malandro, virador, ousado e safado. É arrogante, desrespeitoso, debochado, É diplomático e esperto; sabe quando deve fingir que cedeu, para arrancar o que quer, e sabe sempre o que quer, não desiste nunca.
Complexo de vira-latas, só se for de superioridade. O vira-lata sabe que propriedade é uma ficção humana, que tudo é uma questão de vigilância e punição, e que quem corre mais rápido deixa o vagaroso para os leões. O vira-lata não vacila, não se rende, não se deixa prender, ele sabe dos caminhos e dos desvios do mundo.
O vira-lata é miscigenado, é multicultural, é plural e complexo. Não é previsível, e é amistoso, quando lhe convém. É simpático, é charmoso, é simples e adorável.
Já o cão de raça é amestrado, domesticado, condicionado. Sabe quem é seu dono, é manhoso e idiossincrático. De saúde frágil, e caráter simplório. Ele é quem tem complexo, de inferioridade, de submissão ao detentor da coleira, da focinheira, do enforcador, do treinador, da feira de cães. É um pobre lacaio, ou segurança, ou serviçal. É bonito, como uma sebe bem aparada. É um animal desanimalizado.
Tenhamos todos complexo de vira-lata. E mordamos sem dó a canela de quem atravessar nosso caminho.
Mas, a propósito, minha irmã tá com uns filhotinhos 100% vira-latas-puro-sangue pra doar -- chegaram sete de uma vez só, meio que sem avisar. Interessados podem entrar em contato com este alfarrabista. Ó só as pecinhas:
*Confesso que em Dourados voltei a sentir medo*, disse a atriz, com referência às portarias da Funai (Fundação Nacional do Índio) que prevê a criação de reservas nas regiões da Grande Dourados e Sul do Estado.
Faço minhas as palavras do Sakamoto, que contextualiza o caso bem melhor, dando números de índios assassinados diante do poder dos pecuaristas:
Atriz global e pecuarista, a dona Regina Duarte disse, em discurso na abertura da 45ª Expoagro, em Dourados (MS), que está solidária com os produtores e lideranças rurais quanto à questão de demarcação de terras indígenas e quilombolas no estado.
[...] *O direito à propriedade é inalienável*, explicou ela, de forma curta, grossa e maravilhosamente elucidativa o que faz do BRASIL um brasil. Em verdade, ela deve estar sentindo medo desde a campanha presidencial de 2002…
[...] Só espero que, na tentativa de apoiar a causa, ela não resolva levar isso para a tela da TV, em um épico sobre a conquista do Oeste brasileiro, nos quais os brancos civilizados finalmente livram as terras dos selvagens pagãos.
Se alguém se interessar, pode conferir a brilhante biografia da dona Regina.
E, sim, é esse mesmo *medo* que (des)constrói e fragmenta nosso já frágil sentimento de pertencimento a uma sociedade. Definitivamente, tô fora!
Esse é o nome -- o ministro que peitou o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, o mesmo GM que tá *destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro*.
*Vossa Excelência não está falando com seus capangas do Mato Grosso*
Momento jabá-família: o Cacá sacou uma notinha lá da Monica Bergamo.
*Adoro essas pessoas pitorescas*, diz a princesa Paola de Orleans e Bragança na direção de uma moradora de rua que também investiu na sobreposição: calça comprida preta, saia verde abacate por cima, cardigã tijolo oversize escorregando no ombro, sandália Havaiana com meia branca.
Se alguém quiser conferir o resto do show de futilidades, tá na Ilustrada de hoje. Mas, como contraponto, o Marcelo sacou da cartola um texto dele mesmo, de dez anos atrás. Segue aí:
Lirismo e cinismo
Não bastassem a ingerência, os desmandos, a corrupção, o jogo de interesses etc. etc. por parte dos nossos governantes e autoridades, ainda temos de suportar declarações cínicas e irônicas desses indivíduos sobre a realidade social do país.
Agora foi a vez do senhor Rafael Greca, ministro dos Esportes e do Turismo, na sua embriaguez ministerial, dizer que nossos mendigos são figuras "líricas".
Muitas já foram as sugestões práticas e imediatas que alguns alucinados deram para acabar com a miséria no Brasil, como construir muros altos em torno das favelas, isolando-as; dizimar os pobres, eliminando-os da convivência sadia dos abastados; ignorá-los, simplesmente. Mas esta, com certeza, é a melhor: romancear a realidade e ver poesia nos olhos da criança subnutrida que pede um trocado no semáforo. Isso, além de não nos custar nada, ainda poderá nos proporcionar emoções com a beleza lírica dos Carlitos e seus garotos, tornando nosso dia-a-dia menos pesado.
Mas, para essa idéia vingar, todos nós, amantes da arte pura, temos uma missão: não podemos deixar que nenhum pessimista e catastrofista venha avisar ao senhor ministro que nossos mendigos não estão fantasiados e, muito menos, são atores mambembes fazendo arte livre pelas ruas.
Sabe quem é Frederico Meyer? Se for pro Cazaquistão, procure por ele lá -- é o nosso embaixador brasileiro, que agora também responde por nós no Turcomenistão e no Quirguistão. E sabe que dia 13 é o 186º aniversário da Batalha de Jenipapo?
Descubro essas pérolas no Uol, que mostra que a *produtividade* do Senado vai muito além da escolha do Collor. Nosso ilustres senadores aprovaram o nome do Meyer e vão promover uma sessão solene pro Jenipapo. Leis? Nem uminha este ano...
Quanto ao titulinho do post, em vez de *Senatus Populusque Romanus*, fiquemos com a tradução by Asterix: *Sono Pazzi Questi Romani*.
De novo, a Folha de S.Paulo. Risível, pra dizer o mínimo, o artigo encomendado (sim, en-co-men-da-do!) ao professor Marco Antonio Villa, publicado hoje (pros sem-Folha, copio a seguir na íntegra). Numa tentativa patética de tentar minimizar a idiotice cometida pela Folha de chamar a ditadura de ditabranda, ele exalta as *conquistas* obtidas durante o regime militar. Além de bater naquela tecla saudosista dos milicos-de-pijama de que *naqueles tempos a economia crescia, éramos felizes*, ele tenta elencar a agitação cultural da época como fruto do próprio regime. Sim, mas ele só se esqueceu de dizer que foram frutos dolorosos da resistência, encarando a censura e a repressão e a tortura de frente. Há mais, e mesmo com a pífia tentantiva de citar por alto a repressão e o desenvolvimento econômico descontrolado, não consegui engolir.
Não sei quem foi o infeliz que encomendou o texto, ou se mais infeliz foi o professor acatar.
Segundo clichê: sobre o causo, simplesmente imperdível, genial mesmo, a carta da *Susan* ao Gaspari, lá no Hipopótamo Zeno (que também copio a seguir, antes mesmo do artigo da Folha):
Lembra do Claudio? Em pé naquele aquariozinho dizendo a quem quisesse ouvir: "Nós aqui emprestando dignidade a esses sujeitos, que se não fosse por nós não envergariam nem paletó". Abramo era, sobretudo, um sujeito elegante. Aqueles tempos também eram.
Peraí! Como se não bastasse a Folha de S.Paulo cometer o crime de chamar o perído 1964-85 no Brasil de *ditabranda* (muita gente bem mais gabaritada já comentou por aí), alguém, pelo-amor-de-Deus, me diga que esse cara tá de sacanagem. Confiram o que o João Pereira Coutinho cometeu hoje, em artigo na Folha, sob o singelo título *O capitalismo é simpático*:
[...] existe uma segunda virtude normalmente esquecida: o capitalismo, longe de enfraquecer os "sentimentos" morais que ligam os homens aos seus semelhantes, é a condição primeira para que esses "sentimentos" se realizem de forma prática, e não apenas "sentimental". O livre comércio permite a riqueza das nações; e só pode existir "compaixão" pelos mais pobres quando existe riqueza que nos permita não apenas chorar por eles, mas elevá-los a um estádio tolerável de existência.
[...] O capitalismo não permite apenas a criação de riqueza; como se vê em qualquer sociedade ocidental, é precisamente porque existe riqueza criada que é possível "redistribuir", combatendo a miséria extrema. Quando não existe riqueza criada, não existe espaço para nenhuma "benevolência" ou "simpatia".
Pra quem tiver estômago, copio a seguir a íntegra do *artigo* dessa versão diogomainardística d'além-mar (aliás, o que é que esse gajo tá fazendo aqui? Que rascunhe suas besteiras por lá, caramba! -- nada contra os portugueses, por favor, vide a minha querida Dulce.
P.S.: em tempo: como informa o Idelber, cresce a mobilização para o ato público deste sábado, dia 7, às 10 da manhã, em frente ao prédio da Folha -- alameda Barão de Limeira, 425. Trata-se de uma concentração popular em protesto contra o insulto à memória das vítimas da ditadura militar no editorial da Folha do dia 17 passado e em solidariedade com os professores Fabio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides, insultados pelo jornal. E fica aqui o cartum do Latuff -- triste, mas é o que a Folha nos proporciona:
Confesso que não me lembro quando foi a última vez que folheei, no máximo, uma edição da veja. Essa semana, no entanto, me rendi e li toda a entrevista do senador Jarbas Vasconcelos, já comentada a torto e a direito por aí. No trecho principal, respondendo à pergunta *Para que o PMDB quer cargos?*, o senador disparou:
Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.
Na outra ponta, a metralhadora não perdoa:
O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.
Fiquei ruminando aqui como comentar essas e outras falas bombásticas. Mas acabei encontrando o que queria no blog do Alon Feuerwerker. Resumiu brilhantemente o que eu penso:
O tantinho e o tantão No Brasil, dinheiro público dado ao rico significa modernidade. Quando é dado para o pobre, representa atraso e clientelismo.
[...] A oposição já perdeu uma eleição presidencial por não saber defender suas privatizações junto ao eleitor. Agora, a julgar pelo discurso articulado do senador pernambucano, arrisca-se a naufragar diante da acusação de que, se vencer em 2010, vai acabar com o Bolsa Família. A oposição nunca soube mesmo lidar com as políticas sociais de Lula. Azar dela.
Para quem precisa desesperadamente conquistar votos entre os mais pobres e no Nordeste, a oposição está começando a campanha eleitoral com o pé direito. Isso foi uma ironia. Ou, se quiserem, um trocadilho.
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