(Só pra não dizer que não falei da Copa: ainda não sei bem o que senti logo após o jogo Brasil e Holanda, vendo todo mundo retirar dos carros as bandeirinhas do Brasil. Fodam-se Dunga & cia., tô pouco me lixando, mas esse patriotismo besta de quatro em quatro anos realmente..., sei lá, ...é escroto (ok, não tô sendo nem um pouco original, mas xapralá).)
Bom, voltemos ao que interessa. Dica bacana da camarada Fabs, da revista Bula, sobre o filme do Marcos Prado:
Estamira é uma mulher do povo, catadora em um dos lixões da Baixada fluminense. Dizem que é doida de pedra, mas é de uma lucidez delirante, tem um discurso apocalíptico, o que teria um Nietzsche antes de mergulhar na escuridão, ou de um Glauber Rocha, na fase em que anunciou ao universo ser o General Golbery do Couto e Silva um gênio da raça, ou um Geraldo Vandré, ao propor uma santa como padroeira do Exército.
Mire e veja: louco talvez seja quem assim a diz — e não é feliz. Estamira jura de pés juntos que é melhor não ser um normal, normoticamente encaixotado na vidinha hipócrita e trivial do burguês com 90% de cifras na alma enferrujada.
Pouco e malmente esquentou bancos de escola. Menos ainda leu Clarice Lispector, nem sabe quem ela foi — nem é afeita à leitura de livros, menos ainda tem rompantes de ser leitora ou poetisa. Contudo, uma poesia alucinada brota, em cascata, por sua boca sempre sorridente, a não ser quando fica brava com a humanidade, e dana a lançar faíscas, estalos de Vieira, em frases cortantes como navalha.
Coerência em sua fala catártica e apoplética quase não há — mas perguntar não ofende, lógica e acessibilidade à mente cartesiana e superficial também não existe nas obras de James Joyce, de Clarice Lispector, de Guimarães Rosa, Sousândrade, e de certos poetas vanguardistas? Como no discurso viperino, lançado às escuta impossível da cidade vertiginosa, repleto de indignação e raiva, que proferiu no lixão, diante de cineastas que a filmavam: “Existe a lucidez e a ilucidez. A gente aprende alguma coisa de tanto lucidar”.
Mais algumas infos, e liberado em Creative Commons, aqui:
ESTAMIRA é a história de uma mulher de 63 anos que sofre de distúrbios mentais e que durante 20 anos viveu e trabalhou no aterro sanitário de Jardim Gramacho. Carismática e maternal, Dona ESTAMIRA convive com um pequeno grupo de catadores idosos num local renegado pela sociedade, que recebe diariamente mais de oito mil toneladas de lixo produzido no Rio de Janeiro.
Vencedor de 33 prêmios nacionais e internacionais nos principais festivais de cinema, sucesso absoluto de critica e documentário de maior público nos cinemas brasileiros em 2006, ESTAMIRA levanta questões de interesse global como o destino do lixo produzido pelos habitantes de uma metrópole e os subterfúgios que a mente humana encontra para superar uma realidade insuportável de ser vivida. Dona ESTAMIRA vive em função de sua missão: "revelar e cobrar a verdade dos homens". Do lixo da civilização ela supera sua condição miserável e coloca em questão valores fundamentais, muitas vezes esquecidos pela sociedade.
Por conta da vaidade de dois senadores tucanos, com aval do líder do PSDB, Arthur Virgilio, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos foi, mais uma vez, engavetado -- pelo menos temporariamente. Ontem o PNRS deveria ter sido votado, mas aí os senadores Cícero Lucena e Flexa Ribeiro fizeram nhenhenhém por não integrarem as comissões. O @Sérgio Abranches conta tudo como foi pro Heródoto, na CBN.
Copy&paste é fácil e barato. Mas, às vezes, é necessário e justo -- talvez até nobre, como no caso deste que cometo agora. Tenho o feed da Subversiva no GReader, e o Jampa me faz o favor de reforçar e tuitar o caso. Não tenho muito o que falar; o post da Subversiva diz tudo. Só reafirmo que é mais um exemplo de que a *justiça*, bem como outras instituições, muitas vezes só atrapalha. Subverter é preciso. Segue o post -- sim, é longo, mas vale cada palavra.
Aos leitores do Eneaotil, nunca pedi nada por aqui. Mas gostaria de fazer um barulho em relação a essa história. Peço que leiam até o final e que divulguem. Que contem a seus amigos jornalistas, que enviem esta história para os jornais, que relatem tudo o que eu contei aqui hoje, na mesa do jantar. Que compartilhem este escândalo no Google Reader, no Twitter, em listas de discussões. Que ajudem. Porque todo mundo aqui teve a oportunidade de ter uma família e sabe o quanto isto foi importante.
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O casamento da Claudinha e do Pablo
Conheci a Família Santa Clara no casamento da Claudinha e do Pablo, em 2006, quando fui até o Rio de Janeiro para prestigiar a boda dos amigos e passar uns dias com meu irmão. Nunca tinha ido a um casamento daqueles, com uma família tão grande. Tão grande que não tinha espaço no altar montado na sala da casa para todos os padrinhos. Nem espaço para todos os amigos, primos, irmãos, tios, tias acompanharem a cerimônia sentados.
É melhor explicar tudo do começo: o Pablo é filho do Seu Cícero e da Dona Eliete, casal que, apesar do sobrenome Soares de Castro Rosa, criou a Família Santa Clara. Fazem parte desta família, além dos três já citados anteriormente e de Claudinha que se juntou a todos em 2006, Thiago e Diogo, filhos de sangue de Seu Cícero e da Dona Eliete, e outras dezenas de crianças, adolescentes e jovens que a sociedade abandonou, renegou, nem quis saber.
É isso mesmo: além de ter três filhos de sangue, Dona Eliete e Seu Cícero resolveram cuidar de gente que vinha das ruas, que tinha sido abandonada pela família biológica, órfãos e todos os outros tipos de vulnerabilidade social que se pode imaginar.
Desde que a Santa Clara surgiu mais de 1000 pessoas já fizeram parte desta família, cresceram e se desenvolveram naquela casa gigante de Vargem Grande, no Rio. Foram incluídos na sociedade, receberam estudo, proteção e, sobretudo, amor. Alguns saíram dali direto para uma Universidade, um futuro que parecia impossível. Outros saíram dali para construir sua própria família. E só pode ter sua própria família quem sabe o que significa ter uma.
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No casamento de 2006, entendi que ali não era um simples abrigo. Eu, que trabalho com educação e projetos sociais há 10 anos, vi que o clima era mesmo diferente. Não era uma associação, um abrigo frio onde crianças e adolescentes esperavam uma adoção, um lugar simplesmente provisório onde se podia sonhar com uma vida melhor. O sonho era ali, acontecia todos os dias.
Ter uma família significa muito mais do que ter oportunidade de cursar uma faculdade, de fazer uma oficina de costura, de dança, de leitura e produção de textos, de agricultura, de informática e de artesanato, como a maioria dos projetos sociais oferece por aí (e, diga-se de passagem, a Santa Clara oferece também).
Ter uma família é poder assistir à novela junto antes de dormir, sentar à mesa para comer e contar como foi o dia, esfolar os joelhos e receber um beijo da mãe para sarar, tomar bronca do pai quando comeu o biscoito antes da refeição e perdeu a fome. É brincar com o cachorro, correr no quintal, sentar com as irmãs na cama para fazer fofoca, receber visita dos tios no fim de semana, ouvir música que a maioria gosta (ou que só você gosta). É aprender com os pais a ter senso crítico, a ter responsabilidades. É ficar de castigo quando foi para a Diretoria na escola, é ter alguém para ir à reunião de pais e mestres pegar as suas notas. É alguém te chamar pelo nome, é ter um nome e um sobrenome. É poder ir ao casamento do seu irmão sem mesmo precisar ter o mesmo sangue.
Todos eles estavam no casamento, centenas de pessoas. Todas as crianças de vestido, bem arrumadas, bem penteadas. Talvez a única oportunidade que tenham tido para ir a um casamento.
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Conheci William Prudêncio durante a cerimônia. Lindo, com a mesma idade que eu. Em 2006, tínhamos 23 anos e ele morava na Família Santa Clara desde 1998. Chegou lá aos 15 anos, transferido de outra instituição onde só se podia ficar até esta idade.
Sua mãe está viva, mas William não sabe dela. Deixou-o ainda pequeno com uma senhora que faleceu quando ele tinha 8 anos de idade. A idade que o Lucas tem hoje. E dos 8 aos 13 morou no morro, na favela e em outras comunidades. Até morar na rua.
Aí, aos 13 anos, pediu ajuda em uma instituição, onde só pode ficar até os 15 e depois foi para a Santa Clara. Até os 13 anos, nunca tinha sentado em uma sala de aula. Depois começou a freqüentar a escola. E quando foi para a Santa Clara, ganhou uma família. A influência de Seu Cícero e Dona Eliete, pessoas simples, mas cultas, fizeram com que William decolasse.
Hoje, aos 27 anos, já é economista formado e este ano conseguirá a graduação no curso de Relações Internacionais.
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Voltei para visitar a família Santa Clara em julho de 2008. Conheci a tradicional festa junina (em 2008 foi julina), gigante também, do tamanho daquela família. As crianças brincavam à vontade na barraca (assim como meu filho Lucas), dançaram quadrilha, se divertiram. Uma grande fogueira queimava no canto da festa. A casa estava toda enfeitava.
Me lembro que eu estava em uma fase difícil. Tinha terminado um namoro de uma maneira sofrida, fui para distrair a cabeça. E só ali eu consegui. Não por causa do velho papo de que a gente esquece os nossos problemas quando conhece alguém em situação pior, pelo contrário. Eu não acredito nisso. A gente só esquece os nossos problemas do lado de gente feliz. E era ali onde eu estava: do lado de gente muito feliz.
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Nesta semana, a Justiça foi até a Família Santa Clara e levou todas as crianças. Alegaram que a casa era inabitável e que aquele não era um ambiente bom para morarem. Uma bagunça ou outra, talvez, o que é normal em uma casa com bastante criança. Tenho medo de receber uma visita de um promotor público porque é capaz de levarem o Lucas embora já que ao entrar no meu apartamento é possível tropeçar em uma porção de brinquedos. O Lucas é bagunceiro. Isso não significa que a casa dele, junto da família dele, não é um ambiente bom para ele morar.
O Ministério Público alegou que a casa precisava de reformas, mas não havia dinheiro para tais reformas já que a Família Santa Clara funcionava da boa vontade de instituições e pessoas parceiras. Ninguém cuidava de crianças ali para gerar renda, para trabalho infantil, para produzir retorno financeiro. Só havia gastos, grandes gastos e nenhum incentivo público. Em 2006, o principal apoiador financeiro deixou de contribuir com a Santa Clara e eles passavam por dificuldades. Ao invés de apoiar com o pouco necessário, o poder público resolveu enterrar a família de vez. Tirou os filhos do convívio de seus pais, afastou irmãos do convívio de irmãos.
As crianças e os adolescentes menores de idade foram mandados para abrigos diferentes, em diversas regiões da cidade. E foram afastados das escolas por 10 meses, já que estavam matriculados em unidades escolares ali da região de Vargem Grande. Só poderão voltar a freqüentar as aulas no ano que vem.
Não entendo como isso pode ser melhor do que estar na Família Santa Clara. Não compreendo leis que determinam que os abrigos devem ser provisórios, por exemplo. A nova lei da adoção diz que a criança deve ficar no máximo dois anos. E depois? O que acontece se essas crianças não forem adotadas por uma família?
Tiraram crianças de 07 a 16 anos da Família Santa Clara. Quem adota um adolescente de 12 anos? 14 anos? 16 anos? O pior é a gente saber que tiraram essas crianças da única família que tiveram para mandar para família nenhuma.
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Abaixo, a lista de crianças e adolescentes que foram retirados da Família Santa Clara:
W. tem 7 anos e é o mais novo. Estudava no Colégio Vargem Grande, que é particular. É irmão de U., de 8 anos, e N., de 13 anos. Estavam na casa há 5 anos aproximadamente. Não tinham nenhuma referência familiar. W. chorou a noite toda no novo abrigo e ainda não entendeu o que está acontecendo.
L. tem 9 anos e é irmã da menina G., de 10 anos e do adolescente G., de 15 anos. Estão na Família Santa Clara desde muito pequenos, as meninas desde bebê. A mãe faleceu e as duas estão começando a aceitar isso só agora, depois de muito acompanhamento psicológico e colo da Dona Eliete e Seu Cícero.
As meninas foram separadas do irmão, que foi enviado para outro abrigo.
L. tem 14 anos e é irmão de C., de 13 anos. Estão na família Santa Clara há 5 anos. Não tinham nenhuma referência familiar.
A. tem 13 anos e é irmão de A., de 9 anos. Os dois tem pai biológico, mas são visitados por ele no máximo uma vez ao ano.
A. tem 8 anos e é irmã de J., de 10 anos e do adolescente J., de 13 anos. Os três tem mãe, mas ela os mandou para a Santa Clara por diversos motivos. As meninas foram separadas do irmão e mandadas para abrigos diferentes.
A adolescente A. é a mais velha de todos os que foram separados da família Santa Clara pelo Ministério Público. Ela tem 16 anos e é órfã.
Capa da *Falha* de S.Paulo de hoje. À esquerda, a versão eletrônica e, à direita, uma montagenzinha tosca que fiz direto no Gimp [a montagem fica explícita no espaçamento entreletras, no final da primeira linha].
A diferença é uma *simples* vírgula, certo? Mas, em uma e em outra, quem critica o quê, mesmo? Vamos lá (ó, sem ajuda do Pasquale):
- na primeira, Serra critica *roubalheira* e Dilma critica *viúvos da estagnação*, certinho. A segunda vírgula indica a elipse do verbo *criticar*, sem a necessidade de repeti-lo.
- na segunda, Serra critica *roubalheira* e *Dilma*, e esses dois elementos se transformam em *viúvos da estagnação*.
Bacana a sutileza, né?
Mas, vamos ao ponto. Escolha a alternativa:
a. ( ) teoria da conspiração
b. ( ) exercício de interpretação de quem não tem o que fazer
c. ( ) descuido do redator
d. ( ) mensagem (nem tão) subliminar com intuito de fazer propaganda do Serra
e. ( ) demonstração de esperteza do PIG (pra quem não conhece, Partido da Imprensa Golpista)
O fato, porém: é verdade. A versão impressa que me chegou às mãos hoje, *ingenuamente* incorreu em uma, ou todas, as alternativas acima. A seguir, a versão impressa, devidamente escaneada:
Tirem suas conclusões.
P.S.: enviei e-mail ao Ombudsman da Folha -- se ele responder, replico aqui.
Segundo clichê: chegou uma resposta do ombudsman -- quero dizer, isso tá mais pra uma resposta automática. Mas aí vai:
Caro Sr. Paulo,
agradecemos sua manifestação, levada ao conhecimento da direção da Folha. Informamos que o ombudsman está em férias.
Hoje tem um brinde especial, ainda que tristíssimo, com os copoanheiros com quem formo o trio Los Tres Amigos: Adautón & Evandrón. Como resumiu meu irmão, *luto em Marisales. Una mano a Angel Villa, Laerton, Adão y Miguelitos!*
Mas, mais uma vez, é a estupidez da violência empobrecendo e entristecendo esse nosso mundão...
Los Três Amigos, ou: *seis mãos bobas*, mistureba de referências absolutamente politicamente incorretas, sacaneando principalmente com Chevy Chase, Steve Martin e Martin Short.
Junte ignorância, tosquice, mentes retrógradas e uma boa dose de falta-do-que-fazer. Como eu já disse, e repito, não subestimemos a capacidade do ser humano em cometer besteiras: dessa vez, a *vítima* foi Katia Rubio, da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE-USP), que quase viu seu livro *Esporte, Educação e Valores Olímpicos* (São Paulo: Casa do Psicólogo, 2009) ter que ser recolhido por causa dos arcaicos DRMs. Em carta à professora, o vice-presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), André Richer, avisou:
[... ] de acordo com a Lei 9.615/1998 (Lei Pelé), os termos “olímpico”, “Olimpíada”, “Jogos Olímpicos” e suas variações “são de uso privativo do COB em território brasileiro”; que o símbolo dos Jogos Olímpicos, cinco aros entrelaçados, é registrado mundialmente em nome do Comitê Olímpíco Internacional (COI) [...]
Mas, bonzinhos como são, os caras do COB deram pra trás e resolveram *autorizar* a publicação... (e eu aqui, será que posso usar os termos e símbolos?)
É do jurista Mike Godwin: *Lei das Analogias Nazistas*: *quanto mais se prolonga uma discussão, maior a probabilidade de que nela se faça uma comparação com Hitler e o nazismo*.
Memórias Reveladas - Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil 1964-1985 - iniciativa organizada pelo Arquivo Nacional visando fortalecer esta política pública de acesso à história recente de nosso país, que ao iniciar a integração dos arquivos já disponíveis em instituições públicas e privadas sobre o período da ditadura militar de 1964-1985, contribuirá para a luta pela construção do Nunca Mais em nossa sociedade.
Convidamos também a conhecer o primeiro volume da Série Documentos Históricos organizada pelo Armazém Memória, como contribuição ao Memórias Reveladas, que através de uma proposta multimídia, disponibiliza a 1ª etapa do projeto de digitalização da documentação do projeto Brasil: Nunca Mais.
O Direito à Memória e à Verdade se fortalece com estas iniciativas de integração e acesso universal à nossa história recente, porém se faz necessário o cumprimento da sentença já julgada pela justiça referente ao Araguaia, que determinou às Forças Armadas a abertura dos arquivos do CIE, CENIMAR e CISA sobre o período, para que se esclareçam os fatos dos assassinatos e desaparecimentos forçados em nosso país.
Brasil: Nunca Mais - desenvolvido por Dom Paulo Evaristo Arns, Pastor Jaime Wright e equipe, foi realizado clandestinamente entre 1979 e 1985 durante o período final da ditadura militar, e gerou uma importante documentação sobre a história de nosso país.
Vamos por partes: matéria no Valor, 15/7, é de deixar qualquer um, digamos, meio down:
Milionários empobrecidos dividem iates
Ao preço de 15 milhões de euros (US$ 21 milhões), o iate de luxo de 41 metros Ocean Emerald é um autoagrado a que poucos diretores de bancos e empresários podem se dar o luxo. Por 2 milhões de euros, a posse compartilhada por cinco semanas já é outra história.
A posse parcial de megaiates está aumentando com a queda na riqueza dos milionários. O estaleiro italiano do Ocean Emerald, Rodriquez Cantieri Navali SpA, tem planos de produzir 10 embarcações para um programa de posse compartilhada, dos quais os primeiros três foram vendidos para 20 proprietários, disse Alberto Castagna, diretor da divisão de luxo da empresa.
“A propriedade fracionada faz muito mais sentido no mundo de hoje, uma vez que os bônus são mais baixos e o mundo, de forma geral, se tornou um ambiente muito mais duro”, disse Peter Mallinson, um dos proprietários parciais do Ocean Emerald. (…)
A posse compartilhada poderá conter a desaceleração da indústria de iates de luxo, de 8 bilhões de euros, depois que os diretores de empresas como o Citigroup e o Morgan Stanley perderam seus bônus no ano passado. As vendas de iates com comprimento superior a 24 metros deverão cair 38% nos 12 meses até o fim de agosto ante crescimento médio de 11% nos oito períodos de 12 meses anteriores, segundo preveem analistas do Observatório Náutico da Universidade Tor Vergata de Roma.
Cada um dos proprietários do Ocean Emerald pode reservar até cinco semanas não-consecutivas por ano para cruzeiros no Mediterrâneo ou Caribe. O iate, projetado por Norman Foster, vem com sete tripulantes e interiores da fabricante de móveis italiana Cassina.
“Qualquer pessoa que tem um barco sabe que o problema é que você paga o ano todo e usa o barco muito pouco”, disse, a bordo do iate, o empresário Niccolo Arnaldi, em Londres, que também é um dos proprietários do Ocean Emerald.”
Do lado de cá do Atlântico, o governador Serra, sensibilizado, já toma medidas pra evitar essas dores-de-cabeça dos milionários. Vide matéria na Folha Online, 2/7:
Governo de SP reduz ICMS da indústria náutica de 25% para 7%
O governo do Estado de São Paulo anunciou nesta quinta-feira (2) a redução da alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para indústrias náuticas localizadas em território paulista.
Atualmente, a alíquota aplicada para operações internas de produtos e serviços do setor de embarcações é de 25%. Com a medida de incentivo, o Estado de São Paulo reduz substancialmente o ICMS, que passa a ser de 7%.
"Em um Estado com a importância econômica de São Paulo, com o litoral e portos que nós temos, é muito importante que haja uma correspondência na atividade industrial ligada a essa atividade", afirmou o governador José Serra. Segundo ele, a expectativa do setor é gerar 74 mil postos no país durante o ano, sendo que um terço deles serão em São Paulo.
São Paulo abriga cerca de 80 empresas fabricantes de embarcações, localizadas em vários municípios paulistas, com destaque para Guarujá, Santos e a capital. O setor mantém 10.000 empregos diretos.
[...] Serão beneficiados fabricantes de barcos e iates a vela e a motor e embarcações para competição esportiva classificadas na posição 8903 da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias - Sistema Harmonizado. A medida já esta em vigor, e vale para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de julho deste ano.
É, realmente, sou obrigado a reconhecer que o tucanato, bem antenado, se antecipa às crises e toma medidas enérgicas a fim de garantir o bem-estar dos afortunados. Ora, se o Lula tem o *Minha Casa, Minha Vida*, por que o Serra não lançaria o *Meu Iate, Minha Vida*? Sensibilidade social é isso aí, né não?!?
Sempre tive problemas com a famigerada tabela periódica dos elementos químicos. Agora, eis que fico sabendo pelo Hermê que o elemento 112 ganhou novo nome -- o que era um nome sem-graça, unúmbio (do latim um, um, dois), passa a homenagear Nicolau Copérnico: é Copernício, ou Copernicium. Tá combinado, então: o elemento 112 eu nunca mais vou esquecer...
Spam causa poluição equivalente a 3,1 milhões de carros, diz pesquisa
Os e-mails não desejados (spam) são capazes de gerar uma poluição equivalente à originada por 3,1 milhões de veículos, segundo um estudo elaborado pela empresa de informática McAfee.
O relatório revelou que, em todo o mundo, o envio de spam consome uma energia equivalente a 33 bilhões de quilowatts-horas ao longo de um ano. Esta quantidade também seria suficiente para abastecer 2,4 milhões de casas.
Somos vira-latas, abusamos da gambiarra, estamos sempre prontos pra colaborar com o puxadinho. Se-virismo é com a gente mêsss. Dessa vez, o SLeo que me desculpe, mas faço minhas as palavras dele (lógico que tive que corrigir os erros de digitação do Mestre, que é desleixado que só):
Vira-lata não tem complexo
"Se só tem no Brasil e não é jabuticaba? Boa coisa não é."
[...] "complexo de vira-lata". O vira-lata é antropofágico, mangue beat, tropicalista; ele não quer saber do que pode não dar certo, não tem nada a perder. É confiante, tinhoso, furão, malandro, virador, ousado e safado. É arrogante, desrespeitoso, debochado, É diplomático e esperto; sabe quando deve fingir que cedeu, para arrancar o que quer, e sabe sempre o que quer, não desiste nunca.
Complexo de vira-latas, só se for de superioridade. O vira-lata sabe que propriedade é uma ficção humana, que tudo é uma questão de vigilância e punição, e que quem corre mais rápido deixa o vagaroso para os leões. O vira-lata não vacila, não se rende, não se deixa prender, ele sabe dos caminhos e dos desvios do mundo.
O vira-lata é miscigenado, é multicultural, é plural e complexo. Não é previsível, e é amistoso, quando lhe convém. É simpático, é charmoso, é simples e adorável.
Já o cão de raça é amestrado, domesticado, condicionado. Sabe quem é seu dono, é manhoso e idiossincrático. De saúde frágil, e caráter simplório. Ele é quem tem complexo, de inferioridade, de submissão ao detentor da coleira, da focinheira, do enforcador, do treinador, da feira de cães. É um pobre lacaio, ou segurança, ou serviçal. É bonito, como uma sebe bem aparada. É um animal desanimalizado.
Tenhamos todos complexo de vira-lata. E mordamos sem dó a canela de quem atravessar nosso caminho.
Mas, a propósito, minha irmã tá com uns filhotinhos 100% vira-latas-puro-sangue pra doar -- chegaram sete de uma vez só, meio que sem avisar. Interessados podem entrar em contato com este alfarrabista. Ó só as pecinhas:
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