08.09.2010

:: Lua ::

Lua - foto: Mega Barros
Foto: Mega Barros, meu camarada
que tá lá na Lua (ou por aí...)
Meu olhar pra Lua é uma incógnita. Tento decifrar o que ela quer me dizer, mas confesso minha incapacidade. Há uma lucidez e um brilho e um carinho tão grandes que me fogem à razão. Tão clara, a Lua parece me dizer que é tudo, sim, tão claro, mas a gente insiste em complicar as coisas. Ficamos tão preocupados com o lado negro da Lua – é só o outro lado -- que nos esquecemos de ver o brilho real que nos ilumina.
A Lua nasceu pra mexer com nossa imaginação. É praticamente inatingível; serve mais aos poetas e às marés, menos aos astrônomos. Se não existisse, seria de bom tom inventá-la: ela traz a mensagem de que, aparentemente impassível, tem o dom de silenciosamente perturbar a todos. Do alto, ela se ri da nossa incompetência e arrogância.
A Lua é uma metáfora. Mas é real: minha cachorrinha se chama Lua. Todos os dias, ela me brinda com uma alegria e um carinho imensuráveis. E um olhar que, invariavelmente, me pergunta: “por que essa aflição e essa ansiedade?” O mesmo olhar que, me parece, tem a resposta, mas que não consigo interpretar -– e é a mesma pergunta que a Lua, o satélite, talvez me faça todo dia, questionando minha insignificância. Ou toda noite, com toda a placidez e lucidez, quase que rindo dessa minha cegueira. Sei lá, talvez a gente só precise (saber) ver o luar.
Por Paulo Bicarato, às 03:52 de 08.09.2010 - 1 já comentou aqui
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21.05.2010

:: Alta Periculosidade ::

Laerte, genial! (ô, redundância...)

Laerte
Por Paulo Bicarato, às 14:24 de 21.05.2010 - 2 comentários
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24.03.2010

:: Da Incompletude da Riqueza (ou vice-versa) ::

Manoel de Barros
*Eu queria usar palavras
de ave para escrever*
Foto: Jonne Roriz/AE
Manoel de Barros, 93 anos:
*A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado*
-- Retrato do Artista Quando Coisa, 1998
Por Paulo Bicarato, às 13:51 de 24.03.2010 - 1 já comentou aqui
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16.03.2010

:: Duende: Media et Circensis ::

Em meio a reações apaixonadas, apologia à violência-contra-a-violência e legítimas manifestações de pesar, o assassinato do Glauco e do filho dele, Raoni, evidenciou (mais uma vez) aquela faceta inglória dessa minha profissão de jornalista: a busca por bodes expiatórios, mesclada à desinformação e ao simplismo. Dessa vez, o Santo Daime, religião da qual o Glauco era mais do que seguidor ou adepto, era um líder, foi eleito o bode expiatório. Com propriedade e lucidez, o Duende fez algumas considerações que corroboro. Seguem uns trechos:
Media et Circensis

[...] a busca por explicações fáceis e bodes expiatórios vai além das necessidades mercadológicas dos jornais. Ela tange também a nossa necessidade de olhar para o outro lado quando nos deparamos com a complexidade humana. Ninguém quer ver que somos complicados e imprevisíveis. Ninguém quer ver que gente como a gente pode matar gente como a gente. Prefere-se encontrar um motivo fácil, seja ele a loucura (que para muitos é o rótulo perfeito para colocar uma distância entre “eu” e “ele”) ou a tradição religiosa pouco conhecida seguida por vítima e algoz. Aliás, para quem não sabe, para muitos o Santo Daime é uma religião difícil de seguir, justamente porque o chá nos faz confrontar sem grandes escapatórias às complexidades de nossa condição humana. Uma grande ironia, principalmente quando se vê tanta gente ignorante tuitando piadas sobre “tomar um copo de Daime”.

[...] O Daime é esquisito para o cidadão-médio-que-finge-que-é-cristão-e-direito, e por isso se alguém ligado ao Daime foi morto por outra pessoa ligada às religiões ayahuasqueras, então a culpa deve ser do chá. Tão simples que até um peixinho beta poderia pensar assim, e olha que eles não são muito brilhantes.

É por essas e por outras que eu digo “ê povinho bunda esse pessoal que acredita nos jornais!”. Quer uma dica? Se não quer saber a respeito do mundo que te cerca, ao menos assuma sua ignorância em vez de vomitar verdades enlatadas consumidas ali na esquina. Somos todos ignorantes em algumas coisas, mas alguns de nós tem o grave defeito de ignorar a própria ignorância.

[Íntegra, aqui]
Por Paulo Bicarato, às 14:06 de 16.03.2010 - 1 já comentou aqui
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10.02.2010

:: Sem Medo do Futuro ::

Este Alfarrábio, que nunca foi pautado por nada em especial -- ou melhor, por tudo o que, de alguma maneira, me chame a atenção --, abre espaço pra replicar um texto que comenta o artigo que pauta a semana: o do FHC no Estadão de domingo. Enquanto o Serra tá p* da vida com o FHC -- com amigos assim, quem precisa de inimigos? --, o texto do ex-presidente veio quase como um presente pros 30 anos do PT (me lembrou, aliás, aquela medrosa-de-plantão).
Sem medo do futuro

Chega a ser triste, lamentável, assistirmos à postura – ou falta de – que a oposição assume neste início de ano, e que prenuncia a inquietação e o desespero que, infelizmente, deverão pautar as discussões em torno das eleições de outubro. O mais recente exemplo, e bastante revelador, veio por parte do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no jornal O Estado de S. Paulo, no domingo, dia 7.

Sob o título “Sem medo do passado”, FHC ofusca sua própria trajetória e comete um artigo em que as falácias se multiplicam e evidenciam como, numa situação de desespero, o discurso trai a si mesmo e as argumentações não se sustentam. Nesse sentido, menospreza a inteligência do leitor – “estratégia” que, em um cenário pré-eleitoral, subestimar o (e)leitor pode ser sinônimo de suicídio.

Até mesmo em termos de estilo FHC parece se distanciar do “príncipe dos sociólogos”. O título facilmente pode ser interpretado como nostalgicamente ingênuo, um pretenso pedido para que voltemos aos tempos neoliberais pré-Lula – mas o próprio FHC, quase contraditoriamente, conclui que “eleições não se ganham no retrovisor”. Sim, sua constatação pode bem ser rebatida com o contrário: “Sem medo do futuro”.

FHC acusa o presidente Lula de “inventar inimigos e enunciar inverdades”, mas incorre ele mesmo em invenções e inverdades. Com uma diferença básica: se Lula é movido pelo fato de passar por “momentos de euforia”, FHC o faz movido por “momentos de desespero”, para dizer o mínimo. Outros trechos poderiam ser igualmente usados em referência ao ex-presidente tucano: ele “lamenta que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos” – ora, FHC, lamentamos também que o senhor se deixe levar por impulsos tão toscos e perigosos. E, se Lula “possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira”, FHC também possui “méritos de sobra”, legítimos e nada desprezíveis.

Como a ministra Dilma Rousseff já afirmou, não se trata de ignorar realizações do governo FHC, ou se apropriar delas. E Dilma faz o que o ex-presidente pede (mas que ele mesmo omite): “contextualizar” informações: “sem sombra de dúvida, houve passos no governo anterior. Não estou desmerecendo ninguém; estou dizendo que nosso caminho é melhor”, diz a ministra.

Talvez o que fique mais patente é a dificuldade de FHC em reconhecer como, com Lula, o governo tenha mudado o papel do Estado. No auge da crise mundial, no ano passado, o Brasil conseguiu minimizar os efeitos incentivando o consumo – na contramão de todos os prognósticos, os bancos públicos tiveram uma ação fundamental, liberando empréstimos quando os bancos comerciais e o crédito internacional refreavam cada centavo.

E o mais doloroso para FHC, o que possivelmente tenha lhe rendido noites sem sono, foi ver a nata do capitalismo conferir a Lula o “Prêmio Estadista Global”, em pleno Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça). É a primeira vez que este prêmio é entregue, nas 40 edições do fórum. Lula não pôde receber o prêmio, mas o presidente-executivo do Fórum Econômico, Klaus Schwab, resumiu: “o presidente do Brasil demonstrou um verdadeiro comprometimento com todos os setores da sociedade. O presidente Lula é um modelo a ser seguido pela liderança global”.

Se a imagem de Lula em âmbito mundial é mais do que evidente e positiva, ela reflete o sentimento de aprovação do povo brasileiro. Mesmo a contragosto, e mesmo para uma significativa parcela da população, a aprovação ao governo Lula é recorde, e um fato bastante indigesto – para dizer o mínimo – aos tucanos e democratas. Quase constrangidos, são obrigados a reconhecer que “nunca antes, na história deste país”, um presidente brasileiro alcançou tanto sucesso no exterior e tanta aprovação “em casa” – mais de 80%.

Para completar, FHC vê seu principal reduto no “olho do furacão”: violência crescente no estado de São Paulo, mais de 40 dias de chuvas ininterruptas, bairros alagados na capital e com riscos iminentes de epidemias. Nesta segunda-feira, 8, o governador Serra e o prefeito Kassab perdem o prumo e põem a polícia, com direito a gás pimenta, para reprimir com violência uma manifestação pacífica dos moradores alagados. Some-se, portanto, ao desespero diante da crescente aparição de Dilma no cenário eleitoral, o desespero de medidas absolutamente antidemocráticas, e os resultados drásticos da falta de políticas públicas eficientes.

FHC tem espaço garantido nos principais veículos de comunicação. É de se lamentar, no entanto, que a retórica, por mais elaborada que seja (virtude, aliás, que já foi mais bem exercida pelo ex-presidente), não se sustente. Ou apenas culmine em constatações como “o eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças”, para, inexplicavelmente, arrematar com um adversativo “mas”: “se o o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa”. De nossa parte, trocaríamos o “mas” por “e” – mas é sintomática a opção feita pelo ex-presidente. Desespero somado à vaidade é uma mescla explosiva, e a maior vítima é o senso crítico.

- Hamilton Ribeiro Mota (PT) é prefeito de Jacareí
Por Paulo Bicarato, às 11:17 de 10.02.2010 - Comentem!
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03.02.2010

:: Vida e Morte ::

Sob a manchete que grita que o *Vale do Paraíba é a região mais violenta do estado de São Paulo*, a foto se abre em seis colunas e ocupa quase toda a capa do jornal. O azul do céu emoldura três policiais, armas em punho, avançando por entre barracos do que se supõe uma favela. Fica explícita a relação *violência – miséria – repressão*.

valeparaibano
Na reportagem, página inteira ilustrada por mais fotos de PMs em ação. Em todos os textos, números e mais números se sucedem, a partir de estatísticas da Secretaria da Segurança Pública, entremeados por frases burocráticas que ressaltam a necessidade de um *plano de ação para frear o aumento da violência*, que tem *forte relação com o tráfico de drogas*, definido como *prioridade* para o combate. Análises superficiais, ainda que vindas de especialistas renomados, atribuem as causas a um *problema de gestão* que culminam na óbvia constatação de que *a estratégia atual não está funcionando*, com ressalvas de que a *polícia foi mais eficaz, prendendo e apreendendo mais*.

O tom geral: segurança pública é sinônimo de repressão, e de todos os lados a solução aponta para a necessidade do *aumento do efetivo policial*. Depois de percorrer a página inteira, somente no último parágrafo do último texto há a menção ao fato de que *políticas de prevenção ao crime são tímidas e as ações de segurança pública, desarticuladas*, e a constatação que deveria ser a primeira de todas: *não há políticas preventivas, como investimentos em lazer, esporte e cultura*. Prevenção, portanto, é o de menos.

No mesmo dia, ficamos sabendo que o governador paulista quer trocar o nome da Polícia Militar para *Força Pública*, com a intenção de *aproximar a polícia da população*. Bela jogada de marketing: seria o primeiro estado em que a polícia ficaria sem o termo *militar* -– a expressão *Polícia Militar* passou a ser utilizada em 1970, durante a ditadura, por imposição do Exército.

Da análise fria do jornal, com números exibidos às pencas para corroborar a necessidade de mais e mais repressão, ao marketing oportunista (redundância, né?), parece que ninguém se lembra que a construção de cidades estéreis, que nos distanciam uns dos outros, é um modelo absolutamente fracassado. Sem que seja revista toda a nossa concepção de cidade -– enquanto espaços de convivência, por excelência -–, qualquer repressão só vai estimular mais violência.

Lá nos anos 1960, Jane Jacobs lançou o *Vida e Morte das Grandes Cidades*. Em resumo, ela dizia apenas que a rua quando movimentada, frequentada e apropriada é capaz de garantir a única segurança contra a violência: basta a presença do outro. Simples, e nem precisa de repressão.

Segundo clichê: vale a pena conferir o belo texto do Wellington Cançado (prazer, cara!) publicado pelo Marcelo Terça-Nada: *A insurgência das pipas (e outros jogos potencialmente subversivos)*. Por enquanto, fica só o link. Mas voltarei ao tema, sem dúvida.
Por Paulo Bicarato, às 17:50 de 03.02.2010 - 1 já comentou aqui
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23.07.2009

:: Divagar ::

Divagar e sempre. Divagar se vai ao longe.
Por Paulo Bicarato, às 16:31 de 23.07.2009 - 1 já comentou aqui
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22.07.2009

:: Armadilha ::

Laerte, genial! (Sim, sei que é redundância...)

Laerte

[Do Manual do Minotauro]
Por Paulo Bicarato, às 12:19 de 22.07.2009 - Comentem!
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20.07.2009

:: Citações ::

Pra começar a semana:
*Um barco, no ancoradouro, está seguro. Mas não é para isso que os barcos são feitos.*
>> William Shedd
[Via Ms. Bottan]
Por Paulo Bicarato, às 15:23 de 20.07.2009 - Comentem!
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27.05.2009

:: Professores de Ética ::

[Enquanto os meus parcos neurônios se recusam a produzir, fiquemos com o copy&paste.]

Casos como os relatados pelo Frei Betto na Folha de hoje (só pra assinantes, mas eu copio pros sem-Folha) pipocam aqui e ali. Graças a Deus!
Professores de ética

Frei Betto

É tautológico falar em falta de ética no Congresso Nacional. Os escândalos se sucedem, do deputado que está "se lixando" para a opinião pública aos funcionários do Senado que, a exemplo de notórios senadores, ostentam um padrão de vida muito superior a seus vencimentos e à renda declarada.

Felizmente, há exceções. Lástima que a indignação e o protesto de congressistas íntegros tenham pouca ressonância nas ruas. Em geral, noticiam-se a farra de passagens aéreas, os castelos mirabolantes, as mansões paradisíacas. Poucos tomam conhecimento da coerência de congressistas incorruptíveis.

A corrupção decorre da falta de caráter. Esta se manifesta, de modo especial, quando a pessoa se vê investida de uma função de poder, do prefeito que se apropria dos recursos da merenda escolar a congressistas que se julgam no direito de pagar, com dinheiro público, o salário de sua empregada doméstica.

Como dar um basta em tanta maracutaia? Difícil. O ser humano padece de duas limitações insuperáveis: defeito de fabricação e prazo de validade. É o que a Bíblia chama de "pecado original". Sempre haverá homens e mulheres desprovidos de caráter, de princípios éticos, dispostos a não perder a primeira oportunidade de enriquecimento ilícito. A solução é criar, via profunda reforma política, instituições que inibam os corruptos e mecanismos de controle popular. Em suma, tornar a nossa democracia, meramente delegativa, mais representativa e, sobretudo, participativa.

Enquanto isso não acontece, sugiro que convidem, para ministrar um curso de ética no Congresso Nacional, Suas Excelências José Gomes da Costa, Rodrigo Botelho, Francisco Basílio Cavalcanti, Clélia Machado, Sebastião Breta e Fagner Tamborim.

José Gomes da Costa é gari da Prefeitura de São Paulo. Ganha R$ 600 por mês. Vinte e seis vezes menos que um deputado federal. Com esse salário, sustenta a si e três filhos. Dia 18 de maio último, ao varrer a rua, encontrou um cheque no valor de R$ 2.514,95. José precisaria trabalhar quatro meses, sem nenhuma despesa, para acumular essa quantia. Procurou uma agência do banco e devolveu o cheque. Motivo: vergonha na cara.

Gari, Rodrigo Botelho encontrou, em 26 de maio do ano passado, durante campeonato mundial de tênis de mesa, no Rio, mochila com R$ 3 mil em dinheiro. Viu o nome do dono nos documentos, chamou-o pelo microfone e devolveu. Rodrigo é normal, tem caráter.

Francisco Basílio Cavalcante, faxineiro do aeroporto de Brasília, pai de cinco filhos, ganha salário mínimo. No dia 10 de março de 2004, encontrou uma bolsa de couro no banheiro do aeroporto. Dentro, US$ 10 mil. Se fosse juntar o salário que ganhava, sem gastar um só centavo, levaria (à época) mais de sete anos para obter igual soma. Francisco declarou: "Tem que ser assim. O que não é nosso precisa ser devolvido. Não pode trazer felicidade".
Clélia Machado, 29, é auxiliar de serviços gerais e faz bico como manicure. Sozinha, cria duas filhas, uma de sete anos, outra de nove. Sua renda mensal não chega a R$ 550. Todos os dias ela faz a faxina do banheiro do posto da Polícia Rodoviária Federal em Seberi (RS). A 11 de março de 2008, encontrou, junto à privada, um pé de meia enrolado em papel higiênico. Dentro, US$ 6.715. Clélia entregou os dólares aos policiais.

Entrevistada, disse: "Bem que podia ser meu de verdade. Mas já que não me pertencia, devolvi. Era o certo a fazer". O gari Sebastião Breta, 43, da Prefeitura de Cariacica (ES), devolveu os R$ 12.366 mil que achou num malote no lixo. O nome do homem que fora roubado estava gravado numa etiqueta. Sebastião ganha salário mínimo.

Indagado se pensou em ficar com o dinheiro, disse: "Nunca. Desde a primeira vez que vi, sabia que devia devolver. Quando não consigo pagar as minhas contas, fico doido, pensava o tempo todo como estaria o dono do dinheiro, imaginava que ele também não podia pagar suas contas porque tinha perdido tudo. Eu e minha mulher não conseguiríamos dormir à noite. Acho esquisito pegar o que não é da gente".

Fagner Tamborim, 17 anos, entregador de jornais na cidade de Pirajuí, a 398 km de São Paulo, ganha R$ 90 por mês. Enquanto pedalava sua bicicleta, encontrou na rua um malote com R$ 6 mil. Devolveu-o ao dono. "Vi que tinha muito dinheiro e cheques. Levei pra minha mãe, que ligou para o banco."

O melhor do Brasil é o brasileiro, não necessariamente nossos congressistas.

CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO, o Frei Betto, 64, frade dominicano e escritor, é autor, em parceria com Verissimo, Cristovam Buarque e outros, de "O Desafio Ético", entre outras obras. Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004).
Por Paulo Bicarato, às 15:28 de 27.05.2009 - 2 comentários
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17.04.2009

:: Mais-Valia ::

Por que hoje é sexta-feira, um sambinha (heheh). Segue a descrição do YouTube:
Samba criado por Sergio Silva, gravado no início de 2005, foi grande sucesso carnavalesco, especialmente em Minas Gerais. "Top hit" nas rádios livres do mundo inteiro, com diversas indicações pro Emmy, só ganhou mesmo foi um café com pão de queijo e nada de capital.
. edição: Júlio Matos (no Laboratório Cisco)
. filmagem: André La Salvia
. gravação: Eduardo Paiva no Estúdio da Vila
Por Paulo Bicarato, às 14:32 de 17.04.2009 - Comentem!
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:: Informação >> Conhecimento ::

Pois é, mas não necessariamente nessa ordem. Fiquemos com o Laerte:

Laerte
Por Paulo Bicarato, às 13:44 de 17.04.2009 - Comentem!
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04.03.2009

:: Matemágica Fantástica ::

No meio de toda essa crise mundial, tem um detalhe que me deixa com o sifonáptero na parte posterior do pavilhão auricular: acho que nunca tinha visto cifras tão fabulosas circulando diariamente pelas manchetes de jornais, portais e blogs na internet, na boca de apresentadores de telejornais. Desde que a crise estourou, ficaram banais cifras como bilhões, ou mesmo trilhões. Pacote do governo norte-americano? São 700 bilhões de dólares, depois mais uns 250 bilhões, mais outros tantos -- somando, dá trilhão e pouco. Gastos com a Guerra do Iraque? *Só* uns 220 bilhões. E por aí vai... (lembrando que são dólares).

Esta semana, a maior seguradora dos EUA, a AIG, anunciou um prejuízo de US$ 61,7 bilhões, somente no último trimestre do ano passado. Algum gaiato, como o brôu Cacá postou, fez umas contas básicas: se esse valor for dividido por 92 (relativo aos meses de outubro, novembro e dezembro), dá US$ 670.652.173 de rombo por dia; dividindo novamente por 24, chegamos a US$ 27.943.840 por hora; se dividirmos novamente por 60, o prejuízo por minuto é de US$ 465.730. Quatrocentos e sessenta e cinco mil dólares por minuto!

Diluídos dessa maneira talvez fique um pouco mais *palatável* engolir os números. Mas voltemos à cifra original, na casa dos bilhões: há algo de *abstrato*, digamos, nisso tudo (para não dizer nonsense), mas que acho que pode ajudar a explicar a origem mesma de toda a crise. Toda a economia norte-americana (fiquemos com os EUA como exemplo básico) se baseou, principalmente a partir do século passado, quase que exclusivamente em jogadas especulativas – entre as acepções para a palavra *especulativo*, o Houaiss diz: *que busca enganar, ludibriar, abusar da boa-fé de outrem*. Interessante, não?

Ao criar dinheiro do nada, meramente especular no mercado financeiro, esse mesmo mercado acabou gerando essas cifras fantásticas – alguém acredita que toda essa dinheirama exista realmente?

Mas a minha curiosidade, na verdade, não é de cunho econômico, mas meramente matemático. Essa banalização de valores estratosféricos me deixa a impressão de que vamos, cada vez mais, perdendo a noção da realidade. Alguém já parou para pensar o que significa *trilhão*, além de ser o 1 seguido de 12 zeros? Vamos a outra continha, dessa vez com a ajuda do copoanheiro Adauto: um milhão de segundos dá quase 12 dias; um bilhão de segundos se aproxima dos 32 anos. Agora, um trilhão de segundos vai dar mais de 31.709 anos!

Resumo da ópera: se os EUA reservarem um dólar por segundo para cobrir o rombo da crise, vai levar quase 32 mil anos para coisa se resolver... (tá, eu sei, não é tão simples assim. Mas que é tudo meio nonsense, isso é!).
Por Paulo Bicarato, às 16:46 de 04.03.2009 - Comentem!
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:: Dancem, Macacos ::

E, num oferecimento do brôu Marcelo nos comentários aí embaixo, ele lembra que o JPCoutinho deve ser um macaquinho pé-de-valsa daqueles!

Por Paulo Bicarato, às 10:55 de 04.03.2009 - 1 já comentou aqui
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12.02.2009

:: Discussões ::

Participar de listas de discussão é um exercício diário de troca de experiências e conhecimento. Mas de também de paciência, e muita. Uma thread aparentemente banal pode descambar pra flames homéricos, e invariavelmente por causa da falta de respeito às diferenças -- tema de que já tratei aqui. Mas, além de toda a discussão em si, alguns temas revelam, principalmente, os valores que moldam cada um.

Se há lucidez e racionalismo por parte de algumas pessoas, na maior parte das vezes (infelizmente) a *retórica* é toda permeada por falácias (premissas corretas com conclusões absurdas) e, não raro, preconceitos toscos, pseudoargumentações tortuosas (sei, é redundância), opiniões *a priori*, sem maior profundidade e fundamentação...

Como pano de fundo, o reacionarismo (diria à la TFP), sempre disfarçado nas entrelinhas, quando não quase explícito -- não confundir com conservadorismo, termo abominado em um espaço de *moderninhos*, mas que fica patente em várias pessoas. Hipocrisia, então, corre solta. Mas vá alguém com um pouco mais de lucidez apontar alguma opinião de hipócrita: este sim é o intransigente, que não sabe respeitar a visão do outro.

De qualquer maneira, é interessante, no final das contas, saber melhor quem convidar, ou não, pra uma cervejinha.
Por Paulo Bicarato, às 17:09 de 12.02.2009 - 2 comentários
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