26.07.2010

:: Peter Bo Band ::

Pra tirar a poeira, sonzêra by The Peter Bo Band no Tao do Gomeral, com participação especial do gaitista Marcelo Naves.

[*Peter Bo* = Pedro Bó, camarada das antigas]

Por Paulo Bicarato, às 16:25 de 26.07.2010 - Comentem!
Categoria: On the Road

08.06.2010

:: Bia & o Golfinho ::

Invejinha da bôa não faz mal a ninguém, certo? Pois é, não tenho outra palavra pra expressar o que senti quando a querida Renatinha me mostrou algumas fotos do passeio dela pra Cozumel, onde foi mergulhar com o maridão Paulo e as irmãs dela. Mas a Renatinha entende a *inveja*, e compartilha com a gente a emoção de conhecer um pedacinho do Paraíso. E, entre as fotos, essa eu não tinha como não *roubar* (com a devida anuência da Bia, irmã da Rê -- valeu, Bia!). É ou não é de encher os olhos?

Bia_golfinho

[Já fiz um registro da *família-mergulhadora* aqui, e também com uma pontinha de inveja, quando o sogro da Rê, outro Paulo, resgatou uma tartaruga presa numa rede de pescador.]
Por Paulo Bicarato, às 19:37 de 08.06.2010 - Comentem!
Categoria: On the Road

13.04.2010

:: Dropes Compartilhados ::

No meio de zilhões de dicas interessantes, e na (vã) esperança de escrever com mais propriedade, ficamos assim: anotações rápidas, não necessariamente com alguma relação entre si, e não necessariamente em ordem de interesse.
dropes >> Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais
A roda continua girando e faz parte da nossa natureza finita guardar,
documentar, preservar essa nossa finitude rumo ao eterno. De 26 a 29 de abril no Hotel Jaraguá seres futuristas e antigos estarão discutindo e trocando informações: Acervos Digitais.
[Via @mabegalli]

dropes >> Borges no Bar
*Quinze bares históricos de Buenos Aires, na Argentina, oferecem aos clientes (…) a possibilidade de lerem as obras completas de Jorge Luis Borges. A iniciativa chama-se Yo leo en el bar e, de acordo com o ministro da cultura da região portenha, Hernán Lombardi, destina-se a cumprir a tarefa de difundir o hábito da leitura entre os que a não praticam.*
[Via Bibliotecário de Babel]
Por Paulo Bicarato, às 17:40 de 13.04.2010 - Comentem!
Categoria: On the Road

17.02.2010

:: Carna... o quê? ::

É bem provável que este alfarrabista se enquadre no estereótipo *ruim-da-cabeça-e-doente-do-pé*. Ou nem tanto: até que aprecio um bom samba-de-raiz, ou as marchinhas luizenses. Mas que não tenho a mínima vocação pra *súdito de Momo* (tá, eu sei que esse é dos mais batidos lugares-comuns carnavalísticos), isso não tenho mesmo. Daí que, juntando o útil ao agradável, peguei a dona Patroa e fugi uns dias lá pra Monteiro Lobato, seguindo a receita de uns anos atrás. Eu já havia sido avisado pelo camarada Déo Lopes que esse ano a animação ficaria por conta do Trem da Viração mas, chegando lá, me deparo com folhetos afixados nos botecos informando que uma lei municipal determina: *Carnavais somente com animações através de marchinhas carnavalescas*. Não tenho a mínima idéia sobre a constitucionalidade ou não de uma lei com esse teor, mas achei simpática -- e um bom sinal, pra dizer o mínimo.

Com dois ou três telefonemas de última hora (é óbvio!), descolei uma hospedagem do tipo *simples-mas-honesta*, fora do burburinho e ideal pra Mama&Papa, ou dona Benê e seu Toninho -- sossego no meidumato é com eles mesmo; toparam sem pestanejar e nem se importaram com os trinta e três degraus de acesso à casinha (foi meu pai quem contou quantos degraus eram, de terra & grama). E, numa folga lá de Bsb, o brôu se juntou à trupe.

Cervejinha gelada, brincadeira na rua em clima de família, tudo beleza... Entre uma e outra pérola ou figura sacada aqui ou ali, no finalzinho do feriado é que saquei que, na pracinha do bairro dos Souza (assim mêsss...) tem um belo exemplar de Pau-Brasil, com uma plaquetinha informando: Ibirapitanga. Entre um gole e outro, comento com meu pai. De bate-pronto ele responde: Caesalpinia echinata, e testemunha: -- Sem dúvida, essa tem de 30 anos pra mais. A resposta dele foi, posso assegurar, mais rápida que minha pesquisa no Google. Mas pra quem sabe *ouvir* pedidos de socorro de duas Sucupiras, isso é o de menos.
Por Paulo Bicarato, às 17:14 de 17.02.2010 - 2 comentários
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05.02.2010

:: Chazinho Bom ::

Cruzeta, Rio Grande do Norte: *já tomei dois, vô tomá mais treis pra renová...* E os pacatos moradores podem ser... presos. [Não tenho informações sobre a data da reportagem.]

Por Paulo Bicarato, às 13:30 de 05.02.2010 - Comentem!
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21.10.2009

:: Encarando o Dragão Negro ::

Com vocês, em primeiríssima mão, direto da China (isso mesmo, caríssimxs!), reportagem do Edu Issa, sobre os surfistas brazucas que foram pra lá encarar a maior pororoca do mundo, o Dragão Negro.

*** Edu Issa no Alfarrábio Confira tudo o que o Alfarrábio já publicou sobre as trips do Edu Issa
Cara a cara com o Dragão Negro!

Por Eduardo Issa -- direto de Hangzhou, China

Surfers
Sérgio Laus e Marcos Sifu, tendo
o Edu Issa como recheio
Outubro de 2009, brasileiros embarcam para um vôo memorável ao território chinês. O destino final é a cidade de Hangzhou, uma cidade grande como muitas outras na China mas com um diferencial incomum: é palco da maior pororoca do mundo registrada no Guiness Book, tendo chegado a nove metros de altura.

Hangzhou
Vista de Hangzhou, capital da
província de Zheijiang
Hangzhou é a capital da província de Zheijiang e está a uma hora e meia da grande Xangai. A cidade foi ainda, durante seis dinastias, a cidade mais importante da China. Percorrendo a cidade, a bela arquitetura dos edifícios sobressaem na paisagem. Atualmente, é considerada uma cidade-modelo para os chineses -- seus habitantes, ao contrário dos das outras províncias do país, se preocupam com o bem-estar de seus moradores, trabalham menos e buscam ter mais tempo para curtir a vida.

Esta é uma nova filosofia que vem sendo implantada em cidades mais modernas da China e é neste cenário que o surfista brasileiro Sérgio Laus, o maior especialista em pororocas em todo mundo, desembarca para mais uma vez encarar o temido Black Dragon, o “Dragão Negro”. Este é o nome dado por estrangeiros e locais para a este fenômeno majestoso que atrai multidões nas margens do rio Qiantang para acompanhar de perto a passagem da mística onda. Este ano, um grande festival foi organizado pelas autoridades chinesas, e junto com a onda quatro surfistas -- os brasileiros Sérgio Laus e Marcos Sifu e os havaianos Rusty Long e Jamie Sterling -– estarão surfando o grande dragão.

Show
Autoridades promoveram um
grande festival este ano
Para Sérgio Laus, esta é uma conquista sem precedentes. Surfar o dragão negro exigiu muita diplomacia e perseverança para obter a liberação das autoridades locais. Com a ajuda do deputado William Woo, foi aos poucos mostrando aos chineses a seriedade do seu projeto. Foram meses de negociação: no início, chegaram a pedir US$ 100 mil para liberar a entrada dos surfistas no rio, mas no final acabaram vendo a empreitada como uma grande atração para a cidade e patrocinaram a vinda dos surfistas. Em anos anteriores, ingleses tentaram sem sucesso surfar a onda e acabaram naufragando no rio. Em outra ocasião, franceses entraram no rio sem autorização dos chineses e foram expulsos do país.

ChinaWave
O termo pororoca vem da língua Tupi “poro’roka”, de “poro’rog” que significa estrondar. É um fenômeno natural gerado pelo encontro das correntes fluviais com as águas do mar, quando ocorre uma elevação repentina de grandes massas de água junto a foz de grandes rios. A influência das fases da Lua e das amplitudes de maré podem intensificar o processo, podendo gerar ondas de alguns metros de altura, com velocidades de até 50 km/h e durar mais de 30 minutos.

A chegada dos surfistas a Hangzhou foi vista com muita apreensão e cuidado, pois para os chineses aquela onda por muitos anos ceifou vidas de pescadores e moradores locais, e causou muita destruição – ver homens com “pedaços de fibra” encarando a “Muralha de Água” causou muita expectativa.

Marcos
Marcos Sifu encara, enfim,
o Dragão Negro
Atualmente, as margens do rio Qiantang foram concretadas e são resistentes à passagem da onda. Dentro d’água, algumas barreiras de pedras também diminuem o impacto do fenômeno. Estas barreiras tornam o desafio ainda mais perigoso. Para Laus, a grande diferença entre as pororocas da Amazônia e as daqui é mesmo a paisagem. Na China a onda percorre seu caminho entre dezenas de prédios, pontes gigantescas cortando o rio, pedaços de metais e de concreto, bem diferente das paisagens harmoniosas das florestas do Brasil. Outra grande diferença é o alto nível de poluição dos rios chineses, o que não acontece nas ondas brasileiras.

É chegada a hora: os surfistas apreensivos pegam suas pranchas e seguem para o ônibus, tudo pronto para encarar o grande dragão. Seguimos para a margem do rio, onde as lanchas e jet-skis nos esperam. Olhando no horizonte o rio se mostra calmo e pacato. Cinegrafistas e fotógrafos adentram a lancha que irá seguir a onda para a captura de imagens. Sabemos dos riscos que envolve a operação; qualquer pane na lancha e seremos atropelados pela imensa “muralha de água”, perderemos equipamentos e estaremos com nossas vidas em risco.

Partimos em direção à foz do rio. Aos poucos sentimos uma injeção de adrenalina que nos deixa tensos e apreensivos. No horizonte, uma grande massa de espuma se torna cada vez maior à medida que se aproxima. Os surfistas já correm atrás do melhor local para pular na onda e esperar o impacto. Sérgio Laus e seu companheiro Marcos Sifu se posicionam na frente da onda que já alcança dois metros de altura. É chegada a hora: Laus joga a prancha e sai remando; em segundos, aquela avalanche de água misturada com espuma leva o surfista.

Sergio
Sérgio Laus e a pororoca
chinesa
Tudo certo, é hora de fazer manobras e sentir toda energia e vibração daquele momento raro em que surfista e onda se tornam um só corpo. Nas margens, a população fica em êxtase observando aqueles intrépidos aventureiros dominando o grande dragão. Laus percorre uma grande distância sobre a onda fazendo manobras. Na outra ponta os havaianos Rusty e Jimie seguem fazendo linhas e cortes na onda, sentindo toda a emoção daquele momento. De volta à frente da onda, agora é Marcos Sifu que é colocado na face da onda por Sérgio Laus -- o surfista mostra que está ali para domar o dragão e completa boas manobras deixando o público ainda mais impressionado.

Todos os surfistas seguem na onda. O resgate após uma queda ou a perda da onda é fundamental entre os surfistas, cada dupla precisa estar atenta e afiada no resgate -- só assim o surfista terá a chance de voltar para a onda que segue seu caminho sem hesitar. Nas margens é possível ver dezenas de construções em andamento e uma bela arquitetura dos edifícios já concluídos. A composição da paisagem é interessante e peculiar -- no rios os surfistas seguem pela onda, nas margens o povo chinês acena e vibra com os novos heróis.

Ao cruzarmos pontes gigantescas é possível ver os motoristas parados, fora de seus veículos, para observar a passagem da onda. A sirene da polícia rompe o silêncio querendo que os motoristas sigam o caminho, mas a tentativa é em vão: ninguém se move enquanto a onda não passa. Impressionante, a cidade se congela para ver o fenômeno e nós permanecemos ali em choque por fazer parte daquele acontecimento.

Chinês
Simpatia, né?
Confesso que, como documentarista, jamais vi um evento desta magnitude, onde mais de 500 mil pessoas se amontoavam nas margens do rio para ver aqueles homens corajosos surfarem a grande onda. Com certeza este é um número de expectadores que entrou para história de um evento envolvendo um esporte radical. De que se tem notícia, poucos eventos superam este número -- a Corrida Aérea (Air Race), que acontece em vários países, é um deles e já reuniu mais de um milhão de pessoas num mesmo local.

Surfar a pororoca chinesa é diferente de tudo que já surfou, confessa Sérgio Laus. As dificuldades passam pela entrada no rio, onde um portão trancado a sete chaves é o acesso mais fácil para chegar às margens. A dificuldade da língua chinesa exige dos surfistas um grande jogo de cintura para entender as regras do desafio. Por fim, e não menos importante, a exótica gastronomia local, que por várias vezes deixou surfistas como reis, direto no trono!

Enfim, vale tudo para encarar o grande Dragão Negro, afinal os surfistas chegaram até aqui para isso, surfar a demolidora pororoca de Hangzhou. Neste grande confronto, os surfistas mostraram que é possível encarar este desafio respeitando a cultura e todo misticismo do povo local, e saírem todos vitoriosos neste grande embate entre homem e a mãe-natureza.
As imagens poderão ser vistas no programa Esporte Espetacular e nos outros canais abertos nas próximas semanas. Confiram!

Abraços a todos!
Xie Xie (Obrigado em chinês)
Por Paulo Bicarato, às 14:16 de 21.10.2009 - 1 já comentou aqui
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15.07.2009

:: Ilha Grande ::

Dei uma pesquisada na previsão do tempo, e não estava lá muito animadora não. Mas acabei arriscando: raptei a Rose, e fomos pra Ilha Grande no feriado prolongado. Eu já havia estado lá há alguns anos, com meu irmão, e só posso confirmar que vale a pena. Na próxima, quero pegar uns dez dias pra poder percorrer todo o entorno da ilha, a pé. Por enquanto, ficam aqui algumas fotos -- mais impressões e causos ficam pra depois...

[Clique pra ampliar]







Por Paulo Bicarato, às 18:33 de 15.07.2009 - 3 comentários
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29.04.2009

:: Gentes ::

[Textinho que fiz como abertura pra uma exposição fotográfica do camarada Wendell. Segue só uma pequena amostra da exposição.]

História, cultura, natureza. De todas as expressões, a região do Vale do Paraíba resume a arte da convivência e da construção de uma identidade comum, mas ao mesmo tempo multifacetada que valoriza a diversidade e as idiossincrasias de cada cidade, de cada comunidade.

Atores privilegiados dessa variedade, nossa gente expressa em cada gesto, nas manifestações culturais, na manutenção das tradições e no diálogo com o futuro a disposição de protagonizar a construção de uma sociedade mais justa, solidária e aberta aos desafios.

Construir a cidadania é valorizar o potencial de cada um, de cada comunidade. Desse caleidoscópio emerge, e renasce a cada dia a riqueza natural de nosso maior patrimônio: nossa gente. Valorizar essa riqueza e reconhecer o poder transformador de cada protagonista da história do Vale do Paraíba e região é um imperativo moral.

A riqueza de imagens apenas ilustra todo esse potencial que temos o dever de preservar: dar condições para a manutenção desse intercâmbio entre as diferenças e incentivar a participação cidadã.

indios_litoral.::|::.quilombola
caipira.::|::.congada
Por Paulo Bicarato, às 12:25 de 29.04.2009 - 1 já comentou aqui
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03.03.2009

:: Carná? Que Carná? ::

Sabem o que é passar o Carnaval inteirinho sem ouvir um único batuque ou ver nada do que rolou na Marquês de Sapucaí? Pois é, esse ano eu consegui. Acabei convencendo minha copoanheira a encarar a estrada -- pra quem não sabe, este alfarrabista não dirige --, e lá fomos nós rumo a Visconde de Mauá-Maringá-Maromba. Umas quatro horas de viagem, com direito a chuva lá no finalzinho, bem na descida da serra, pra desespero da Rose. Mas chegamos, sãos e salvos, indo direto pro primeiro boteco tomar a merecedíssima primeira cerveja do Carná (primeira pra ela, porque eu já fui devidamente abastecido com algumas latinhas).

Assim que a chuva dá uma folga, lá vamos nós procurar hospedagem -- claro que eu não fiz nenhuma reserva, né? --, e meio que no improviso descolamos um quarto até que bem razoável, bem ao lado do rio Preto, com o ininterrupto som das corredeiras. (A barraca e o saco-de-dormir, além de uns edredons, estavam estrategicamente no porta-malas do carro, mas a recepção chuvosa, à noite, abortou a hipótese de acampamento.)

Rosinha Maringá
Rosinha, Maringá-MG
Isso em Maringá, que, pra quem não conhece, é das três vilas a com melhor infraestrutura. Bacana é que há a Maringá-RJ e a Maringá-MG: uma ponte só pra pedestres, de uns 40 metros de extensão, separa os dois estados. Vamos, então, passear em Minas, uai, onde somos recebidos pela simpática Rosinha: é, essa mulinha aí ao lado. Dizem que ela tem seus cerca de 30 anos, e vive solta pelas ruas, sendo *adotada* pelos comerciantes locais. Verdade ou não, o fato é que ela atende pelo nome, pára, recebe afagos e segue sua calma fiscalização pelas ruelas.

Maromba poção
Poção, Maromba
Bom, resumindo a história: entre cervejas e petiscos, circulando entre gente de todas as idades e malucos-beleza e grã-finas, fazendo trilhas até Maromba – por todos os lados, de qualquer ângulo que se olhe, a mata e o rio oferecem paisagens e detalhes fantásticos (e olhe que quem diz isso pode garantir que já fez mais de meia-dúzia de trilhas por esse brasilzão afora...). Voltando pra Maromba, sugiro um restaurante que, à primeira vista, me chamou a atenção, e minha intuição não decepcionou. Escolhemos uma mesinha e, antes de fazer qualquer pedido, o proprietário, César, vem reclamar (intimar?) porque não passamos pela *recepção*. Pelas regras da casa, todos têm que passar pelo balcão principal e degustar um dos licores à disposição -- e o César degusta junto, brindando a cada cliente. Cobro dele uma cachacinha e, claro, o cara não se faz de rogado: providencia o brinde em minutos. Chato trabalhar assim, viu?

De noite, nada de energia elétrica. O negócio é se adaptar à luz de velas e apreciar o céu estrelado, daqueles que os urbanóides nem imaginam que exista. (Pausa...) Dia seguinte, lá vamos nós encarar as Cachoeiras do Alcantilado [segundo o Houaiss, *que apresenta forma escarpada, íngreme; de altura elevada; de grande extensão vertical* -- ou seja, nada a ver com *Vale Encantado*, supostamente de origem tupi (!), segundo me tentou explicar uma gaiata de lá]. São nove cachoeiras em sequência, uma melhor que a outra, além de grutas, por trilhas bem sinalizadas e preservadas (parênteses: até onde pude perceber, é um exemplo bacana de preservação e sustentabilidade, com uma infraestrutura bem razoável).

Rose&Eu
Rose & Eu
Chegamos só até a sexta cachoeira, a apenas 350 metros do final – mas 350 metros pra lá de íngremes, e a Rose já tava entregando os pontos... Voltemos, então, ao pé do morro e paramos pra outra merecida cervejinha na lanchonete. Aí, a surpresa: eis que surgem a Bianca&SAmadeu, fazendo a *viagem de batismo* do filhote Lucas (até que demorou pra encontrar algum conhecido lá). Mais cerveja e uma cachacinha (esta, o Lucas, do alto de seus quatro meses de idade, queria porque queria experimentar), em meio ao bom papo e à simpatia do Samadeu e da Bianca, e cercado por aquele cenário espetacular -- viajar, pra mim, é isso: conhecer lugares, compartilhar emoções e experiências, encontrar gentes... Conclusão: é, preciso viajar mais, botar mais o pé na estrada. E, em boa companhia, melhor ainda. Tks, Rô =^)

Rose no Alcantilado
Rose no Alcantilado


[Este post é carinhosamente oferecido à Lúcia Malla e à Mô Gribel]
Por Paulo Bicarato, às 13:10 de 03.03.2009 - 2 comentários
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17.02.2009

:: Nômades ::

Lúcia Malla dá o recado:
Suas palavras maravilhosas são um excelente exercício de reflexão de início de semana para os andarilhos desse planeta sem porteira.

Sejamos mais alunos do mundo: viajemos. :)
Ela se refere ao Amyr Klink, e cita um trecho do livro Mar sem fim, que reproduzo a seguir:
*(...) Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.*
Além da Lúcia Malla, e por meio dela, descubro outra viajante desse mundão sem frontêra, a Mô Gribel, que nos brinda com o próprio Amyr narrando esse trecho do livro. Valeu, moças =^)

Por Paulo Bicarato, às 12:06 de 17.02.2009 - 1 já comentou aqui
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12.01.2009

:: Vida Duuuuura... ::

Ilha Hamilton
:: Procura-se: zelador de ilha paradisíaca ::

- Tarefas: alimentar tartarugas, observar baleias, mergulhar, coletar correspondências e limpar piscinas -- também é necessário manter um blog, diário de fotos e vídeos sobre o trabalho
- Requisitos: saber mergulhar, nadar, ter espírito aventureiro (não são necessárias qualificações acadêmicas)
- Local de trabalho: ilha Hamilton, Queensland, Austrália (vide foto: uma das 600 ilhas da Grande Barreira Coralina -- o maior recife de coral do mundo, que abriga um complexo e diverso ecossistema)
- Benefícios: casa de três quartos e sacadas com vista para o mar, além de um buggy para transporte na ilha
- Salário: US$ 150 mil (R$ 235 mil), contrato de seis meses (cerca de R$ 40 mil mensais)

Alguém se candidata? É sério. Deu na BBC-Uol.

Segundo clichê: pensando bem, eu não me importaria nem um pouco em me transformar numa tartaruga-blogueira...

Terceiro clichê: mais informações, aqui.
Por Paulo Bicarato, às 16:36 de 12.01.2009 - 3 comentários
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04.12.2008

:: Apuí, AM ::

E o camarada Edu Issa manda mais notícias, agora na reta final do belíssimo projeto que começou há uns três anos mais de cinco anos (!), percorrendo todos os Parques Nacionais desse Brasilzão sem frontêra. Dessa vez, como ele mesmo conta, não deu pra mandar nenhuma imagem, mas o bacana é que ele tá sempre compartilhando as aventuras -- e o Alfarrábio, sempre replicando. Segue aí o relato dele:
Fala aí, galera!

Estou aqui em Apuí, Amazonas, nas bordas da Transamazônica. No caminho pousei na aldeia dos índios Apiacás, pista de terra, e só para pousar o cacique cobra 150 reais -- paguei do meu bolso, é claro, se não pagar não sai vivo! Tiramos a porta do Cessna e voamos em cima do rio Juruena para registrar imagens do parque de mesmo nome. Pousamos novamente, colocamos a porta e seguimos para Apuí. A pista de Apuí foi uma das piores pistas que já pousei, o asfalto parece uma pista de bicicross, o avião foi pulando até parar!

O que me impressiona nestes vôos pela região é voar 2 ou 3 horas sobre um imenso tapete verde intacto, um grande alívio para aqueles que pensam que a Amazônia está detonada. Situações parecidas encontrei em Rondônia, Acre e no próprio Amazonas. São milhões de hectares ainda salvos e intactos de floresta. O desafio é mesmo proteger todos estes ambientes de biodiversidade incalculável e que contam com um grande aliado, o isolamento.

Estou registrando o último parque do projeto, UFA! Se Deus quiser no Natal estarei em casa "SAFE"!

Em Apuí, é muito engraçado, pois por incrível que pareça a cidade foi iniciada por Paranaenses e tá cheio de loirinho de olho azul bem no meio da Amazônia, e a cultura local segue as tradições do Paraná! A internet aqui é com gerador e manivela e o tel ainda é "molecular" e não celular -- avisa um moleque que ele dá o recado... rs

Pena que não descarreguei as fotos para poder enviar algumas, um show de imagens! Desta vez, após 5 anos de busca, consegui registrar na Amazônia uma onça pintada, fiquei emocionado de ver e fotografar o maior felino das Américas, bem na minha frente, em cima de uma árvore, uma imagem única e que poucos têm a chance de registrar. Agora estou numa Lanhouse fazendo esta comunicação, com computadores que estão quase suando pelo calor de 38 graus.

Espero em breve poder compartilhar as imagens e as aventuras vividas em todo esse tempo de trabalho.
Aguardem!
Abraço a todos,
Eduardo Issa
Edu Issa Tudo o que o Alfarrábio já publicou sobre a Expdição Parques Nacionais.
Por Paulo Bicarato, às 13:37 de 04.12.2008 - 3 comentários
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11.11.2008

:: Salvem a Chapada! ::

*Suspeita-se que os incêndios tenham sido provocados por ações criminosas de agricultores e garimpeiros.* A citação é de matéria no UOL, sobre a Chapada Diamantina -- como se ninguém soubesse disso. Se as causas são conhecidas, só se pode deduzir que há conivência por parte de alguém. Triste, muito triste ver que todo ano é a mesma coisa. Dessa vez, o negócio tá brabo mesmo: já faz mais de um mês que o fogo toma conta da Chapada, e estima-se que 50% do parque já foi atingido. Pra quem teve a oportunidade de conhecer aquele pedaço do Paraíso, dói ainda mais. Fica aqui toda a minha solidariedade ao pessoal do GAP (Grupo Ambientalista de Palmeiras) [sobre quem já comentei aqui] e, particularmente, ao camarada Pablo Casella -- verdadeiros heróis anônimos que montaram uma brigada de incêndio e lutam, com parcos recursos, pra tentar manter viva a Chapada. Segue a abertura da matéria do UOL:
Só chuva salva Chapada Diamantina-BA do fogo, diz gestor da reserva

Um efetivo extra de 70 bombeiros chegará hoje ao município baiano de Lençóis, a 409 quilômetros a oeste de Salvador, para ajudar no combate aos incêndios que já consumiram, desde julho, cerca de 50% - ou cerca de 75 mil hectares - da mata do Parque Nacional da Chapada Diamantina.
Por Paulo Bicarato, às 14:32 de 11.11.2008 - 2 comentários
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05.11.2008

:: Kit de Sobrevivência ::

Abre aspas, ipsis literis:
Bolsa tiracolo na cor preta com a inscrição: MCD. Capa de chuva na cor verde; livro: Seis Propostas para o Próximo Milênio do autor: Italo Calvino, da editora Cia das Letras; um mosquetão na cor azul com lanterna e um minicanivete suíço; um óculos quebrado; um porta-óculos na cor preta; um bloco de anotações com logotipo do PT. Um porta-moedas de couro; uma nota de US$ 1,00 e outra de US$ 5,00 (dólares)
Parece o quê? Uma espécie de kit de sobrevivência? Talvez... Na verdade, essa é a descrição, sob a rubrica *Outros* (depois de celular, documentos e cartão bancário), que consta no Boletim de Ocorrência registrado na segunda Delegacia de Polícia do Distrito Federal, no dia 11 de agosto de 2005. É, arrumando umas papeladas velhas, achei o BO que registrou o meu *batismo* lá em Brasília... Espero, pelo menos, que os pivetes que me roubaram tenham feito bom proveito do livro.
Por Paulo Bicarato, às 15:14 de 05.11.2008 - 4 comentários
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30.10.2008

:: Nossa (Rica) Fauna ::

Mesmo tendo que aturar zilhões de e-mails acumulados, deixar o blog abandonado e frustrar minha meia-dúzia-de-cinco leitores, ficar sem ler nem o RSS dos meus caríssimos blogs favoritos (tá, não vou listar aqui pra não melindrar os probloggers) e outras coisinhas, até que vale a pena ficar uns dias desconectado. Tentei colocar algumas leituras em dia, aproveitei pra rever uns amigos que um dia... (que rima horrível!), dei umas voltas por aí...

Na Paulista, em pleno horário comercial num dia de meio-de-semana, fazia tempo que não parava pra ler um livro, tomar uma cerveja e apreciar os-e-as passantes. Desde as colegiais (ainda se usa esse termo, ou precisa ser estudantes-do-ensino-médio?) com uniforme do Dante aos executivos apressados, passando pelos gringos inconfundíveis apreciando o Masp, um ou outro vagabundeando como eu, os indefectíveis vendedores de balas e amendoins, os igualmente indefectíveis auto-intitulados poetas urbanos, com a eterna abordagem fatal (*gostas de poesias?*), um cego guiado pelo fiel labrador, casais de namorados de todos os tipos (héteros, gays etc. etc.), as moças, das mais variadas tendências e cores -- maluquetes com direito a dread verde, patricinhas de grife, universitárias de todos os tons, executivas impecáveis... Nessa Babel, chama a atenção um homem-sanduíche ímpar: alheio mesmo a o que tá anunciando (ok, cartuchos de impressoras -- sr. patrão, pode dar um aumento pro cara), ele aplaude efusivamente quem passa pela calçada, beija carinhosamente no rosto uma e outra moradora de rua, gargalha sozinho, sabe-se lá se de sua própria condição...

Do cimento-nada-frio de Sampa, como se pode deduzir da rica fauna da qual citei apenas algumas espécies-personagens, passemos pra calmaria verde de Monteiro Lobato, no sopé da Mantiqueira, com direito a cachoeira e uma das mais fartas refeições que já vi, lá no Elvis. Cerca de oito da noite, a cidade já sem praticamente nenhum movimento, o povo indo pra cama, restam uns gatos pingados -- melhor dizendo: gatos-chapados --, dignos de figurar entre os temulentos do Rosa. Dali saiu a mais pura cantada-ébria: com aquele olhar de peixe morto (romântico ou de bêldice? ou ambos?), o temulento diz pra temulenta:
-- Ah! Esses seus cabelos de seda, esses olhos que refletem o luar, esses lábios de bebê... de beber cachaça!
Só nos resta aplaudir a declaração de amor...
Por Paulo Bicarato, às 15:35 de 30.10.2008 - 3 comentários
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