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Remix: HD (http://www.marketinghacker.com.br), que colou lá do Inagaki (http://www.pensarenlouquece.com/)

:: Barcamp ::

Barcamp
Café Matisse: da esq pra dir., Trevisan, Aninha e eu.
Ao fundo, Johnnie e a namorada.
Foto da Gle, companheira do Maratimba.
No Flickr tem muito mais
Sim, outro mundo é possível – pra usar o lema do Fórum Social Mundial. Essa é a minha conclusão pessoal do que foi o primeiro Barcamp no Brasil. Uma constatação que já era certeza minha, mas vivenciá-la foi uma experiência lúdica e prazerosa, pra dizer o mínimo. Experiências semelhantes eu já tivera a oportunidade de compartilhar com vários amigos e amigas durante meu período na Cultura Viva, do MinC – o bom é constatar que todo esse processo de produção baseado no compartilhamento de conhecimento não é apenas uma tendência, mas fato consumado.

Foi apenas um fim-de-semana. Dois dias, no entanto, mais do que profícuos, resultado do verdadeiro poder das redes sociais. Em apenas quatro ou cinco semanas, depois de expôr a idéia via web, o André Avório conseguiu arregimentar 107 inscrições – na véspera do Barcamp, ele chegou a cancelar novas inscrições, temendo não conseguir dar conta de todo o pessoal. No final das contas, mais de 80 pessoas participaram efetivamente do Barcamp, e posso apostar que todas, sem exceção, saíram de Florianópolis mais do que satisfeitas.

O princípio básico do Barcamp ficou expresso já nessa auto-organização emergente que se espalhou pela rede, a maioria absoluta sem se conhecer pessoalmente -- vale destacar que nem uma rusguinha ou desentendimento pessoal foi registrado entre os barcampers, algo que seria até mesmo natural diante da diversidade e do ecletismo do povo que se reuniu.

Mas o tom de toda a *desconferência* foi tomado por um espírito colaborativo único, pela fraternidade, pelo compartilhamento desinteressado de conhecimento, pela generosidade intelectual. algo que, aliás, chegou a incomodar, num primeiro momento, algumas pessoas. Essa estranheza momentânea, aliás, revela como ainda estamos tão presos a modelos convencionais, corporativos e mesquinhos – o que deveria ser o processo mais natural de relacionamento interpessoal ainda soa estranho a muitas pessoas. Essa quebra de padrão, de paradigma, felizmente me parece estar se transformando em regra.

(Um parentêses: já falei mais de uma vez, e repito o óbvio: por trás de todo computador tem uma pessoa, somos gente sim. Espanta-me essa surpresa por nos re-descobrirmos pessoas de carne-e-osso. Será que estamos tão des-humanizados assim que, quando temos a oportunidade de nos vermos, nos abraçarmos, nos beijarmos, sentimo-nos tão *diferentes*?

Barcamp
Por que não tomarmos essa atitude colaborativa e aberta no dia-a-dia? Por que não deixamos de ver o *outro* somente como um potencial concorrente ou inimigo? Por que não nos abraçamos mais, não brincamos mais, não nos desvencilhamos dessas convenções corporativistas e mesquinhas?

Nós provamos que uma atitude desse tipo é possível.

Que tal, além de todo o conhecimento que trocamos, re-pensarmos tudo isso e assumamos nossos princípios mais primordiais (!!!), aquela coisa lúdica e prazeirosa que pudemos compartilhar num fim-de-semana?

Fecha parênteses.)


Voltando à vaca fria: é aquela história que tentei desenvolver durante minha fala no Barcamp (sim, pra falar eu sou bastante confuso; escrevendo até que as coisas fluem melhor...). Resgatamos modos de produção artesanais, unindo o fazer com o aspecto lúdico de cada ação, mesclando arte e tesão, de forma colaborativa. Aquele modo de produção anterior ao domínio da produção capitalista-consumista típica do século XX – século marcado por tudo o que de mais maléfico a humanidade registrou em toda a sua história.

Basta registrar que um dos temas que gerou boas discussões foi sobre jornalismo colaborativo e ferramentas de produção compartilhada. Aliás, registre-se também a presença de vários jornalistas no Barcamp, além da intensa participação feminina – detalhe digno de nota diante do relato do Avório sobre eventos do tipo nas Oropa, predominantemente só com homens.

Mas rolou de tudo um pouco, como era a proposta inicial: mídia social, jornalismo colaborativo, web standards, desenvolvimento para web, licenciamento de conteúdo e produção artística, web design, blogs, gerenciadores de conteúdo, gestão de projetos, hype da web 2.0, comunidades online, código livre, web semântica, drupal, arquitetura da informação, microformatos, usabilidade, RSS, wikis, inclusão digital, disseminação da cultura digital, redes sociais, laptop de US$ 100, ensino a distância, P2P.

Papos que continuam rendendo na lista de discussão, e que espero não tenham fim. Da mesma maneira como praticamente todos os barcampers saíram de Floripa com a idéia de articular outros Barcamps por esse Brasilzão sem frontêra. Tínhamos representantes de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília... bem como a participação do Adrien, francês bacana que está viajando pelo Brasil, soube do evento, chegou junto e acabou dando a idéia pro *produto* que começou a ser construído no próprio Barcamp: um site colaborativo de viagens, com dicas e mais dicas pra viajantes e mochileiros. Avório, Maira e Fabiano montaram na hora o site, baseado no Drupal. O desenvolvimento continua e, assim que estiver mais consolidado, publico aqui.

Pra completar, até mesmo o tempo chuvoso, que em tese seria uma péssima notícia pros barcampers que esperavam aproveitar uma praia em Floripa, acabou sendo providencial. A chuva ajudou a concentrar todo o pessoal no CIC (Centro Integrado de Cultura), evitando dispersões. E, como ninguém é de ferro, o final da noite de sexta-feira marcou a *invasão* do café Matisse, no próprio CIC, pelos barcampers: lugar agradável, com música e bebidas idem.

O sabadão foi fechado com chave de ouro com um providencial churrasco nos chalés da Praia Brava, onde boa parte do pessoal se alojou – outro registro: Jean Habib e outros chegaram a oferecer hospedagem solidária a quem precisasse, consolidando mais uma vez o espírito colaborativo do evento. Churrasco que, aliás, fez com que eu e o Träsel descobríssemos alguma utilidade pra revista veja (com minúscula mesmo): ela é ótima pra acender a churrasqueira...

Por fim, no domingão, mais um exemplo de como funciona a rede e pra serve toda essa conectividade. Saímos correndo, Aninha Brambilla e eu, pra rodoviária, mas assistimos, desolados, à partida do ônibus dela, por questão de um ou dois minutos. Paciência... Liguei pro Avório e, imediatamente, a Lelê ligou de volta se dispondo a oferecer o quarto do hotel em que ela estava pra Aninha, enquanto Avório e Beto também ofereciam hospedagem, e o Habib mandava dicas de outras linhas de ônibus.

É isso, por enquanto. Teria muito mais a falar sobre o Barcamp, mas somo aqui só mais algumas impressões às várias que o pessoal está postando por aí – tudo sob a tag *barcampbrasil*. Um exemplo é o da Lelê, que copio a seguir.

Valeu, pesso@l!

Atualização: pra saber mais: Barcamp.
Mário Quintana disse que "os livros não mudam o mudo. o que muda o mundo são as pessoas". Daí que, nos instantes finais, dos grandes momentos, do intervalo de tempo em nossas vidas que nos reuniu, Maira falou sobre o livro de Pierre Levy http://www.caosmose.net/pierrelevy/ que estava lendo. Como sou muito inquieta, chatonilda, hehehe, falei sobre Manuel Castells, que escreveu "A Galáxia da Internet" e a trilogia "A Era da Informação: economia, sociedade e cultura".

Encontrei esse artigo "A era da intercomunicação", publicado no Le
Monde http://diplo.uol.com.br/2006-08,a1379.Outra figura interessante é a Suely Rolnik http://www.caosmose.net/suelyrolnik/, que dá aula na comunicação digital da unisinos, e acho que na USP, também. Eu ainda estou sob o efeito do/da BarCamp. Sei lá, mas fiquei com a sensação de que, de repente rola de reiventar o mundo dentro de cada um de nós e em nosso entorno; de buscar a segurança e o prazer para todos a um só tempo. de ouvir e falar, enfrentar e aceitar, brigar e
fazer "as pazes"; reconhecer, prestar atenção, respeitar; sonhar,
insistir nos sonhos e entender a realidade com precisão; tipo, lutar
até cansar e depois descansar sem culpa; de ser para si e ser para os
outros com verdadeira intensidade. Religar. Algo como exercer
capacidades de liberdade, de que não há alternativa que não seja
feita coletivamente. de que é possível, viável absorver os
movimentos do outro, em total sincronia, que isso não é submissão,
mas liberdade. que todo domínio é liberdade. E que a importãncia de
qualquer ação, movimento é tocar as pessoas.

Entonces, que faltou citar Steven Johnson, influente pensador do
ciberespaço, editor, ou co-, da Feed, revista cultural on-line.
Escreveu "Cultura da Interface" e "Emergência - A dinâmica de rede em
formigas, cérebros, cidades e softwares".

Eis que, as palavras da Wired sobre esse livro, me faz pensar que, num
passado recente, na ilha de santa catarina, Florianópolis, algumas
pessoas comprovaram constataram, praticaram, experimentaram,
traduziram, aplicaram a teoria de Johnson.

Vai dizer que BarCamp não tem nada haver com o que disse Wired: "O
que têm um comum um formigueiro, o cérebro humano, as cidades e os
modernos softwares? Todos são exemplos de sistemas auto-organizados
que privilegiam as seqüências, em detrimento da lógica, e nos quais
se dispensa a presença de um controle centralizado para haver ação.
Surgem de um nível de elementos relativamente simples em direção a
formas de comportamento mais sofisticados e por isso são chamados
sistemas emergentes.

Por meio de uma breve história de tais sistemas, Steven Johnson
analisa pioneiros e pensadores que contribuíram para a construção
dessa teoria, seja no terreno da biologia, da biofísica, do urbanismo
ou do design de softwares. Além disso, esboça a gênese do
comportamento emergente, que compreende desde crianças habilitadas
para o controle mediado dos novos softwares até grupos de protesto que dispensam lideranças, a exemplo dos movimentos antiglobalização.
Apoiado na analogia entre mundo biológico e cultural, o autor - um
dos grandes pensadores do ciberespaço - antecipa o que seria uma
revolução interativa, na qual o controle da tecnologia mudaria das
mãos dos engenheiros de softwares para os usuários dos sistemas.
"Johnson combina insight e prosa envolvente para realizar o que
muitos autores não conseguem: fazer com que o leitor se sinta
inteligente, fornecendo a ele novos instrumentos com os quais
compreender a tecnologia."
Por Paulo Bicarato, às 17:10 de 20.09.2006 - Categoria: Linux Vida Open Source

elenara iabel comentou:

Bica,
sorry, mas copiei e colei na cara dura teu post para minha página.
valeu, querídolo!
besos
lele
às 21:24 de 20.09.2006
Host: C9254B2E.poa.virtua.com.br

eduMadma ( Café ) comentou:

Pensei em comentar algo, com o coração aidna cheio de alegria.

mas isso resume o que penso:

"Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada. "

(Fernando Pessoa)
às 12:16 de 21.09.2006
Host: 201-34-186-3.fnsce701.dsl.brasiltelecom.net.br

Lucasa comentou:

Aê Bicarato,
Texto legal.
E que venham os próximos Barcamps.
às 12:58 de 21.09.2006
Host: 161.148.33.66

Adauto comentou:

E no próximo Barcamp eu vou!
(Tá parecendo slogan de Rock'n Rio...)

[ ]s!
às 16:48 de 21.09.2006
Host: firewall.jacarei.sp.gov.br

Rose comentou:

Oi Paulo.

Seu relato sobre o Barcamp,foi tão bem escrito,que ao lê-lo tive a sensação de estar lá.Vocês conseguiram de uma forma tão sublime e genial,fazer um *movimentoação* que merece continuidade e adesão.
Beijos!!!!!
às 16:51 de 21.09.2006
Host: 201-68-226-232.dsl.telesp.net.br

Johnnie comentou:

Bica, foi foda, o texto e o barcamp.
às 18:45 de 24.09.2006
Host: 201-34-68-199.smace701.dsl.brasiltelecom.net.br

Ed Trawtmam comentou:

Salve Bica!!!
"Ai que vontade que dá", hehehe, de participar de momentos como esses, descritos por você. Quem sabe no próximo, e pela net! Abraços, Camarada!
às 13:07 de 25.09.2006
Host: 200-206-186-50.dsl.telesp.net.br
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