Qualquer redator minimamente esclarecido sabe que uma das regras básicas pede que se evite a repetição de palavras num texto. Variar o vocabulário é mais do que uma questão de estilo, mas pede-se também que não se caia na verborragia desnecessária e, muitas vezes, pedante. Mas eis que, num texto de pouco mais de duas laudas, uma mesma palavra, com algumas variações, aparece nada menos que 114 vezes (sim, eu tive a pachorra de contar). E não é que ficou um texto saboroso? Tá aqui, na revista
Língua Portuguesa, e trata simplesmente de um vocábulo:
coisa. Essa nossa língua nos apronta cada coisa...
Segundo clichê: curiosidade... os textos da revista, como não poderiam deixar de ser, são impecáveis. Mas no mesmo artigo citado acima há duas ocorrências que, aparentemente, são provocações. Num mesmo parágrafo, o verbo *estava* é grafado *tava*. Eu mesmo me permito algumas, digamos, transgressões, grafando *tá*, *pra* e usando asteriscos em vez de aspas. Será alguma tendência?
Marcus comentou:
Eu acho que a repetição foi usada com propósitos estilísticos e/ou irônicos. Achei o texto bem legal, aliás. A parte mais legal é quando fala de Minas:"Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de 'a coisa'. A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: 'Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!'."
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