Sei que estás em festa, pá / Fico contente / E enquanto estou ausente / Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá / Com a tua gente / E colher pessoalmente / Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar / Tanto mar, tanto mar / Sei também quanto é preciso, pá / Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá / Cá estou doente / Manda urgentemente / Algum cheirinho de alecrim
Sobre a versão oficial, aqui. Sobre tudo, o Chico.
*Preocupados em fazer da blogosfera um remendo da mídia de massa*, provoca o
HdHd. Ou será que a *mídia de massa*, ou o mainstream, como cutuca o
Hermenauta, estaria num furioso processo de cooptação da blogosfera brazuca? Pro
Interney, ficou evidente o desconhecimento dos bambambãs sobre como ainda não entenderam a emergência do processo. Já o
Pedro Doria se limitou a registrar a discussão, por enquanto -- com certeza, tá preparando algo pro
Link do Estadão.
O que isso tem a ver com a Revolução dos Cravos e com a bela música do Chico (redundância das redundâncias)? Também não sei muito ao certo, mas sempre que a
masturbação sobre *monetização* dos blogs, *probloggers* e o escambau toma conta das listas de discussão, me lembro do *Tanto Mar* do Chico. Talvez, sei lá, porque a verdadeira revolução da qual os blogs sejam os protagonistas esteja mais pro silêncio dos Cravos do que pras guilhotinas sangrentas.
É de se esperar que, se um movimento emergente como a blogosfera começa a preocupar o sistema vigente, este vai fazer de tudo pra cooptar ou buscar meios de neutralizar os efeitos. Mas, em primeiro lugar, o que o mainstream não consegue entender é que quando um sistema emergente aparece, é porque já tá mais do que consolidado -- lembremos da famosa imagem do formigueiro. Atacar apenas os efeitos não vai passar de um paliativo. Em segundo lugar, a ótica meramente mercantilista não consegue compreender como e porque algum processo pode ser lúdico e prazeiroso, de compartilhação de conhecimento, fraterno mesmo, sem ter como único objetivo o lucro. Em terceiro lugar, esta impermanência característica dos blogs não se coaduna com a craquenta e caquética ética protestante que visa a *produção*, o consumo. Em quarto, last but not least, ainda não entendi a cobrança pela *profissionalização* da blogosfera (tá, eu sei, tem a ver com todos os outros motivos citados acima). Posso, se me dão licença, continuar usando e abusando dessa *internet moleque*, como lembra o
Mr. Manson?
Sei que tem gente muito mais gabaritada pra argumentar com muito mais coerência, e aceito sugestões de leitura. Mas, antes de me mandarem pedradas, aceito os Cravos da revolução mais pacífica que já vimos, e que também temos o privilégio de vivenciar. Alguém mais topa?
Lucia Freitas comentou:
Paulo, queridoEspero que a gente consiga manter em pé o nosso caráter fraternal. Para mim, é o melhor de nós.
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