Tá legal, eu sei que este Alfarrábio ficou meio às moscas por uns dias. Mas é que eu simplesmente fiquei meio *travado* por não poder participar da
Campus Party. Resta o consolo de poder acompanhar pelos relatos do povo, direto da fonte, como o
DuendeVerde e o
Mr.Manson, entre inúmeros outros. Afinal de contas, são quase 3.000 pessoas no Pavilhão da Bienal, boa parte blogueira. E, o pior de tudo, é que eu ganhei a inscrição, a convite da
LuFreitas, pra integrar o time do
Campus Blog. Paciência... quem mandou querer ser assalariado e cumprir horário todos os dias? Mas o pior é o povo telefonando e mandando mail e me chamando no jabber pra cobrar minha presença por lá. Vocês vão ter que me engolir, pódexá!
Bom, deixando o chororô de lado, amanhã apareço por lá. Em primeiríssimo lugar, rever muita gente bacana, conhecer quem não conheço pessoalmente, reencontrar
aliados metareciclentos como o
HdHd, discutir com o povo do
Barcamp -- afinal, o lema da Campus Party este ano é exatamente *a Internet não é uma rede de computadores, é uma rede de pessoas* (bingo! sempre falamos nisso, oras bolas!). Mas, além de participar da *nerdstock* ou da *SP Fashion Geek*, também vou tentar deixar meus dois centavos no debate *O Jornalismo e a Nova Economia*, organizado pela Futura Networks do Brasil e a Fundação Padre Anchieta/TV Cultura. Segundo o Pedro Markun, do
Jornal de Debates, que me convidou pro debate, a idéia é colocar frente a frente jornalistas *tradicionais* (seja lá o que isso for) e blogueiros -- bom, acho que me encaixo nos dois perfis :-)
Pelo que o Pedro me adiantou, tem uma turma bacana pro debate:
Aninha Brambilla,
José Murilo,
André Marmota,
André Deak,
Mario Lima Cavalcanti,
Pollyana Ferrari,
Jorge Rocha,
Henrique Martins,
Fabiana Zanni e sei lá mais quem. Segue o programa:
O Jornalismo e a Nova Economia
* Data: quinta-feira, dia 14/02, às 19h
* Local: Bienal do Ibirapuera - Térreo
- A missão da imprensa muda na sociedade em rede?
- A nova linguagem jornalística na era digital: quem ganha, quem perde?
- Blogs: novas vozes, novos discursos, nova linguagem. O que acontecerá com as redações?
- O Jornalismo "open source": a imprensa está preparada para a comunicação colaborativa?
- Revolução Digital: qual o poder real das empresas de comunicação na nova economia?
- Mecânica: Debate com oito convidados formando a mesa
Desconferência ao final com a participação de 10 blogueiros convidados
- Mediadores:
Sérgio Amadeu - Sociólogo, Diretor de Conteúdos da Campus Party Brasil
Ricardo Mucci - Jornalista, Diretor de Novos Negócios - TV Cultura
 | Talvez tenha diretamente a ver com o debate o fato de a sala de imprensa ser motivo de piada pros campuseiros. Taí a fotinha pra provar. Tá certo que nossa imprensa tá pra lá de desacreditada -- salvo as exceções, of course. E também é certo que o *mainstream*, em boa parte, ainda não se tocou que o modelão tradicional já não funciona mais. Bom, sobre isso já escrevi há algum tempo no falecido Bombordo -- copio o original a seguir. |
Apocalípticos, integrados e... hackers
Umberto Eco deve, certamente, rever hoje seus conceitos de *apocalípticos e integrados*. Diante das possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias, resumir as gentes que fazem e consomem informação e comunicação nestas duas classificações ficou completamente sem sentido.
Não existem mais as figuras do emissor e do receptor. Mesclaram-se, e mesclaram junto a própria mensagem. Somos, hoje, *a* mensagem, cada um um potencial gerador / difusor de informações e conhecimento –não somos, nem de longe, apocalípticos ou integrados.
Eco forjou estes conceitos, naturalmente, sob ou a partir de uma cultura típica do século XX: a industrialização, com sua produção massificada e absolutamente mercantilizada, em que toda e qualquer pessoa não passa de mera consumidora --quando muito, produtora, mas sem acesso ao domínio da produção: uma simples ferramenta que podia ser sumariamente descartada se apresentasse algum defeito ou não gerasse os resultados pretendidos.
Resgata-se, agora, outra forma de produção não mediada unicamente pelo *valor de mercado* ou pela *mais valia*. O lucro, em si, deixou de ser o leitmotiv das novas comunidades, que ganharam uma característica ainda mal interpretada e conceituada: a des-hierarquização dos processos, a horizontalidade das *organizações*, a ausência de líderes, a emergência de projetos totalmente colaborativos –baseada antes na reputação de seus integrantes do que na *valoração* mercantilista de cada um. (Parênteses: o Bombordo pode ilustrar perfeitamente este artigo: de minha parte, conheço pessoalmente duas ou três pessoas que integram o projeto –e, pra completar, rascunho este texto em guardanapos de papel num boteco.)
Toda essa anarquia, no sentido mais puro do termo, replica-se e se esporifica progressivamente –ninguém ousa apostar aonde chegará.
Mas o fato é que temos a honra de participarmos de um momento único na história: desprezamos os processos que *notabilizaram* o século XX (Charles *Carlitos* Chaplin, acredito, adoraria participar dessa revolução), reavivamos o aspecto lúdico e prazeiroso da construção coletiva do conhecimento, redescobrimos o poder de vez e voz de cada anônimo, de cada ser pensante que deseje se expressar, resgatamos, enfim e contraditoriamente, com o uso das novas tecnologias, a *tecnologia* básica que sempre moveu o mundo: nossa humanidade, e nossa potencialidade de nos expressarmos, nos comunicarmos, nos relacionarmos, nos amarmos...
Esse espírito hacker, muito antes de meros geeks/nerds enfurnados em suas máquinas, inclui um potencial fantástico de transformação social. O poder de desalienar-se e agir contra a elitização do conhecimento, contra o monopólio e a capitalização da informação, está ao alcance de todos. Projetos emergentes pipocam aqui e ali, totalmente descentralizados e colaborativos, na mais pura expressão open source –em alguns casos, os próprios protagonistas acabam por se surpreender com a repercussão e o crescimento do projeto, que ganha vida própria.
Seriam inúmeros os casos, mas fiquemos com um, pela proximidade: a MetaReciclagem, nascida numa lista de discussão entre meia-dúzia de românticos pensadores, engenheiros poetas, hackers de carteirinha e simples abnegados, tornou-se referência e ganhou a simpatia e a adesão de inúmeros anônimos, ignorando fronteiras.
Toda essa subversão anárquica tem um fundamento essecial: a colaboração entre os participantes, o espírito fraternal e coletivo. Para completar, todo o processo é permeado por um ludicismo que só faz crescer o engajamento de cada um com todos: o prazer do compartilhamento do conhecimento. Ou, como diria Guimarães Rosa, nas palavras de Riobaldo Tatarana, *vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada*.
marcelo comentou:
pô, confere aí: tem um punhado de link errado no post.Host: 201-26-169-108.dial-up.telesp.net.br