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24.11.2006

:: Pitibiriba ::

-- Bica, descubra pra mim o significado da expressão *necas de pitibiriba*.

Pra vocês verem como o trabalho é duro, e a gente tem que enfrentar desafios sobre-humanos: o singelo pedido foi feito pela chefinha, que entra de sopetão na sala e me incumbe de mais uma espinhosa tarefa (sempre que a Chefinha me chama em PVT, imediatamente toca a música do filme *Missão Impossível*...). Imediatamente, corro ao Google, ao Houaiss, e ela só me olhando por sobre os ombros:

-- Já pesquisei aí, e aí também.

Fucei mais, e mais, e mais na web. Nada. Se alguém puder me ajudar, me dar alguma luz sobre tão relevante questão, agradeço desde já. Só espero que meu emprego não esteja em risco caso eu não consiga cumprir esta missão pra chefinha...
Por Paulo Bicarato, às 14:39 de 24.11.2006 - 40 comentários
Categoria: PretoNoBranco

30.07.2010

:: Da Coluna Social ::

Uia! E não é que o meu casório com a Rose foi parar na coluna social? ;-)

[Em breve, mais fotos do *evento do milênio*]

Eu, Rose & Nydia

Segundo clichê: é, a minha caríssima Chefinha nos deu a honra de ser uma das madrinhas...
Por Paulo Bicarato, às 16:10 de 30.07.2010 - 4 comentários
Categoria: Egotrip

21.03.2007

:: Bebo porque é Líquido ::

Pela lei de Darwin, os mais fortes e aptos é que sobrevivem.
A bebida mata os neurônios, mas sobrevivem os neurônios mais aptos e fortes.
Logo, quem bebe é mais inteligente.

Tal pérola é de autoria do publicitário Zeca Freitas, e me foi repassada pela chefinha Nydia. Incontestável. Vou ali tomar uma cervejinha...
Por Paulo Bicarato, às 18:11 de 21.03.2007 - 5 comentários
Categoria: Etilíricas

15.12.2009

:: Route of Smoke ::

Route of smoke
Cris Prizibisczki e Andreia Fanzeres
Com todos os méritos, já que tá no sangue, a coleguinha Cristiane Prizibisczki*, cá de terras valeparaibanas, foi a grande vencedora do Earth Journalism Awards. Ao lado de Andreia Fanzeres, a Cris teve a sua Trajetória da Fumaça selecionada pra ser apresentada na 15ª COP, a Conferência do Clima em Copenhague. O anúncio dos vencedores do prêmio saiu ontem, devidamente comemorado pela Chefinha, tia-coruja da Cris.

As moças passaram cinco meses percorrendo o centro-oeste e a Amazônia, fazendo uma radiografia sobre as causas-efeitos das queimadas: *o problema das queimadas está diretamente ligado ao modelo de exploração das Amazônia, e uma das questões que mais chama a atenção é que a população local quer resolver o problema, não quer mais depender do fogo, mas não tem condições para isso*, resumiu a Cris, em entrevista recente. Mas, chega de papo: confiram o trabalho das meninas aqui.

Taí, valeu, Cris & Andreia! Parabéns!

* Só a Chefinha sabe pronunciar...
** Registre-se, o Copoanheiro também acompanhou e ficou na torcida pela Cris


Segundo clichê: a seguir, mensagem da Cris, direto d'além-mar:
Olá, pessoal.

Eu e Andreia Fanzeres gostaríamos de agradecer a todos que votaram em nosso trabalho A Trajetória da Fumaça no Earth Journalism Awards.

Graças ao apoio de vocês conquistamos também o prêmio da noite, o Voto Popular. Dos cerca de 6.239 votos, nosso trabalho conquistou cerca de 1.700! Com isso, ele também chegará às mãos de negociadores aqui em Copenhague.

Agora continuamos nosso trabalho na cobertura da Conferência do Clima da ONU, que vocês podem conferir pelo site O Eco www.oeco.com.br.

Um grande abraço a todos,
Cristiane
Terceiro clichê: a Chefinha volta aqui e explica que há duas pronúncias pro sobrenome da Cris: em polonês, é *Prichibichéski*; já em português é *Prizibíski* mesmo... E, a seguir, algumas fotos da premiação:

Cris_trofeu
Cris Prizibisczki exibe o prêmio
Cris_Marina
Cris Prizibisczki com Marina Silva
Por Paulo Bicarato, às 11:24 de 15.12.2009 - Comentem!
Categoria: Coleguinhas

02.09.2003

:: Massageando o Ego ::
Eu sei, eu sei... Não é muito bonito fazer auto-propaganda aqui, mas não resisto. Na verdade, é uma responsa daquelas, que a gente fica com o sentimento de que ainda está fazendo por merecer...
A seguir, trecho de um e-mail recém-recebido da minha primeira chefe de reportagem, a Nydia Natali --apesar de já fazer um bom tempo que não nos vemos, considero uma grandissíssima amiga:
[...] não vou ficar te elogiando, mas que vc. faz jus, eu não tenho dúvidas, porque me lembro perfeitamente do seu teste e de sua primeira matéria. Foi o único de todos que passaram pelas minhas mãos que fez isso.
Tô esperando.
Beijos
Nydia
Depois eu conto a história do meu teste e da minha primeira matéria...
Valeu, chefinha! ;-)
Por Paulo Bicarato, às 15:28 de 02.09.2003 - Comentem!
Categoria: Primeira Edição

16.07.2008

:: Quando o Telefone Tocou... ::

Telefonemas inesperados sempre geram aquela natural expectativa. Quando vêm por parte da minha cara Chefinha, nunca -- nunca mesmo! -- se sabe o que virá. Dia desses, ela em viagem a trabalho, me liga e vem com outro típico *pedido* insólito:

- Bica, descubra pra mim qual o pronome de tratamento pro... bispo.

Ufa! Essa foi fácil, e com uma googlada, achei esse site, entre outros [Alfarrábio também é prestação de serviços]. Só pra confirmar, liguei pro ilustríssimo sr. Bicarato, meu pai -- não dá pra confiar só no Google, né?

Ok, tudo bem, passa o dia. Já à noitinha, degustando minha merecida cervejinha depois de tão árduas tarefas, eis que o celular toca de novo e... é a Chefinha. Hmmm... ligação lá pras 10 da noite não é bom sinal, mas eu atendo, claro.

- Bica, nem almoçamos hoje, saímos pra comer algo, tomamos um vinho e o motorista [que NÃO tomou vinho] se perdeu. Caímos na rua João Guimarães Rosa, e me lembrei de você. [Quer entender o porquê? mais aqui.]

Ufa! Também não foi dessa vez... Volto pra cervejinha e, dez minutos depois, toca o celular de novo -- é ela, de novo. Relembrando os pronomes de tratamento, ela me conta o causo de uma conhecida figura da cidade, lembrando de um antigo político, digno de uma personagem do Dias Gomes, o Odorico Paraguaçu. O figura, em qualquer cerimônia oficial, sempre observava os presentes e buscava uma saudação à altura. Eis que, numa inauguração ou sei-lá-o-quê em um cemitério, ao lado da apreensão dos assessores, ele tasca essa:

- Meus conterrâneos e subterrâneos...

Pano rápido!
Por Paulo Bicarato, às 19:13 de 16.07.2008 - 1 já comentou aqui
Categoria: Almanaque

01.08.2008

:: Cabriocaricamente ::

Meus querídolos, minhas querídolas, aviso sério: se vocês têm ouvidos sensíveis, olhos idem, não ouçam nem leiam esse vídeo. Se não são tão puristas e adoram a riqueza da nossa inculta-e-bela, cliquem sem medo e aumentem o som.

[Em tempos de eleições, pseudo-oradores pipocam por aí, mas tõ quase apostando que esse Carro Velho é fortíssimo candidato ao Troféu Jóinha do ano. E, se alguém souber me explicar os adjetivos (sei lá, acho que são adjetivos) *cabriocárica* e *medioválgel*, além do (advérbio?) *estrogonoficamente*, agradeço desde já.]



[Dica da querida Chefinha, Nydia, por e-mail]
Por Paulo Bicarato, às 13:47 de 01.08.2008 - 1 já comentou aqui
Categoria: Almanaque

05.10.2009

:: Gracias a la Vida ::

Mercedes SosaHaydé Mercedes Sosa [*9/7/1935 +4/10/2009]

*Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar
En el vale en la montaña
En la pampa y en el mar
Cada cual con sus trabajos
Con sus sueños cada cual
Con la esperanza adelante
Con los recuerdos de trás
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar


Segundo clichê: recebo e-mail do camarada Paulinho, a.k.a. Paulo de Tarso Riccordi. Segue na íntegra:
Mercedes Sosa: *eles* temem o escuro

Pude assistir a um único show de Mercedes Sosa. No Gigantinho, em Porto Alegre, final dos anos 70, antes de ela partir da Argentina para o exílio europeu.

A Negra estava cantando maravilhosamente (Duerme negrito era uma das mais pedidas, à época) e nós a ouvíamos apaixonados. Nisso, paramilitares estouraram algumas bombas de gás lacrimogêneo atrás da platéia, perto de onde eu estava. Houve um princípio de pânico, pessoas começando a correr, a tentar sair, a se atropelar.

Foi quando Mercedes percebeu o que estava havendo e disse, com sua voz poderosa:

- Acalmem, acalmem. Abaixem-se o mais que possam e respirem através de algum pano. E acendam as luzes. “Eles” só sabem agir no escuro. Têm medo da luz.”

E assim foi. Gigantinho totalmente lotado, as pessoas permaneceram em seus lugares, já sem pânico, confiantes na orientação da Negra, que reiniciou a cantar. O gás subiu e se dispersou. E o show seguiu tranquilo até o final. Seguro. Emocionante.
Terceiro clichê: pô, assim não vale... o Paulinho truca, e vem a Chefinha, a.k.a. Nydia, com o zape na manga, tascando um meia-dúzia na testa. Foi nos comentários, mas vem pra cá:
Pois eu vou contar um causo também. Meu primeiro emprego, quando estava na faculdade (faz só um tempinho) foi numa produtora de shows que se chamava terra Viva, e o primeiro show que ajudei a produzir foi o primeiro da Mercedes Sosa no Brasil. Foi uma das maiores emoções que senti. Foi durante a ditadura, na década de 70. bjos
Mas não pára por aí [tá, eu sei que a nova ortografia derrubou o acento de pára, mas eu sô teimoso]: logo em seguida, a Nydia me liga contando que, entre outros, ela trabalhou na produção do show *Ser Tão Sertão* (uma bela referência tá aqui) -- nada menos que o Lima Duarte declamando textos do Guimarães Rosa, com o Rolando Boldrin cuidando da trilha sonora. Se ela ligou pra me provocar, conseguiu...
Por Paulo Bicarato, às 18:42 de 05.10.2009 - 6 comentários
Categoria: Primeira Edição

08.11.2013

:: Pérsio, o Cantadô-Contadô de Causo ::

Pra começar, deixemos que o próprio se apresente:



Persio_Ro.jpg
Pérsio e a querídola Rose, na Beira do Riacho
Chapéu de palha, o indefectível cigarrinho também de palha, o cavanhaque e o rabinho de cavalo (também parecendo de palha), o inquebrantável bom humor mesclado à indignação pra com as injustiças sociais, a eterna militância pelo bem, pela beleza ética e estética. O retrato é simplório, sei, mas resume como eu sempre o vi -- e, claro, junte-se aí o fato de o camarada ser um cantor e compositor de primeira linha, mais um contadô de causo de uma memória privilegiada, e temos um figura ímpar: Pérsio Assunção.

*Ô, meu chapa!* A saudação sempre vinha acompanhada do abraço sincero e do sorriso bonachão. Bom de papo e de copo, não recusava um convite pra cerveja (sempre meio-quente, pra não ferir as cordas vocais) e a cachacinha, de preferência num boteco pé-sujo. Há pouco mais de um ano, mudou-se pra Ubatuba, *pra ficar pertinho da mãe* -- desde então, não foram poucas as vezes em que me ligava, nos horários e dias mais improváveis, só pra dizer que estava admirando o mar e tomando uma cervejinha: *lembrei docê, cabôclo*. (Fosse outra pessoa que ligasse no horário de trabalho, diria que é provocação; mas no caso do Pérsio era mesmo uma espécie de *cobrança* por eu só ficar adiando uma descida da serra...)

Persio_Ny.jpg
Comigo com a *chefinha* Nydia, também na Beira do Riacho
Paulistano da Freguesia do Ó, veio aqui pro Vale do Paraíba em 1986. Em mais de 20 anos de carreira, viajou e mochilou pelos vários *Brasis*, como gostava de falar. Desceu o Rio São Francisco e andou pelo sertão nordestino, percorreu a Amazônia desde a Ilha do Marajó até o Acre. Cantou pelo Pantanal e pelos Pampas Gaúchos, além de atravessar fronteiras e levar sua música e sua prosa pra Buenos Aires, Assunción e várias cidades da Bolívia e do Peru (Puno, Cuzco e Puerto Maldonado, na Amazônia peruana).

Em São José dos Campos gravou, em 1990, o disco (LP) *Língua de Violeiro*, com a participação de 25 artistas da região como músicos convidados. Mudou-se para Curitiba em 1993, onde viveu até 2003, quando retornou pro Vale. Ficou fora dos palcos por uns tempos, quando trabalhou na Fundação Cultural de Curitiba, Fundação Cultural Cassiano Ricardo (de São José dos Campos) e Fundação Cultural de Jacarehy. Mesmo com a insistência dos amigos, só foi montar seu último espetáculo em 2010, *Meio amargo/Meio doce – Causos & Cantoria*, em que interpretou composições antigas e inéditas de sua autoria, além de músicas de outros compositores, como *Lua Bonita*, de Zé do Norte e Zé Martins (que foi tema do filme *O Cangaceiro*, de 1953), e ainda *Amor de Beija Flor*, de Carlos Alberto Leal, o Cal.

Persio_cachaca.JPG
Apreciando, como sempre, uma boa cachaça
Apesar de toda essa rica carreira, o Pérsio é daqueles que mereciam um reconhecimento maior. Esse privilégio (ou dever!) ficou pros amigos, que ele sempre alimentou fielmente. Mas que ninguém o convidasse pra tocar e cantar e contar causo num boteco ou numa festa: orgulhoso e ciente do potencial, se recusava a ser um mero *animador de ambiente* -- quando se apresentava era pra ser ouvido e apreciado e degustado, como mesmo era pra ser.

Na quarta-feira, dia 6, o Pérsião foi cantar e contar causo em outras paragens-dimensões. Dono de um coração enorme, foi vítima desse mesmo coração que talvez não encontrasse por aqui o carinho correspondente ao que dedicava aos amigos e à sua arte. Deixa saudades, muitas saudades, mas também o exemplo de alegria contagiante e de amor à nossa cultura mais pura, sem deixar de lado sua erudição e formação musical. O Brasil ficou menos melodioso.

'Brigado, meu chapa! De coração!



= = =

Com vocês, um pouco do nosso querido Pérsio:

Aqui, na Rádio Aguapé, com o Cesinha:


E, pra copletar, uma entrevista (dois blocos) à TV Câmara de Jacareí, feita pelo Rodrigo Romero:





E uma reportagem sobre o cantadôe suas andanças por esse Brasilzão-sem-frontêra:

Persio_jornal.jpg
Por Paulo Bicarato, às 15:19 de 08.11.2013 - 5 comentários
Categoria: Etilíricas

05.12.2006

:: Sirigaita, Papudo, Songamonga, Mocorongo ::

Na busca incessante pela etimologia do termo *pitibiriba* [mais aqui], eis que a Chefinha encontrou uma verdadeira pérola do jornalista Joaquim Ferreira dos Santos. Não explica o que estamos procurando, mas o texto é simplesmente delicioso. Quem entender todos os termos, pode confessar a idade bem pra lá de balzaquiana. O original tá no site Releituras.
Meter a língua onde não é chamado

(Sugestões de novas palavras antigas para "Mulheres apaixonadas")

Azeite, não é meu parente! Nem todos entendem, mas a língua que se falava antigamente era tranchã, era não?

As palavras pareciam todas usar galocha, e eu me lembro como ficava cabreiro quando aquela tetéia da rua, sempre usando tank colegial, se aprochegava com a barra da anágua aparecendo, vendendo farinha, como se dizia. Só porque tinha me trocado pelo desgramado que charlava numa baratinha, ela sapecava expressões do tipo “conheceu, papudo?!”, “Ora, vá lamber sabão”, eu devolvia de chofre, com toda a agressividade da época, “deixa de trololó, sua sirigaita”.

Era tempo do onça total. As garotas, algumas tão purgantes que pareciam eternamente de chico, não davam esse mole de escancarar o formato do V-8 sob a saia, e os homens, tirando uma chinfra, botavam pra jambrar com quedes e outras papas-finas. Eu, hein, Rosa?! Tanto quanto o telefone preto, a geladeira branca e o sebo para se passar no couro da bola número 5, essas palavras foram sendo consideradas como as garotas feias de então — buchos. Aconteceu com elas, as palavras, o mesmo que ao Zé Trindade — empacotaram, bateram as botas. Tomaram um cascudo, levaram sopapo, catiripapo, e chisparam do vocabulário. Uma pena.

A língua mexe, pra frente e pra trás, e assim como o bacana retornou guaribado para servir de elogio nos tempos modernos, pode ser que breve, na legenda de uma foto da Daniela Cicarelli, os jornais voltem a fazer como diante da Adalgisa Colombo outrora, e digam que ela tem it, que ela é linda, um chuchu. São coisas do arco da velha, vai entender?! Não é só o mistério da ossada da Dana de Teffé que nos une ao passado. Não saberemos nunca, também, quem matou o mequetrefe, a pinimba, o tomar tenência e o neca de pitibiribas, essas delícias vocabulares que enxotadas pelo bom gosto gramatical picaram a mula e foram dormitar, como ursos no inverno, numa página escondida do dicionário.

Outro dia eu disse para as minhas filhas que o telefone estava escangalhado. Morreram de rir com esse maiô Catalina que botei na frase. Nada escangalha mais, no máximo não funciona. Me acharam, sem usar tamanho e tão cansativo polissílabo, um completo mocorongo. Como sempre, estavam certas. Eu tenho visto mulheres de botox, homens que escondem a idade, tenho visto todas as formas de burlar a passagem do tempo, mas o que sai da boca tem data. Cuidado cinqüentões com o ato falho de pedir um ferro de engomar, achar tudo chinfrim, reclamar do galalau que senta na sua frente no cinema e a mania de dizer que a fila do banco está morrinha. Esse papo, por mais que você curta música techno e endívias, denuncia de que década você veio.

Acho legal que a Sonia Braga volte, curto às pamparras a Emilinha vendendo CD na praça. Mas por que não dar uma linguada no passado? Sem querer amolar, sem bololô, sem querer fazer arte, sem querer, em tempos já tão complicados, trazer mais angu de caroço para a vida das pessoas, eu torço, quer dizer, tenho a maior queda por um revival lingüístico. As mães costumavam passar sabão na língua do ranheta que falava palavrões. De vez em quando, todos sofremos essa limpeza e perdemos palavrinhas tão gostosas quanto aquele mingau de maisena com uma banana caramelada no meio. Será o Benedito?! Ninguém merece, tá ligado?

Da mesma maneira que se foi, parece que para sempre, o cresceu a barba como sinônimo de passar vergonha, às vezes dá-se a ressurreição de uma dessas espoletas estabanadas. Eram palavrinhas catitas, todas do tempo em que as moças ficavam incomodadas mas não dormiam de touca. O borogodó, por exemplo, que andei saudando aqui semanas atrás como um mantra de felicidade solar por causa de seus redondos abertos e femininos, ganhou novo sopro de vida ao ser repetida em todos os capítulos de “Mulheres apaixonadas”. É a coqueluche semântica do momento. E, qual é o pó?!, por que não seria?! Se a bossa nova voltou, se a boca-de-sino também, por que não a moda da língua retrô? Manoel Carlos, que é meu chapa, poderia fazer o mesmo com songamonga. Cabe muito bem, seria batata!, na sonsa da Paloma Duarte. Ô mulherzinha pra gostar de um bafafá!

Essas palavrinhas das antigas, verdadeiros pitéus sonoros, podiam formar o MSL, Movimento das Sem-Língua, e exigir assentamento no papo do dia-a-dia ao lado de pamonhas, patas-chocas lamentáveis, como disponibilizar, fidelizar, maximizar e outras gaiatas que andam fazendo uma interface lambisgóia, totalmente lengalenga, na fala cotidiana. Ficaria um mix contemporâneo, como se diz.

Uma língua bem exercida é metida, jamais galinha morta. É feita de avanços e recuos, e se isso parece reclame de algum programa do canal a cabo Sexy Hot, digamos que, sim, pode ser. Língua, seja qual for, é erótica. Dá prazer brincar com ela. Uma lambida no passado envernizaria novamente palavras que estavam lá, macambúzias e abandonadas, como quizumba, alaúza e jururu, expressões da pá virada como “na maciota”, “onde é que nós estamos!” e “ir para a cucuia”. Certamente, por mais cara de emplastro Sabiá que tenham, elas dariam na verdade uma viagrada numa língua que tem sido sacudida apenas pelo que é acessado do cibercafé e o demorô dos manos e das minas.

Meter a língua onde não é chamado pode ser divertido. Lembro de Oscarito passando a mão na barriga depois de botar pra dentro uma feijoada completa e dizer, todo preguiçoso e feliz, “tô com uma idiossincrasia!”. Estava com o bucho cheio, empanturrado de palavras gordas, compridas e nonsenses como um paio de porco. É o banquete que eu sugiro. Troque essa dieta de alface americana, de palavras transgênicas, que anda na moda mas não vale um caracol. Caia de boca num sarrabulho com assistência na porta, um pifão de tirar uma pestana do caramba, uma carraspana batuta. Essa idiossincrasia vai fazer sentido. Se alguém, depois de receber todas essas palavras de lambuja, repetir a mamãe das antigas e, amuado, gritar “dobre a língua”, não se faça de rogado — estique.

Joaquim Ferreira dos Santos (1951), escritor e jornalista, nasceu no Rio de Janeiro (RJ). Trabalhou como repórter, crítico de música e show na revista "Veja" durante mais de 10 anos. Foi editor das revistas "Domingo" e "Programa", do "Jornal do Brasil". Em 1991 foi editor executivo do jornal "O Dia". Atualmente é cronista e colunista do jornal "O Globo".

Alguns de seus livros já publicados: "Feliz 1958! — O ano que não devia terminar", "O que as mulheres procuram na bolsa", "Em busca do borogodó perdido", "Seja feliz e faça os outros felizes", e "O que as mulheres procuram na bolsa". Na coleção "Perfis do Rio", foi o autor de "Antônio Maria — Noites de Copacabana", além de ter organizado "Benditas sejam as moças — As crônicas de Antônio Maria", "O diário de Antônio Maria" e "Um homem chamado Maria".

O texto acima, escrito durante a apresentação da novela "Mulheres apaixonadas", de Manoel Carlos, foi publicada no jornal "O Globo" de 08/09/2003, no 2º Caderno.
Por Paulo Bicarato, às 09:54 de 05.12.2006 - 2 comentários
Categoria: Biblios
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