:: Acasos (?) ::

Contei e recontei esse causo dezenas de vezes nos últimos dias. Mas não tive a sensibilidade que a Chris Ramsthaler exprimiu, e na verdade (apesar da surpresa do encontro e da receptividade) reforçam mais ainda a dimensão do carinho e da presença marcantes do seu Toninho — é, meu pai –, tão significativos e vivos que perduram por décadas e mais décadas.

E fico cá matutando sobre como e porque *acasos*. Como disse Guimarães Rosa, *quando nada acontece há um grande milagre acontecendo que não estamos vendo*. E pessoas são elos e instrumentos pra que esses milagres aconteçam. Apesar das minhas trapalhadas, a querídola Rose ficou firme e fomos conferir o show do Paulinho Pedra Azul, a convite e com a participação do camarada Tuia. Além do nosso menestrel Déo, ainda tivemos o prazer de conhecer outra *lenda*, o Tavito.

Mas, além do show, valeu muito também por ter conhecido a Chris — segue o relato dela:

Acaso?

Não posso acreditar em acaso quando falamos de encontros inesperados.

Sim, tive uma surpresa muito grande há uns dias. Show de Paulinho Pedra Azul, em S. Paulo, Bar Ao Vivo. Um bar em S. Paulo… quantos bares, quantos shows, em S. Paulo!

Quantas vezes queremos ver vários e nem conseguimos porque os espetáculos coincidem em dia e hora.
Pois bem! Escolhemos assistir a esta raridade, Paulinho Pedra Azul em Sampa!

Casualmente encontramos Deo Lopes (que não víamos já há alguns anos) poeta-cantor. Sentou-se conosco.
Aí, a surpresa maior nos aguardava, sem que a pudéssemos pressentir.

Tive um amigo, muito amigo, no segundo emprego da minha vida, lá se vão décadas! Saí da empresa, tive outras atividades, o tempo passou… Um dia resolvi procurar esse amigo aqui no facebook. Acabei por encontrar um filho dele, que me passou o e-mail do pai. Começamos uma correspondência por e-mail, porque ele não tinha perfil no face. Conversamos muito. Trocamos notícias, alegrias e tristezas, o que é normal na vida de todos nós. Ele, então, estava trabalhando em Brasília.

Com o decorrer do tempo e de tantas outras coisas que me exigiram dedicação total, parei de escrever para ele. Deixei ‘de lado’ vários amigos, vários encontros programados, por quase 2 anos. Simplesmente não consegui dar conta de tudo, embora grandes amizades, sem dúvida, mereçam nossa total dedicação.
Alguns dias antes do tal show, comecei a pensar muito naquele meu amigo e dizia para minha filha: preciso escrever para o Antonio. Repeti isto várias vezes! Mas não escrevi.

Voltando ao show, o Deo Lopes viu um amigo dele chegando e tratou de conseguir que ele se acomodasse na mesa ao nosso lado. Feitas as apresentações, a surpresa: Paulo Bicarato. Feliz com a coincidência do sobrenome, perguntei se conhecia o meu amigo Antonio. Prontamente disse: meu pai. Só que ele se foi, há 2 meses!

O ambiente, logicamente, não era propício para grandes manifestações de pesar. Só consegui dizer: É…? Que pena!… A tristeza, guardei dentro de mim.

Assim, mais uma vez, não posso acreditar no acaso. Aquele amigo que se fazia presente em meus pensamentos naqueles dias, me mandou alguém muito próximo para me dar a notícia de sua partida. Apesar de tudo, num momento de alegria. Paradoxos da vida!

Só sei dizer que quero muito encontrar novamente vocês, Paulo Bicarato e família.


Paulinho Pedra Azul, Rose & Déo Lopes

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