:: Resistência ::

Salve, Sosaci — Sociedade dos Observadores de Saci!
Cultura e resistência, sempre!
 
Manifesto Antropófago revisitado
​Qualquer semelhança com o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, do ano de 1928, não se trata de mera coincidência!
 
Só o saci nos une. Sacialmente. Etnicamente. Culturalmente. No ano 449 da deglutição do Bispo Sardinha em Piratininga, e 75 anos após o lançamento do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, os saciólogos desta terra vão, aos pulos, convergindo em torno da única lei justa do mundo globalizado. O saci resgata nossa identidade, nossas raízes, o xis da questão tupi. Contra todas as catequeses do Império só nos interessa o que não é deles. A lei do saci.
 
Estamos fatigados de todos os colonialismos travestidos de drama roliudiano. O cinema americano devorando corações e mentes. Demente. No país onde dá status ter casa em Maiami e comprar em sales com 20% off. Estacionar no valet parking e pedir comida delivery. Por isso fazemos eco ao brado oswaldiano, contra todos os importadores da consciência enlatada. Oswald ainda grita, resquícios do nheengatú ecoando ao longe. Nunca admitimos o nascimento de Jeca Tatu entre nós. Só que o Jeca de Lobato resiste. Ele resiste ao Pato Donald, aos Poquemons, ao Raloim, às bruxas do Bush.
 
O instinto do Saci. Só Saci. Um Saci contra as histórias do homem que começam no Cabo Canaveral. A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. E os transfusores de sangue. Das veias abertas da América Latina. Antes dos norte-americanos ocuparem o Brasil, o saci já tinha descoberto a felicidade. Definida pela sacizidade de um antropófago, o próprio Saci. A transfiguração da Abóbora em carne seca. Antropofagia. Absorção do inimigo abóbora.
 
A nossa independência já foi proclamada no 7 de Setembro, em São Luís do Paraitinga. Expulsamos o imperialismo travestido de globalização hegemônica. Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada em Washington e Londres, a realidade sem complexos e sem penitenciárias do saciarcado de Pindorama.
 
São Luis de Paraitinga, 31 de outubro de 2003, ano da deglutição final da abóbora
 

:: Etilíricas ::

Fala, Xico Sá: “Procura-se um comunista, desesperadamente”.

É, acho que conheço um dos últimos sobreviventes, mas o cara tá longe… saudades dos bons proseios em Parahytinga, São Luiz, sob os olhares sacizísticos, fraternalmente ateus ao lado da minha formação católica, sempre recheados de citações de escritores os mais variados e explanações etimológicas que iam do latim ao grego e ao russo, passando pelo alemão e recaindo nos mineirismos causísticos (como de fato é mêsssm!), e, etilírica e inevitavelmente, como se pode deduzir, outros saciológos da mesma laia, ou de outras várias, pretinho-branco: saravá!, se juntavam pra poetar e discutir a inevitável implantação da utopia nas terras brasilis, numa Ursal de veias abertas de hermanos multifacetados.

Isso sob o olhar nipônico sempre atento, silente e observador, de quem sabe mais do que diz, e com as sempre precisas observações da professora iluminada e iluminosa, mestra em contextualizar as visões na realidade concreta e sensível das nossas gentes.

O mundo dá voltas, como numa partitura em espiral grafitada num poste que reproduz, só pra quem sabe e pode ver, a música-tema da revolução, um hermetismo acessível a poucos iniciados mas contraditoriamente aberto a mentes abertas (?)…

(Só não vou citar nomes pra não correr o risco de ser um entreguista, alcaguete, e dar de bandeja pro coiso que nos persegue.)